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Entrevistas

Entrevista: Rony Meisler – CEO da Reserva

Rony Meisler abre os objetivos da empresa a partir da parceria de seis meses com o Maracanã

1 set, 2015 Escrito por MKT Esportivo

Uma parceria que promete mudar a relação do fã de futebol com o Maracanã. Pelos próximos seis meses, o banco de reserva do estádio será Banco de Reserva, fruto do patrocínio da Reserva ao estádio. Esta notícia foi uma das mais acessadas da história do MKT Esportivo e nós não poderíamos ficar indiferente a esta demanda.

Conversamos com Rony Meisler, CEO da Reserva, para aprofundar sobre a visão da marca em relação ao patrocínio ao Maraca, que como você lerá a seguir, não se baseará somente no re-batismo dos bancos.

Ainda que seja a primeira aventura da Reserva dentro do futebol, Meisler nos contemplou com uma declaração fantástica, que vai de encontro ao que 99.9% das empresas patrocinadoras do futebol buscam na modalidade: exposição. “A Reserva não faz publicidade apenas para expor sua marca para a maior quantidade de pessoas possível. Nosso tesão mora na criação de produtos que façam sentido ou diferença na vida dos nossos consumidores”.

Já imaginou marcas buscando fazer a diferença na relação com os torcedores em detrimento de mera exposição? Em seis meses, a Reserva fará sua parte.

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MKTEsportivo – A Reserva sempre manteve uma relação indireta com o futebol, convertendo a ampla penetração do tema em estampas para os seus produtos. Esta “football culture” pode ser considerado parte do DNA da marca ou é apenas mais uma fonte de inspiração?

Rony Meisler – A missão da Reserva é ser entendida muito mais como um amigo do que como uma marca de moda, e, portanto, a verdade é que nosso planejamento está irrestritamente focado no diálogo com nossos consumidores aonde quer que eles estejam. Assim como nós, nossos consumidores são fanáticos pelo futebol, frequentam e possuem um caso seríssimo de amor com o Maracanã.

 

Com raiz no Rio de Janeiro, a Reserva é uma marca essencialmente igualitária, que une tribos e culturas diferentes, isenta dos chamados “preconceitos”. Neste sentido, esta primeira ação envolvendo o futebol, a partir de um estádio lendário e democrático como é o Maracanã, acabou sendo uma escolha natural?

Eu fui ao estádio assistir a final do campeonato carioca deste ano e lá conheci o Marcelo Hargreaves, diretor de marketing do Maracanã. O Marcelo me convidou para assinar a primeira coleção oficial do Maracanã, o que aceitei na hora, e começamos a discutir como poderíamos ativar a marca Reserva no estádio. Eu olhei para os bancos (estávamos de frente para eles) e … Voilá ! Foi assim que decidimos re-batizar, no singular, o Banco de Reservas do Maracanã.

 

A Reserva é a primeira marca brasileira a se tornar parceira oficial do estádio e já foi na contramão de praticamente todas as empresas envolvidas no futebol: pouca exposição durante as transmissões, mas um potencial grandioso de relacionamento com os torcedores. A ativação de patrocínio será o foco da marca dentro da modalidade nos próximos seis meses?

O legal desse projeto é o pacote completo. A Reserva não faz publicidade apenas para expor sua marca para a maior quantidade de pessoas possível. Nosso tesão mora na criação de produtos que façam sentido ou diferença na vida dos nossos consumidores. Queremos surpreende-los e os fazerem ter orgulho de usar Reserva.

Além do re-batismo do banco de reservas, para amarrar a parceria, criaremos a primeira marca de moda oficial Maracanã™ (nas lojas Reserva e na loja do estádio em dezembro) e vestiremos os guias turísticos do estádio para receberem os mais de 1500 turistas que todos os dias visitam o Maracanã.

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O acordo contempla novos uniformes para os guias turísticos do estádio, o lançamento de uma nova loja online, a reservafut.com, que já traz uma seleção de produtos com estampas inspiradas pelo futebol; além, claro, do que caiu na graça dos fãs: a nomeação do banco de reservas. Pela sua experiência profissional a partir de uma marca inovadora, se tratando de uma modalidade ainda avessa à grandes transformações, é necessário sair do lugar comum para que se tenha destaque?

Este ano fomos eleitos uma das marcas mais inovadoras do mundo pela revista Fast Company, sendo a única brasileira listada. Fiquei super honrado principalmente porque sou fã da revista, mas se você me perguntar qual foi a nossa estratégia para isso eu não saberei lhe responder. E é justamente por isso que acho que acabamos sendo reconhecidos: porque nunca fizemos nada com o objetivo principal de ganhar dinheiro ou reconhecimento.

Sempre fizemos o que tínhamos tesão em fazer e o lance no Maraca é um bom exemplo… Não tem grandes planos… Outro dia me perguntaram se eu queria com este projeto concorrer com a Nike. Eu sou é fã pacas da Nike! As pessoas normalmente tem essa “nóia” de partir do princípio que tudo necessariamente tem que ser para competir ou ganhar mercado. Apenas quisemos tirar um sorriso do rosto do nosso cliente e fazê-lo sentir orgulho de ser amigo de uma marca divertida e corajosa. Fizemos e fazemos sempre única e exclusivamente pelo tesão que sentimos ao fazer, essa é a mais pura verdade.

Agora, respondendo diretamente a pergunta:

Assim como na moda, na bola somos outsiders (sou engenheiro de produção e anteriormente trabalhei numa empresa de consultoria em TI). Em todo e qualquer mercado não tem como ser diferente fazendo igual, a frase parece óbvia quando lida, mas quando observa-se a realidade ela não é tão óbvia assim. Acho que as marcas (de todo o qualquer mercado) deveriam olhar mais para dentro e menos para o que as outras marcas fazem. Porque levantam todos os dias para trabalhar? A marca nasceu quando e porque? O que adrenaliza a turma que trabalha lá todos os dias? Perguntas simples que, quando respondidas de forma verdadeira, promovem revoluções.

 

Como CEO da Reserva e frequentador do estádio desde criança, qual a sensação de ver sua marca dentro do gramado do Maracanã?

Eu tinha 13 anos de idade quando o Senna morreu, disparado o meu maior ídolo. Era dia de Vasco e Flamengo e meu pai havia comprado ingressos para irmos ao jogo. Eu estava bem mal, mas ele insistiu e eu fui. Quando o elevador para as numeradas se abriu eu assisti a um dos maiores espetáculos que já vi na vida: as duas torcidas, lindas e gigantes, pela primeira e talvez única vez cantavam juntas: Olê olê olê olá Senna, Senna !!

No dia em que entrei no Maracanã com o nosso time de campeões e me deparei com a nossa marca no gramado eu imediatamente lembrei daquele dia e chorei de emoção. Não falei nada para ninguém, mas pedi que o preto, branco e vermelho fossem aplicados na arte como uma homenagem as torcidas que há 21 anos atrás, naquele mesmo lugar, me proporcionaram uma das maiores emoções da vida.