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Entrevista: Ronaldo Nazário e Gabriel Lima, agência Octagon

Ronaldo e Gabriel, sócio e CEO da agência, respectivamente, nos deram detalhes sobre os planos futuros da Octagon e como enxergam o mercado pós megaeventos

9 mar, 2017 Escrito por MKT Esportivo

No início deste ano Ronaldo agitou o mercado ao anunciar que se tornara sócio majoritário da Octagon, uma das mais tradicionais agências de marketing esportivo do mundo. Com experiência de garoto-propaganda de grandes marcas durante e pós-carreira, e cinco anos à frente da 9ine, o Fenômeno agora encara mais um desafio como empreendedor.

Pensando neste cenário de oportunidades, que o próprio Ronaldo nos detalhou, conversamos com ele e com Gabriel Lima, CEO da Octagon, para entender como a dupla enxerga o momento do mercado brasileiro após o país receber dois grandes eventos e os planos futuros da agência.

“Óbvio que os grandes eventos esportivos impulsionaram a visão das marcas para enriquecer o relacionamento com o consumidor, mas mais que ativações, as pessoas querem experiências”. Partindo desta afirmação, podemos esperar um Ronaldo com uma vontade ainda maior de fazer acontecer. Sobre o badalado eSports? “É um objetivo de curto prazo”, sacramentou.

Confira:

 

Ronaldo, em seu Instagram você publicou que “sonha em colocar o marketing esportivo e de entretenimento no Brasil em outro patamar”. Esta expectativa está presente no país desde 2007, quando fomos escolhidos como sede da Copa e, posteriormente, dos Jogos Olímpicos. Agora na Octagon, o que fazer de diferente para conseguir, de fato, colocar o mercado em outro patamar?

O nosso mercado amadureceu muito recebendo esses grandes eventos. O público e os consumidores, de uma forma geral, puderam ver que o esporte é também uma forma de entretenimento, e o seu consumo cresceu e evoluiu muito nos últimos anos. Mas ainda estamos longe dos países mais desenvolvidos nesse tema, e temos consciência que há muito espaço para crescer no Brasil. Por isso, e para isso, a Octagon existe: vislumbramos acelerar essa evolução e criar experiências ímpares para o público.

 

O entretenimento, por sua vez, é um conceito absolutamente consolidado nos EUA. Até por uma questão cultural e de características de modalidades, importá-lo para o Brasil seria um processo de muitos anos. Através de experiências e ativações, as marcas podem desempenhar um papel fundamental neste sentido?

Com certeza. Os EUA exercem um papel de benchmarking importantíssimo para o mercado. As finais da NBA, o Super Bowl e todos os eventos mostram para a gente uma nova forma das marcas se relacionarem com seus públicos. A Octagon acredita que as empresas e ativações serão os agentes transformadores desse mercado. Na verdade, elas já são. Os copos da Copa e das Olimpíadas são um exemplo disso. Óbvio que os grandes eventos esportivos impulsionaram a visão das marcas para enriquecer o relacionamento com o consumidor, mas mais que ativações, as pessoas querem experiências. É isso que os mercados evoluídos oferecem e é isso que nós buscamos entregar como agência. A experiência é o caminho para as empresas se diferenciarem, e estamos aqui com profissionais que enxergam dessa forma.

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Investindo também no emergente e-Sports, apostar neste “novo setor” pode ser um dos seus objetivos de médio prazo na Octagon?

Na verdade, é um objetivo de curto prazo. Os e-Sports e toda cultura new pop (cinema, séries, videogame, etc.) já são realidade, com um potencial ainda imensurável de crescimento. A gente acredita estar um passo à frente. Temos especialistas desses segmentos na Octagon, e a CNB (minha equipe profissional de League of Legends) já está dentro do portfólio de produtos e serviços da agência. A interação diária com a CNB nos dá um conhecimento diferenciado, de dentro do mercado. E os projetos de curto prazo prometem movimentar ainda mais esse universo.

 

A Octagon atua também no gerenciamento de carreira de atletas. A partir de sua experiência como embaixador de marcas líderes do mercado e também como empresário, como será sua colaboração neste sentido?

A minha carreira serve à Octagon como um case de sucesso. Quero que outros atletas tenham as oportunidades e facilidades que eu tive. É a nossa referência. O meu staff está dando suporte à Octagon para montarmos um modelo de gerenciamento de carreiras completamente diferente do que acontece atualmente no Brasil. Vemos os atletas como perfis influenciadores diversos, que devem ser ligados a marcas variadas, explorando essa diversidade.

 

Nos cinco anos de 9ine, a agência sempre se destacou pelos clientes que atendia. Como dono de agência de marketing esportivo durante o período, quais lições você levará para esta nova fase na Octagon?

Foi a minha primeira experiência como empresário. Cinco anos aprendendo, crescendo e amadurecendo com os erros e acertos de uma empresa nova e uma equipe entusiasmada, em busca de espaço no mercado de atl/btl. E mesmo em cenário de crise, com todas as dificuldades de empreender no Brasil, tivemos grandes clientes empresariais, agenciamos atletas das mais variadas modalidades esportivas e desenvolvemos campanhas de sucesso. É sob essa óptica que eu avalio a trajetória, e se hoje eu me sinto maduro e preparado, é pelo que cresci com a 9ine. É uma bagagem que me permite identificar as necessidades do mercado, avaliar e tomar decisões mais assertivas para apostas em novos setores e formatos.

 

Como consultor e sócio majoritário de uma das principais agências do país, como analisa o próximo ciclo 2018 a 2022 para o mercado brasileiro?

Será um período para digerir e absorver tudo que os grandes eventos trouxeram para os brasileiros. Estamos entendendo e nos adaptando a nova realidade do nosso mercado, em que o esporte e o entretenimento servem às marcas para impactar as pessoas através das experiências.