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Opinião MKT

Especial | Adidas quer o fim da Regra 50+1 na Bundesliga

Para Kasper Rorsted, CEO da marca, entrada de capital estrangeiro ofereceria competitividade ao futebol alemão

19 abr, 2017 Escrito por MKT Esportivo
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Inegavelmente, a Regra 50+1 permitiu à Bundesliga crescer de modo sustentável e com a participação efetiva do povo alemão. Criada em 1998, ela fez com que os clubes se convertessem em companhias de natureza pública ou privada, desde que mantivessem direito de voto majoritário (ou 51%). Neste cenário, existem exceções: o Leverkusen (Bayer) e Wolfsburg (Volkswagen). Por seguirem um modelo de clube-empresa, como a participação de Dietmar Hopp, dono da SAP, que investe há muitos anos no Hoffenheim, há um “drible” permitido pela liga.

Já o caso envolvendo o RB Leipzig, atual segundo colocado da Bundesliga, gera muita polêmica na Alemanha. Ainda que o clube possua 51% dos votos, todos os votantes são funcionários da Red Bull. Ou seja: a empresa está no comando.

Neste contexto de exigências e modelos que não abrem espaço para equipes serem adquiridas por investidores estrangeiros, a Bundesliga acabou ficando para trás. Se é sinônimo de gestão e saúde financeira, o futebol por lá perdeu em competitividade e atratividade se comparada à Premier League e La Liga.

Desde a temporada 2009/2010 que o título não sai das mãos do Bayern de Munique ou Borussia Dortmund. Os bávaros vencem seguidamente desde 2012/2013. Símbolo do país, a Adidas quer mudanças. E isso pode passar pelo fim da regra 50+1.

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Novo CEO da empresa, Kasper Rorsted, o mesmo que confirmou que a marca deixará de investir em publicidade na televisão, deixou claro seu posicionamento contrário à existência da regra. Para ele, a entrada de capital estrangeiro de modo majoritário ofereceria uma “concorrência real e emocionante” ao futebol local.

Neste sentido, Christian Seifert, nome forte da Federação Alemã (Deutsche Fußball Liga), já havia seguido linha parecida com a de Rorsted. Com ressalvas. Seifert concorda com uma flexibilidade da 50+1, mas não acredita que a extinção da mesma seja a saída para os problemas da Bundesliga.

Kasper Rorsted coloca a Premier League como um modelo a ser seguido, com clubes sendo adquiridos por milionários de fora, com quatro equipes figurando como candidatas ao título a cada início de temporada e partidas de final de semana que geram grande expectativa no público.

Talvez o pensamento do profissional seja endossado por diversos participantes da elite do futebol alemão, que tentam de todas as formas acabar com a hegemonia do Bayern de Munique, fato este que preocupa a própria Bundesliga. Por enquanto, iniciativas como a de liberar o patrocínio nas mangas acobertam este real problema do futebol alemão.

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