Indústria

O esporte norte-americana se levanta contra Donald Trump

Atletas e equipes da NBA e NFL se manifestaram fortemente contra o atual presidente dos Estados Unidos

25 set, 2017

No mesmo final de semana, Donald Trump aumento sua lista de polêmicas ao comprar briga com duas das principais ligas esportivas dos Estados Unidos. Primeiro, o atual presidente retirou o convite ao Golden State Warriors após Stephen Curry afirmar que não iria ao tradicional encontro entre o presidente e os atuais campeões da NBA. Com o veto ao atleta, naturalmente a franquia não compareceria ao evento.

“Ir à Casa Branca é considerado uma grande honra para uma equipa campeã. Stephen Curry está hesitando, por isso o convite foi retirado”, escreveu Trump no Twitter.

Ainda na NBA, LeBron James, estrela do Cleveland Cavaliers e um dos maiores críticos do mandato de Trump, utilizou seu perfil na rede para atacar duramente o presidente e defender seu “rival” dos Warriors. Em suas páginas, Draymond Green, Chris Paul, Kobe Bryant, Robert Griffin e Magic Johnson também endossaram o coro contra o republicano.

“Seu vagabundo, Stephen Curry já disse que não ia! Portanto, não há convite. Ir para a Casa Branca era uma grande honra antes de você aparacer por lá”, publicou ‘King’ James.

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Já na NFL, diversos jogadores têm recusado ouvir o hino nacional de pé em protesto pela violência policial contra cidadãos negros e afro-americanos. Por este motivo, somado à outras práticas de Trump, muitos atletas se ajoelharam na rodada do final de semana. Tal ato, como se sabe, iniciou em 2016, quando Colin Kaepernick permaneceu sentado durante o hino em uma partida de pré-temporada do San Francisco 49ers.

Sobre a atitude, que está se tornando recorrente na liga norte-americana, Trump fez um pedido inusitado aos torcedores na sexta-feira (22): que eles abandonem os estádios da NFL e que as equipes demitam os jogadores que “desrespeitarem a bandeira”.

“Vocês não adorariam ver um dono de time da NFL dizer, no momento em que alguém desrespeita nossa bandeira: ‘Saia do campo agora, seu filho da p…! Fora daqui! Você está demitido! Demitido!”

“Se vocês, torcedores, verem esse desrespeito à bandeira, mesmo que seja só um jogador, abandone o estádio. Eu garanto que assim isso vai parar. Essas coisas vão parar. Só peguem suas coisas e vão embora”.

Na partida em Wembley, na Inglaterra, parte do elenco do Jacksonville Jaguars permaneceu em pé durante o hino nacional, porém, mostraram união ao ficarem de braços dados até mesmo com o dono da franquia, Shad Khan. O bilionário paquistanês, por sua vez, foi responsável por uma generosa doação ao atual presidente logo após sua eleição, em 2016. Já o Pittsburgh Steelers permaneceu nos vestiários durante a execução do hino.

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A NFL, por meio do seu comissário Roger Goodell, e a NFLPA (Associação de Jogadores da NFL) se manifestaram através de comunicados divulgados em seus perfis nas redes sociais. Confira, respectivamente:

“A NFL e nossos jogadores estão fazendo seu melhor para ajudar a criar um sentimento de unidade em nosso país e nossa cultura. Não há melhor exemplo do que a excelente resposta de nossos clubes e atletas aos terríveis desastres naturais que vivemos no último mês. Comentários como esse [de Trump] demonstram uma infeliz falta de respeito pela NFL, por nosso incrível esporte e todos os nossos jogadores. Ao mesmo tempo, mostra total falta de entendimento sobre a grande força que nossos clubes e jogadores têm na representação de nossas comunidades”

“Os jogadores da NFL fazem coisas incríveis para contribuir com suas comunidades. Os jogadores da NFL são parte de um legado de atletas em todos os esportes que, ao longo da história, optaram por estar informados sobre os problemas que impactaram a eles e às suas comunidades. Eles escolheram – e ainda escolhem hoje – fazer algo para mudar estas questões, ao invés de viverem confortavelmente na bolha dos esportes”

Talvez um dos maiores aliados de Donald Trump dentro liga, o dono do New England PatriotsRobert Kraft, se posicionou sobre o tema. Amigo do presidente muito antes dele se tornar um político, Kraft se mostrou desapontado.

“Eu estou profundamente desapontado com o tom dos comentários feitos pelo presidente. Tenho orgulho de ser associado com tantos jogadores que fazem grandes contribuições e impactam positivamente as nossas comunidades. Seus esforços, tanto dentro de campo quanto fora, faz com que as pessoas se unam e deixem o nosso país cada vez mais forte. Não existe  um jeito maior de unificar este país do que pelo meio do esporte e, infelizmente, nada mais divisor do que a política. Eu acredito que os nossos líderes políticos poderiam aprender muito pelas lições de trabalho em grupo e a importância de trabalhar junto em busca de um objetivo em comum. Os nossos jogadores são inteligentes e se preocupam muito com a nossa comunidade e eu apoio o direito deles de, pacificamente, reivindicarem por uma causa social em um jeito que eles sentem que é impactante”

Equipes como New York Giants, San Francisco 49ers, Green Bay Packers, Atlanta Falcons, Tennessee Titans, Los Angeles Chargers, Philadelphia Eagles, Denver Broncos, Buffalo Bills, Indianapolis Colts e Seattle Seahawks também deram declarações sobre o tema, tanto que a NFL dedicou um espaço em seu site oficial para divulgar tais comunicados.

Por fim, na MLB, o calouro Bruce Maxwell, do Oakland Athletics, foi o primeiro atleta da liga a se ajoelhar durante hino do país. Ainda que tenha sido uma atitude isolada dentro do baseball, o Athletics apoiou a atitude ao publicar que “apoia todos os direitos constitucionais de nossos atletas e a liberdade de expressão”. Filho de militares, o jogador já havia afirmado em suas redes sociais que tal atitude pode ganhar apoiadores em outras ligas fora NBA e NFL.

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