Indústria

Federação Alemã de Futebol estuda fim da regra “50+1” na Alemanha

Criada em há exatos 20 anos, ela fez com que os clubes se convertessem em companhias de natureza pública ou privada

16 fev, 2018

Primeiro foi a Adidas, parceira de longa data do futebol local. Agora, Christian Seifert, presidente da Deutsche Fußball Liga (DFL), afirmou que “está em estudo” a revisão da regra ‘50+1‘, que historicamente permitiu à Bundesliga crescer de modo sustentável e com a participação efetiva do povo alemão.

Criada há exatos 20 anos, ela fez com que os clubes se convertessem em companhias de natureza pública ou privada, desde que mantivessem direito de voto majoritário (ou 51%). Ou seja: ela que impede que um investidor único possua a maioria do capital de uma equipe. Há exceções, claro, como Bayer Leverkusen, Hoffenheim e VfL Wolfsburg, geridos pelas locais Bayer, SAP e Volkswagen, respectivamente. Há ainda o caso envolvendo o RB Leipzig, que segue gerando muita polêmica na Alemanha. Ainda que o clube possua 51% dos votos, todos os votantes são funcionários da Red Bull. Ou seja: a empresa está no comando.

“Vamos iniciar um processo com os 36 clubes profissionais (Bundesliga e 2. Bundesliga) para rever esta regra, velha, de 20 anos”, disse Seifert. Para ele, certamente o fim da mesma encontrará resistência no curto prazo, o que impede que se tenha um parecer definitivo antes do final do ano.

Diferentemente da Inglaterra, onde o capital estrangeiro sustenta quase que 100% das equipes, na Alemanha, a cultura de clubes é tradicionalmente de associação, sendo geridos, em sua maioria, pelos sócios ou empresas locais.

“Os estádios estão cheios, os preços dos lugares são acessíveis, toda a sociedade vem ao estádio – jovens, velhos, negros, brancos, ricos, pobres, é um esporte para toda a gente e isso é um traço muito particular da Bundesliga”, comentou o dirigente. “A regra do ’50+1′ “fez da Bundesliga o que ela é hoje”, completou. Internamente, sabe-se da necessidade de um “meio-termo” que permita enriquecer os demais clubes e trazer competitividade à liga. O Bayern de Munique, por exemplo, é um dos que pede mudança em relação a regra para que haja um fortalecimento geral e a Bundesliga cresça comercialmente.

Seifert defende que é preciso evitar que os clubes se tornem “simples produtos que se compram agora para vender amanhã“, uma clara provocação ao modelo inglês. Para ele, é absolutamente necessário “preservar valores importantes para as cidades e os seus habitantes“.