Atletas

Como o YouTube “salvou” a imagem de Durant ao chegar no Golden State Warriors

Momento de transição foi marcado por muitas críticas de torcedores e outras franquias. O digital prevaleceu

19 mar, 2018

Em julho de 2016 Kevin Durant se tornou reforço do Golden State Warriors após nove anos defendendo o Oklahoma City Thunder. Fugindo das redes sociais badalas e de coletivas de imprensa, o jogador utilizou a plataforma The Players Tribune com um texto intitulado My Next Chapter (Meu próximo capítulo, em tradução livre) para oficializar o acordo.

“O primeiro critério que levei em consideração para tomar a decisão foi o potencial de crescimento como jogador, que sempre conduziu-me na direção certa, mas eu estou em um momento da carreira em que igualmente importante é encontrar as oportunidades que encorajem-me como pessoa, sair da zona de conforto. Com isso em mente, decidi que vou juntar-me ao Warriors”, afirmou o craque no artigo. Tal declaração foi suficiente para Durant ser muito criticado por especialistas, jogadores, ex-atletas e, principalmente, os torcedores de sua ex-equipe. O fato de um atleta do seu quilate rumar para uma franquia que havia acabado de sagrar-se campeã e que já contava com outras feras, gerou dúvidas se a NBA conseguiria manter seu nível de competitividade.

Pra piorar, poucos meses depois, Durant utilizou seu Twitter para tecer criticas ao seu ex-técnico Billy Donovan e ao elenco do Thunder. Pelo seu próprio perfil, ele interagiu com de seus seguidores, que o questionou: “cara, eu o respeito muito, mas me dê uma razão legítima por deixar o OKC, se não tiver sido para ser campeão”. Durant o respondeu em terceira pessoa: “ele não gostava da organização ou de jogar para Billy Donovan. Os companheiros também não eram tão bons, era apenas ele e Russell Westbrook”.

Diante da repercussão negativa e com uma imagem abalada pelos acontecimentos, Kevin Durant buscou uma maneira de humanizar-se e se (re)conectar com seus fãs de maneira mais íntima. Ao lado de Rich Kleiman, seu empresário, eles não acreditavam que Twitter, Facebook e Instagram poderiam auxiliá-los de maneira relevante no que pretendiam. Com o formato vídeo ganhando espaço e a acensão de criadores de conteúdo como influenciadores, Kleiman afirmou que apenas uma ferramenta poderia entregar o que Durant objetivava: o YouTube. Naquele momento, youtubers começavam a ser tratados como estrelas e o empresário havia notado que nenhum atleta a explorava. Neste processo, três executivos da empresa tiveram participação fundamental: a CEO Susan Wojcicki, o diretor de negócios Robert Kyncl e o diretor de produto Neal Mohan.

 

“Nós gastamos todo o tempo no YouTube para consumir conteúdo esportivo, mas nada disso é original, ou de primeira pessoa ou mesmo conteúdo documental que normalmente criaríamos para outra plataforma”, disse Kleiman na época.

Oito meses depois de deixar o Thunder e ser apresentado nos Warriors, Kevin Durant lançou seu canal oficial. Desde então, o camisa 35 divulga imagens de bastidores, ações de marketing que participa, entrevistas com personalidades do país e outros jogadores, Q&A (Questions and Answers), além de abrir lives para interagir com os usuários. Hoje, o atleta conta com mais de 660 mil assinantes e mais de 21.1 milhões de visualizações.

Após uma receptividade muito positiva e ter conquistado alguns dos objetivos pretendidos inicialmente, Durant e Kleiman já subiram de patamar e agora trazem outros atletas para a plataforma. Em janeiro deste ano, a Thirty Five Media, empresa de produção de mídia e desenvolvimento criativo que criou ao lado de seu empresário, firmou uma parceria com o YouTube para criar canais para atletas.

Richard Sherman, estrela da NFL, Karl-Anthony Towns, do Minnesota Timberwolves, além dos seus companheiros de equipe, JaVale McGee e Nick Young, já utilizam seus serviços. A Thirty Five Media e o YouTube prometem criar programas e séries esportivas originais, a primeira delas conta com a participação do ator Michael Rapaport.

De um cenário absolutamente negativo, Durant buscou no digital uma forma de gerenciar a crise criada em torno de sua imagem e embarcou no formato de conteúdo que já é realidade há algum tempo. De materiais autorais como forma de mostrar-se uma pessoa “comum”, agora gerencia um portfólio de atletas que buscam na mesma plataforma que o auxiliou uma forma alternativa de conexão.