Indústria

Especial | Por sobrevivência no esporte, Tv paga deve repensar entrega do conteúdo

Redes sociais e plataformas OTT avançam em um mercado ainda dominado pelas operadoras de Tv fechada

8 maio, 2018

Por Eduardo Esteves

 

De modo pioneiro, o MKTEsportivo apresentou ao mercado brasileiro uma relevante pesquisa sobre como o esporte poderá definir o futuro da Tv paga. À época, destacamos que a PwC havia levantado que o número de americanos que assinam TV a cabo e os que assinam Netflix encontra-se praticamente igual: 73%. Entre os que se assumiram consumidores esportivos, 82% cancelariam suas assinaturas caso tivessem outras opções para assistirem transmissões de suas modalidades favoritas.

Ampliando a visão sobre o tema, um outro levantamento, desta vez, desenvolvido pela empresa de pesquisa Parks Associates, mostrou que 27% das famílias norte-americanas que possuem TV paga concordam que a programação esportiva é a principal razão pela qual ainda mantém suas assinaturas ativas.

“Embora a transmissão e a TV a cabo continuem sendo as principais fontes de consumo de esportes ao vivo, as opções de plataformas OTT se tornaram uma parte importante do cenário esportivo”, disse Brett Sappington, diretor sênior de pesquisa da Parks Associates.

“Cada vez mais, ligas e redes estão oferecendo opções diretas ao consumidor. Esses serviços oferecem acesso a conteúdo que de outra forma não seria transmitido e opções de assinatura à aqueles que não assinam TV. Recentemente, tanto a CBS quanto a ESPN lançaram seus próprios serviços de streaming para o esporte. Com o tempo, os provedores de TV por assinatura provavelmente farão parcerias com esses tipos de serviços para completar o serviço existente”, analisou.

Já 52% dos domicílios com banda larga nos EUA têm uma assinatura de TV e um (ou mais) serviços de vídeo OTT. Esta clara “distribuição” de atenção e busca por novos serviços mostra que, se a Tv fechada deseja ter vida longa, a entrega deverá ser repensada. Se atualmente os principais grupos de mídia já lançaram suas plataformas de streaming, é fruto de que irão acompanhar esta transformação do mercado. ESPN, Fox Sports, Turner, Twitter, Facebook, YouTube e Amazon são apenas alguns dos players que tiram o sono das operadoras.

O consumo na palma da mão cresce de modo acelerado e as principais redes sociais já se atentaram ao novo momento da indústria. O NBB, para citar um exemplo, registrou um aumento de 29% nas visualizações nas transmissões feitas via web entre as temporadas 16/17 e 17/18 (2.21 milhões de espectadores contra 1.7 mi). Já a YouTube Tv, em cinco meses, estima-se que conte com mais de 2.5 milhões de usuários ativos.

O fã consome e interage. Assiste a uma partida e atualiza suas redes sociais. Portanto, o mesmo deseja que este novo modelo esteja completamente inserido em suas atividades cotidianas.