Publicidade
Indústria

Coluna | Afinal, que Copa é esta?

Em sua estreia, Jorge Avancini questiona a timidez da indústria com suas campanhas publicitárias e o pouco envolvimento do torcedor com o Mundial

13 jun, 2018 Escrito por MKT Esportivo
Array
(
    [error] => Array
        (
            [message] => (#4) Application request limit reached
            [type] => OAuthException
            [is_transient] => 1
            [code] => 4
            [fbtrace_id] => AX2hhnLle/a
        )

)

Compartilhe

  • Linkedin
    Linkedin
  • whatsapp
    Whatsapp
10Total

Por Jorge Avancini
(Com edição de Ricardo Mituti)

 

Estamos a algumas horas do início da Copa do Mundo da Rússia, e o que se percebe é um desinteresse ou desânimo de boa parte dos brasileiros em relação a este que ainda é considerado o maior evento esportivo do mundo.

Tradicionalmente – e ao longo de todas essas nove décadas desde a criação do torneio -, a Copa sempre encheu os corações dos brasileiros de alegria e esperança. Neste ano, entretanto, isso parece ter arrefecido sobremaneira.

Mas, afinal, o que estaria acontecendo? Seria ainda reflexo da fatídica e histórica goleada sofrida para a Alemanha, em pleno Mineirão, na Copa de 2014 – aquele inesquecível e doloroso 7 a 1? Ou seria culpa da crise econômica que assola o país há alguns bons anos, com mais de 12 milhões de pessoas desempregadas ou vivendo de subemprego?

Seria, talvez, uma espécie de falta de confiança em relação à equipe que irá nos representar na gélida Rússia? Ou, quem sabe, esse desdém não seria resultado da profunda e interminável crise ética e moral que afunda a política brasileira?

Bem, se escândalo for um motivo plausível, então aqueles que atingiram o futebol recentemente, com denúncias de corrupção na FIFA, Conmebol, CBF, Federações e até mesmo em clubes também poderiam ser uma causa possível dessa falta de ânimo em relação ao Mundial russo.

Quer mais alguns possíveis porquês? Então lá vão mais dois: seria culpa do pífio conteúdo entregue pelos clubes brasileiros neste primeiro semestre pré-Copa, que desanima até o mais apaixonado dos torcedores? Ou seria algum tipo de inveja do conteúdo de primeiríssima qualidade que nos chega pela TV e por streaming, advindo do Velho Mundo, com os impecáveis campeonatos europeus? E isso, claro, para não falar da Champions League, que, num paralelo com a indústria automotiva, poderia ser considerada a Ferrari das competições interclubes.

Sinceramente, não tenho uma resposta. Todos os questionamentos levantados nesta coluna – que marca minha estreia no MKT Esportivo – e alguns outros que porventura eu possa ter esquecido têm colocado o torcedor brasileiro numa aparente situação de letargia em relação a esta Copa que se avizinha. Este é o fato. Vejo como uma espécie de recado das massas, do tipo “vamos ver para crer”. E que fique claro que esta não é uma impressão pessoal; trata-se de algo visível nas ruas.

Neste ano, quase não notamos empolgação e envolvimento, como em outras Copas. Fossem outros os tempos – menos cinzas e mais verde-amarelos -, a essa altura inúmeros logradouros de todo o País já estariam com o asfalto pintado, decorados com bandeirinhas; as pessoas, desfilando com a camisa da seleção; e os ambulantes, com suas barracas e pontos de vendas lotados de produtos do escrete canarinho – como dizia o saudoso e ufanista Nelson Rodrigues.

Neste ano, a própria indústria está mais tímida com suas campanhas publicitárias. O que vemos na mídia parece ser menos do que a média histórica de ações – e, na maioria das vezes, limita-se às empresas que estão ligadas, direta ou indiretamente, à própria Seleção. Muitas, inclusive, optaram por personificar suas estratégias em Neymar, Gabriel Jesus, Tite e até no Rei Pelé.

Tudo isso somado, infelizmente, leva-nos a um círculo vicioso, no qual a economia não roda, os investimentos somem, geram-se menos empregos, a arrecadação de impostos cai – assim como a audiência das partidas -, os bares e restaurantes faturam menos, as famílias desistem de se reunir para assistir aos jogos, e por aí vai. Uma pena, sobretudo por se tratar de um evento que só acontece a cada quatro anos.

A nós, agora, resta torcer e esperar a bola a rolar. Quem sabe, acreditar um pouco mais na sexta estrela – tão aguardada desde 2006.

Se pelo menos esse sonho se concretizasse, a alegria dos brasileiros talvez voltasse a dar as caras, nem que fosse somente por alguns dias ou semanas.

Espantaríamos, com isso, a velha “síndrome de vira-lata”, também imortalizada por Nelson Rodrigues e que parece ter voltado a colar na gente com toda força, nos últimos tempos, dentro e fora dos gramados.

Que os Deuses do Futebol possam nos ajudar. Porque, para nós, brasileiros, esta Copa do Mundo parece já não ser somente mais uma competição esportiva; ela se transformou num caso explícito de recuperação de uma identidade perdida, em vários aspectos. Boa sorte, Brasil!

Comentários