Coluna

O anticlímax no patrocinador!

7 ago, 2019
Fabio Wolff

Sócio-diretor da Wolff Sports e professor no MBA de Gestão e Marketing Esportivo da Trevisan Escola de Negócios

Ver mais artigos deste autor

Acompanhava com entusiasmo o desempenho da tenista Bia Haddad em Wimbledon, afinal, ela havia vencido uma das cabeças de chave do torneio que já tinha sido número 1 do ranking e ex-campeã de Wimbledon – a espanhola Garbiñe Muguruza – e, com isso, alcançou a segunda rodada do consagrado Grand Slam.

Entretanto, pouco tempo depois, me surpreendi com a notícia de que a tenista brasileira havia sido pega no doping durante um evento realizado na Croácia, em junho.

Trabalho com patrocínios esportivos há 23 anos e sempre observei a quantidade limitada de opções que dispomos de atletas com grande potencial de patrocínio, o que ocorre por muitos motivos.

O despreparo educacional e de postura, sem dúvida, em muitos casos é um fato que restringe a decisão de uma empresa em escolher o atleta X ou Y como o embaixador de sua marca.

Diferentemente do que ocorre nos Estados Unidos, em que o atleta precisa passar pela universidade para depois alcançar as ligas profissionais, ou seja, na maioria das vezes ele está preparado para se posicionar adequadamente ao anseio do mercado corporativo, por aqui, na maioria esmagadora das vezes, isso não ocorre.

Não é raro vermos um atleta brasileiro sem postura ao falar com a imprensa, cometendo muitos erros gramaticais, entre outras coisas, o que repele patrocinadores.

A empresa, quando opta por patrocinar um esportista, busca se associar ao atleta por meio da vibração, da alegria, do desempenho e do que o mesmo representa as pessoas.

Quando um atleta se envolve com o doping, o efeito é extremamente o contrário, ou seja, afasta as empresas que procuram rapidamente se desassociar desse determinado atleta.

Apesar deste melhor preparo profissional que o atleta possui nos Estados Unidos, isso não impede que casos de doping também ocorram por lá. O maior medalhista olímpico de todos os tempos, Michael Phelps, teve o seu contrato com a empresa de alimentos Kellogg’s rompido imediatamente após uma foto dele fumando maconha ter sido divulgada.

Apesar dessa mancha no currículo, tempos depois, Phelps fechou vários outros contratos, inclusive com uma empresa do segmento alimentício, a Subway. Poucos atletas possuem força de marca, de imagem, como Michael Phelps.

O nosso ex-Pelé do MMA, Anderson Silva, apesar de todo o sucesso esportivo e de marketing, não teve o mesmo fim. Flagrado em exame anti-doping, foi literalmente riscado das opções das empresas.

Apesar de Bia Haddad se encontrar em processo de defesa para a suspensão da pena provisoriamente imposta pela Associação dos Tenistas Profissionais, temo pela imagem da tenista brasileira, pois ela encontra-se em início de carreira e está, na minha opinião, desprovida, ainda, de uma força de marca capaz de superar um episódio como esse, caso seja condenada.

Perde a atleta, perde o mercado e perde o esporte.