Tecnologia

Com aplicativos e 5G, arenas se aproximam de nova era tecnológica

Implementação da tecnologia e parcerias já firmadas buscam levar a experiência de jogo a um novo patamar

30 set, 2019

O MKTEsportivo tem detalhado as iniciativas de grandes clubes e ligas da Europa para potencializar a experiência de matchday dentro de suas casas. Isso tem passado, principalmente, em olhar com atenção para as tecnologias que se apresentam no mercado, como o 5G. Com uma cobertura mais ampla e que atenda um número elevado de pessoas e dispositivos, os aplicativos voltam a ganhar força no futebol.

Durante a conferência Stadiums of the Future e Next Gen Fan Experiences, o CEO do Olympic Broadcasting Services, Yiannis Exarchos, destacou que o “5G será um grande facilitador para as novas experiências digitais, como AR e VR”.

Para o chefe de tecnologia da informação e comunicação da UEFA, Daniel Marion, o caminho é se aproximar cada vez mais do modelo das arenas americanas e saber envolver o torcedor que assiste ao vivo e, também, o que está sentado no sofá.

No futebol europeu, algumas novidades neste sentido já foram anunciadas. O FC Barcelona terá a Telefónica como parceira para instalar câmeras 360° sem cabos dentro do Camp Nou. Desta maneira, os torcedores poderão usar óculos de realidade virtual para assistir à partida ao vivo em 360°, tendo diferentes ângulos de visão, como atrás do gol e do banco de reservas.

Na Bundesliga, a Liga Alemã de Futebol se aliou à Vodafone para levar o 5G nos estádios na Bundesliga O contrato, que já foi ativado no duelo entre Wolfsburg e Hoffenheim, resultou no lançamento de um aplicativo de realidade aumentada (AR) em tempo real que promete acelerar o fluxo digital de informações das partidas do campeonato sem se preocupar com problemas de conectividade.

Alguns convidados escolhidos pela entidade testaram o protótipo que apresentou dados da partida visualmente, como gráficos ao vivo, estatísticas e análises, que até então estavam disponíveis apenas após as partidas na TV. Entre as novidades do novo aplicativo, o fã poderá olhar para um atacante que está correndo em direção ao gol da equipe rival e descobrir, no próprio celular, o quão rápido ele está. O Manchester United também pode fechar com a empresa. Como impacto do seu uso, um conhecimento mais aprofundado de quem é o seu torcedor (/cliente).

“A coleta de dados dos usuários, tanto no estádio quanto fora dele, é o principal ativo que as marcas e clubes buscam explorar para melhorar conversão e retenção de clientes. Tudo é feito em prol do aumento da receita e para potencializar a entrega para patrocinadores indo além de exposição de camisa. Quanto mais pontos de contato do clube com o seu torcedor, mais ele enriquecerá sua base e o 5G ampliará o número de dados que os times terão sobre seus torcedores”, destacou Thiago De Rose, sócio da Revenue, consultoria especializada em desenvolvimento de projetos de estádios, em entrevista ao MKTEsportivo.

Já no campo do entretenimento, com a Intel, o Manchester City focará em fornecer os highlights. Por meio da tecnologia True View, que a empresa já explora na NBA e LaLiga, os fãs podem assistir a momentos importantes de uma partida de qualquer ângulo utilizando os seus celulares.

Por ela, é possível selecionar um jogador e girar a perspectiva em 360 graus para obter uma visão completa do campo, e vê-lo do ponto de vista do próprio atleta. Para tornar isso possível, a Intel instalou uma série de câmeras de definição 5k no Etihad Stadium, além de servidores que podem processar até 1 terabyte de dados para cada 30 segundos.

Na opinião do profissional, esta tecnologia que “entra” no campo não servirá somente para o entretenimento do torcedor, mas contribuirá também no trabalho dos departamentos de análise de desempenho dos clubes.

“Além de melhores gráficos e melhores ângulos de câmera, esta tecnologia ajudará as próprias equipes na preparação dos seus departamentos de scout e análise de dados, pois eles terão mais capacidade de analisar todos os tipos de dados posicionais dos atletas. Já passamos do tempo de assistir vídeo de jogo e fazer análise baseada apenas em observação. Os maiores clubes do mundo já utilizam dados posicionais para refinar suas análises, tanto do adversário e de jogo, quanto para identificar atletas com perfil da equipe e novos prospectos”, completou Thiago.

Como se vê, o 5G trará novas alternativas de consumir e cobrir partidas, além do mapeamento de atletas. Pelo lado dos produtores de conteúdo, a possibilidade de poder contar histórias in loco. Para os detentores de direitos de transmissão, o desafio de utilizar a criatividade para fazer com que o espectador se sinta inserido na atmosfera do evento mesmo distante. Para clubes e ligas, à parte da experiência, a busca por parcerias que consigam levar a tecnologia aos torcedores e, principalmente, gerar um novo fluxo de receita.