Coluna

Corinthians, BMG e o entrave do cliente com o seu dinheiro

Parceria ainda não emplacou entre os torcedores e meta de 200 mil correntistas segue distante de ser batida

16 set, 2019
Eduardo Esteves

Diretor Executivo do MKTEsportivo

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Quando Corinthians anunciou o BMG como seu novo patrocinador máster fez questão de deixar claro que não se trataria apenas de exposição na camisa, mas também de divisão dos lucros do banco digital. À época, o presidente do Timão, Andrés Sanchez, fez uma promessa: se 200 mil contas fossem abertas no “Meu Corinthians BMG” ele faria uma surpresa ao torcedor. Para muitos, a meta soou exagerado, mas foi tratada como possível pelo clube e pela empresa.

“É um projeto absolutamente inédito, revolucionário, e que vai depender, para o seu sucesso, da adesão da ‘fiel’ a esse produto novo que está sendo criado. Isso significa que nós teremos um contrato de parceria”, ressaltou Luis Rosenberg, então diretor de marketing da equipe.




De imediato, foi feita uma campanha para popularizar o perfil do BMG no Twitter para bater o rival Palmeiras com a Crefisa. Depois disso, um vídeo publicitário foi veiculado nas TVs e outras mídias, além de uma série de promoções para atrair clientes. Entramos no sexto mês do acordo (iniciou em março) e os números não são nada animadores.

Primeiro, o Meu Timão, portal especializado no dia a dia do clube, divulgou que foram abertas 16 mil contas na plataforma criada a partir do patrocínio. Já no domingo (15), o jornalista Lauro Jardim escreveu em sua coluna que foram 15 mil. No fim, pegando uma média, acredito que nem 10% da meta será possível atingir até o final deste ano. Sendo um dos clubes mais populares do país, torna-se algo ainda mais preocupante.

Dirigentes alvinegros dizem que a baixa adesão é por conta da demora no lançamento do programa. A parceria foi anunciada em março, mas as contas só começaram a ser abertas em maio. Ou seja, o tempo passou e o Timão perdeu uma oportunidade de alavancar o número de correntistas.

Abrir conta em bancos como Nubank, Original, Inter é simples. Sem cobrar taxas do consumidor, eles têm conseguido atrair novos clientes. Mas como é o engajamento deles com a instituição?

Entendo que dinheiro próprio é um bem precioso demais para arriscar. Abrir a conta digital é o de menos. Colocar e movimentar a grana lá dentro é que é complicado. Resta saber se, no final de 2020, quando expira o atual acordo com o Corinthians, o BMG seguirá vendo o futebol como o meio mais rentável de atrair novos clientes, indo muito além da exposição que norteou sua primeira passagem pela modalidade.