Indústria

Rodada do Campeonato Brasileiro é marcada por aula de engajamento social

Setembro Amarelo, homofobia e trabalho infantil foram temas levantados pelos clubes durante o final de semana

16 set, 2019

A rodada que ficou marcada pelo fim do primeiro turno do Campeonato Brasileiro virou palco para três iniciativas de clubes envolvendo temas importantes da nossa sociedade.

No sábado (14), o Ceará aproveitou o Setembro Amarelo, campanha de prevenção ao suicídio que visa à conscientização da população sobre esse grave problema, para fazer um alerta. No seu uniforme, os números dos jogadores trouxeram dados da Organização Mundial da Sáude (OMS) sobre índices e taxas de suicídio. Além disso, as numerações deixaram de ser brancas e deram lugar à cor amarela.

No Horto, o goleiro Cleiton, do Atlético-MG, jogou com o número 188 na camisa, em referência ao telefone do CVV, Centro de Valorização da Vida.

Já no Flamengo e Santos, que definiu o título simbólico do primeiro turno do Brasileirão 2019, o destaque ficou para a campanha “Na Direção da Vida – Depressão sem Tabu“, que também faz parte do movimento mundial Setembro Amarelo. A ação colocou um girassol na mão de cada uma das 66 crianças que acompanharam os jogadores dos dois clubes no protocolo que antecedeu a partida. A flor amarela é o símbolo da causa.

No mesmo dia, o Esporte Clube Bahia publicou um vídeo-manifesto contra a homofobia dentro e fora dos estádios. Batizada de #LevanteBandeira, ele falou sobre como o futebol é importante para ajudar a lutar contra a homofobia. “O Bahia veste três cores, mas está ao lado de todas as outras. Respeitamos as regras, mas ignoramos as linhas, os limites… É preciso dar um passo à frente, evoluir e conviver em sinergia“, destacou o clube. Como reforço ao manifesto, no domingo (15), por ocasião do embate contra o Fortaleza, o clube instalou bandeiras na cor do arco-íris nas bandeirinhas de escanteio da Arena Fonte Nova, em Salvador.

No caso do Bahia, o time tem se destacado por largar na frente dos demais ao se engajar em causas sociais, como incentivos à presença feminina nos estádios, a demarcação de terras indígenas, contra o racismo, a intolerância religiosa, desmatamento e diversas outras campanhas que visam representar ao máximo o torcedor do Esquadrão. Tudo fruto da criação de um núcleo de ações afirmativas, incumbido de abraçar causas sociais além dos gramados.

Por fim, contra o Corinthians, o Fluminense aproveitou a transmissão na Tv aberta para promover no espaço mais nobre de sua camisa a frase “Todos Juntos Contra o Trabalho Infantil“, fruto de uma ação que defende a erradicação da exploração de crianças e adolescentes. A iniciativa, proposta pelo Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região, do Rio de Janeiro, conta com o apoio do Ministério Público do Trabalho no Rio de Janeiro (MPT-RJ) e do Fórum Nacional de Prevenção e Erradicação do Trabalho Infantil (Fnpeti).

Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) de 2016, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), cerca de 2.5 milhões de crianças e adolescentes, na faixa etária de 5 a 17 anos, estão em situação de trabalho no Brasil. O Tricolor promete ainda realizar atividades em seus centros de treinamento para as categorias de base alinhadas ao combate ao trabalho infantil.