Coluna

Quando mais é menos…

Fabio Wolff expõe sua opinião sobre o futuro modelo que a Copa do Mundo adotará com a presença de 48 nações

21 jun, 2018
Fábio Wolff
Sócio-diretor da Wolff Sports e professor no MBA de Gestão e Marketing Esportivo da Trevisan Escola de Negócios
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Aos 40 anos de idade, não preciso assistir a coletânea de DVD’s que tenho em casa com os melhores momentos da Copa do Mundo para me recordar de muitas partidas inesquecíveis, momentos mágicos que os Mundiais a partir de 1986 me proporcionaram.

A Copa sempre foi para mim o evento mais esperado. Quatro anos que pareciam uma eternidade, muita expectativa e ansiedade. Não tenho ideia de quantas vezes coloquei o despertador em horários bem estranhos para não perder nada, nenhum lance, nenhum gol.

A edição de 1994 foi a última a ser disputada por 24 seleções, número que para mim sempre foi o ideal. Após essa edição nunca mais consegui assistir a todas as partidas em função da baixa qualidade técnica de algumas, pois não precisa ser gênio para prever que, com 32 equipes desde a Copa da França, isso iria começar a acontecer.

A Copa do Mundo com 24 seleções fazia das Eliminatórias capítulos de uma novela com muito suspense e forte dose de emoção. Quem esquece, por exemplo, as classificações épicas da seleção brasileira para as Copas de 1990, na Itália, e 1994, nos Estados Unidos, ambas com o Maracanã lotado contra o Chile e o Uruguai, respectivamente? Sim, o formato de disputa era diferente, mas o número menor de vagas fazia de cada jogo uma verdadeira batalha.

Quanto mais desejado e exclusivo for o produto, maior o valor que o consumidor percebe do mesmo. Essa frase expressa o meu sentimento sobre a Copa do Mundo com 48 equipes a partir de 2026. Se a qualidade dos jogos a partir de 1998 caiu, imaginem com 48 equipes!? E o que falar das Eliminatórias? Serão jogos quase amistosos?

Sim, entendo que o interesse comercial fez do futebol uma grande indústria e que muitos países não tiveram, e talvez agora terão, uma oportunidade de disputar o maior evento desse esporte no mundo, mas vale colocar em risco, em médio e longo prazos, o maior evento esportivo do mundo?