Indústria

Estudo | Discriminação de gênero impacta 40% das mulheres na indústria do esporte

Dados serão utilizados em iniciativas em prol da igualdade no ambiente de trabalho em organizações esportivas

21 jun, 2018

Aproximadamente 40% das mulheres que trabalham na indústria do esporte dizem que sofrem discriminação por conta do sexo. Este triste cenário é parte do estudo intitulado ‘Beyond 30% – Workplace Culture in Sport‘ desenvolvido pela iniciativa de caridade esportiva feminina Women in Sport.

Ao todo, entre os meses de setembro de 2017 e março de 2018, foram ouvidos cerca de 1.152 pessoas entre homens e mulheres que trabalham no setor esportivo. Em uma segunda etapa, foram feitas entrevistas em profundidade com 42 participantes.

Das entrevistadas, cerca de 38% das mulheres que trabalham na indústria disseram ter experimentado discriminação por conta do gênero, em comparação com 21% dos homens. Por outro lado, 72% do público masculino ouvido afirma não ter presenciado casos de desigualdade.

Ainda como parte do estudo, 30% das mulheres disseram ter experimentado comportamentos inadequados de homens e destacaram problemas como a disparidade salarial entre os sexos. Isso reflete, segundo elas, na sensação de subvalorização dentro da empresa, em falta de oportunidades para progredirem em cargos maiores e a presença de uma cultura que privilegia homens mais experientes.




“A Women in Sport está comprometida em garantir que o esporte se desenvolva e se beneficie da igualdade. Nosso mandato é fazer perguntas difíceis e aprofundar o desconhecido para apoiar as mulheres que trabalham no esporte, bem como aqueles que o praticam. Ao lançar uma luz sobre a discriminação de gênero no local de trabalho esportivo, estamos conscientizando sobre problemas específicos para que possamos trabalhar em conjunto com o setor para criar uma mudança positiva”, disse Ruth Holdaway, CEO da Women in Sport.

Como um passo adiante, o estudo reverterá em iniciativas em prol da igualdade no ambiente de trabalho em players do esporte.”Nós lideramos esta pesquisa para fornecer ao setor esportivo uma compreensão profunda das questões que afetam as mulheres no ambiente de trabalho. Agora, queremos trabalhar com organizações esportivas para construir uma cultura do local de trabalho mais inclusiva, onde mulheres e homens possam atingir seu potencial máximo”, completou Holdaway.

A luta pela igualdade de gênero e a denúncia de assédios ganha cada vez mais força no Brasil. Por aqui, o recente movimento “Deixa Ela Trabalhar” ganhou as redes sociais trazendo para discussão os episódios de assédio vividos por mulheres no jornalismo esportivo. A ideia surgiu com Bruna Dealtry, do “Esporte Interativo“, após ela ter sido beijada à força por um torcedor durante uma transmissão ao vivo.