Indústria

Especial | Bancos viram tábua de salvação dos clubes brasileiros

Em um país em crise econômica, a saída, também no futebol, parece ser correr as instituições financeiras

21 mar, 2019

Como destacamos hoje cedo, o Flamengo está próximo de anunciar a BS2, ex-Banco Bonsucesso, como sua nova patrocinadora máster em um modelo que colocará na conta da torcida o sucesso financeiro. Trata-se de mais uma instituição financeira figurando no espaço mais nobre de um clube brasileiro.




Vale lembrar que, nestes três primeiros meses do ano, o BMG anunciou patrocínios ao Corinthians, Atlético-MG e Vasco. O banco parece ter voltado a ser o “salvador da pátria” aos times sem patrocínio após a saída da Caixa do futebol. O movimento é similar ao do fim da década de 2000 e começo da de 2010, quando o banco passou a investir em vários clubes. À época, chegou a a ter dez equipes patrocinados no Brasileirão de 2011 e outra dez em escalões inferiores. Em 2019, o modelo de negócio praticado em todos os patrocinados se baseia na criação de um banco com marca do clube e a divisão do lucro da nova ferramenta.

Também este ano, o Cruzeiro acertou com o Banco Renner. Soma-se ainda os contratos do São Paulo com o Banco Inter, Palmeiras com a Crefisa e da dupla GreNal com o Banrisul. Sobre a parceria do Tricolor Paulista, vale um adendo. Hoje, o Banco Inter registra mais de 1.4 milhão de correntistas. Do total, menos de 10% estão associados diretamente ao São Paulo, com acesso pela conta por meio do aplicativo para os torcedores e cartão personalizado. A companhia aposta forte no crescimento dos bancos digitais nos próximos anos, o que impactará positivamente o seu acordo no futebol.

Sobre as parcerias firmadas este ano, todos bateram na tecla da força da torcida para gerar mais dinheiro para o clube, mas deixaram de lado questões fundamentais como potencial de consumo, se os torcedores estão dispostos a trocar de banco, como gerar novos negócios partindo de consumidores desconhecidos e etc. No fim, há muita exaltação e disputa sobre tamanhos de torcidas, mas um amplo desconhecimento sobre quem poderá ser, de fato, o seu cliente.

Já passou da hora de levar quesitos como ‘tamanho de torcida’ ou ‘popularidade de uma modalidade’ como métrica mais “eficiente” para determinar o valor de determinada propriedade. Trata-se de uma medição genérica. Algumas empresas já entenderam que, independente de grandezas, todo e qualquer investimento deve ter sentido comercial, objetivo definido e, claro, retorno.

Em 2019, prepare-se para o Brasileirão dos bancos e ativações desenfreadas para fazer com que os investimentos façam sentido. Caso contrário, poderemos passar por um novo afluxo de marcas dos uniformes.