Futebol

Quarteto da Bundesliga doa € 20 milhões para clubes frágeis financeiramente

Bayern de Munique, Borussia Dortmund, RB Leipzig e Bayer Leverkusen encabeçam a iniciativa

26 mar, 2020

Depois de uma iniciativa vinda da Alemanha em que jogadores que atuam na Bundesliga concordaram em diminuir em 20% os salários para beneficiar outras pessoas em meio ao surto de coronavírus, o futebol do país registrou mais uma atitude positiva vinda dos clubes.

De acordo com o Bild, Bayern de Munique, Borussia Dortmund, RB Leipzig e Bayer Leverkusen renunciaram a um total de € 12.5 milhões em cotas televisas que tinham direito e acrescentaram mais € 7.5 milhões do próprio bolso para doar aos clubes que possuem dificuldades financeiras no país. Trata-se de um “pacote de solidariedade” que visa beneficiar times das divisões inferiores.

Agora, a DFL (Liga Alemã de Futebol) analisará a situação de cada instituição para definir qual será contemplada com parte do montante. O valor repassado pelos clubes faz parte de um fundo de reserva da entidade para desenvolver o futebol do país. Hoje, a entidade conta com € 45 milhões a partir do atual contrato de TV para ser utilizado em possíveis projetos estratégicos, como por exemplo, seu próprio canal de TV.

Se o dinheiro não for utilizado internamente, ele será distribuído a todos os clubes de acordo com distribuição imposta na temporada 2020/21. Em uma reunião realizada por videoconferência, ficou decidido também que o processo de vendas de direitos de mídia para o próximo ciclo, de 2021/2022 a 2024/2025, que começaria em maio, terá início apenas em junho. A DFL quer elevar os valores que recebe com mídia doméstica, atualmente em € 1,16 bilhão anuais, da Sky Deutschland (Tv) e do DAZN (streaming).

“Esta campanha enfatiza a solidariedade. A DFL é grata aos quatro participantes da Champions League pela solidariedade perante todos os clubes”, declarou Christian Seifert, porta-voz da DFL.

“Em conjunto com os outros três outros participantes da Champions League desta temporada, enviamos um sinal de solidariedade para todos os clubes da Bundesliga e da Bundesliga 2.  Em momentos como este, é importante que os ombros mais fortes apoiem os mais fracos. Com isso, desejamos mostrar que o futebol se mantém de pé”, destacou Karl Heinz Rummenigge, CEO do Bayern de Munique.

“Acompanho a Bundesliga desde criança e estou perplexo como é séria a dificuldade que enfrentamos neste momento. Comecei minha carreira jogando na segunda divisão e tive ótimos momentos lá. Aprendi a valorizar a importância tanto dela quanto da Bundesliga e por isso digo que precisamos nos unir para que elas sejam protegidas. Todos nós aqui temos a responsabilidade de trabalhar para que a Bundesliga se mantenha como era antes. E isso não é apenas por interesse próprio mas também por toda a importância desta indústria como geradora de empregos e de renda na Alemanha. O futebol é um tema que une as pessoas e é muito valioso em tempos difíceis como o que vivemos. Ele gera suporte social”, disse Rudi Völler, diretor esportivo do Bayer Leverkusen.

“A Bundesliga é uma das principais ligas de futebol do planeta e seus 36 clubes necessitam se unir nesses momentos de crise. Em tempos como este que enfrentamos, todos temos responsabilidades. Por um lado, precisamos garantir que não iremos demitir ninguém, além, é claro, de garantir a estabilidade financeira dos clubes. Ao mesmo tempo, precisamos assegurar a sobrevivência da Bundesliga enquanto coletivo. Vamos cumprir as responsabilidades sociais que temos perante nossas cidades e nossas regiões. Precisamos mantê-las apoiadas e é isso o que faremos”, finalizou Oliver Mintzlaff, CEO do Red Bull Leipzig.

Vale lembrar que a Liga Alemã de Futebol anunciou a ampliação da suspensão das duas divisões do país. A paralisação, inicialmente prevista até o dia 3 de abril, foi prorrogada pelo menos até 30 de abril, mas a intenção ainda é terminar a temporada até 30 de junho, como previsto desde o primeiro adiamento.

“O objetivo da DFL é focar em enfrentar os desafios atuais primeiro. Queremos manter a previsão apenas se for legalmente permitido e seguro fazê-lo. A DFL está atualmente trabalhando intensamente em ideias para jogar partidas sem espectadores no estádio e com uma força de trabalho mínima nas áreas esportiva, de organização geral e de mídia. Apenas funcionários cujas funções são imprescindíveis estariam presentes nos locais de jogos”, afirmou a entidade.