Coluna

A Covid-19 e uma agência de Marketing Esportivo

28 abr, 2020
Fábio Wolff

Sócio-diretor da Wolff Sports e professor no MBA de Gestão e Marketing Esportivo da Trevisan Escola de Negócios

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No dia 20 de fevereiro passado escrevi uma coluna para o Mkt Esportivo com o título “2020 será o ano do marketing esportivo no Brasil?”, lamentando a pequena pausa que o mercado teria para a então retomada pós carnaval. E me referia também ao “poderoso vírus” que já causava grande estrago na Ásia e na Europa, desejando que ele não atrapalhasse muito a nossa indústria do esporte.

Dois meses se passaram e as nossas rotinas mudaram total e bruscamente.

No sábado passado retornei a São Paulo para um bate e volta, já que me encontro no interior do estado, e ao entrar na agência senti saudades. Saudades do movimento, da voz dos colaboradores, das nossas reuniões, da agitação do dia a dia. Preparei o café, sentei na minha cadeira e fiquei observando e sentindo o vazio que aquele momento me proporcionava.

As primeiras semanas de março na Wolff Sports foram de mudanças, sem cumprimentos físicos e o álcool em gel passou a ser item obrigatório.

No dia que me deparei sobre uma possível quarentena em São Paulo, tomei a decisão de fechar o escritório e implementar o home office. E tive a determinação no sentido de que todas as medidas de contenção de despesas seriam implementadas, mas que elas jamais afetassem a folha de pagamentos.

As semanas seguintes foram de pura gestão de crise. Recebi muitas ligações e e-mails de clientes e parceiros com dúvidas, consultas, bem como comunicados.

As primeiras semanas foram de estresse, afinal, diariamente o meu foco é de sempre produzir novas parcerias, novos negócios, bem como a gestão dos contratos vigentes.

Ter de gerenciar crise, naquele primeiro momento, me deu a pseudo-sensação de estagnação.

Muitos problemas ocorreram nesse ínterim para gerirmos, porém, ter por perto o auxílio da nossa advogada e estrategista foi fundamental para chegarmos a modelos personalizados para lidar com cada situação.

Atualmente, a maioria dos casos encontram-se solucionados e outros, sob gestão, na expectativa pelo retorno dos eventos.

Hoje percebo que estava enganado em relação ao meu sentimento de estagnação, pois o que ocorreu foi justamente o contrário. Tem sido um tempo precioso para ler, aprender, observar, refletir e utilizar o bom senso nas decisões junto a parceiros e clientes.

Ao olhar para trás percebo que os problemas corriqueiros, aqueles do dia a dia, da gestão da agência, se tornaram pequenos demais perto dos ensinamentos que obtive nesse período.

Infelizmente, as vidas perdidas, as pessoas que adoeceram, trouxeram tristeza e insegurança, mas, ao mesmo tempo, a certeza de que navegar em águas revoltas gera grandes e valiosos aprendizados.