Coluna

Engajamento de sócios durante a pandemia? Sim, é possível

20 maio, 2020
Jorge Avancini

Especialista em Marketing Esportivo e Diretor da Jorge Avancini Marketing & Serviços

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Após dois meses de distanciamento social provocado pela pandemia da Covid-19, a segunda quinzena de maio marca a reabertura parcial – e parcimoniosa – de algumas atividades econômicas pelo mundo. O esporte é uma delas.

Se no Brasil tal possibilidade é ainda bastante incerta e controversa, haja vista especialistas e autoridades sanitárias acreditarem que nosso pior momento sequer chegou, na Alemanha o campeonato foi reiniciado no último dia 14 – com direito à cobertura maciça da mídia mundial, mas portões fechados à torcida.

Quem também retomou os jogos de futebol foi a Coreia do Sul, e já há indícios de que Espanha, Inglaterra e Itália poderão seguir por esse mesmo caminho nas próximas semanas.

Toda essa movimentação internacional aumenta a pressão sobre os órgãos competentes do Brasil para que liberemos nossas atividades esportivas por aqui também – apesar do mencionado receio de muita gente (inclusive deste autor, que, como já registrado em artigos anteriores neste MKT Esportivo, acha temeroso precipitar o retorno motivado apenas pelo que ocorre em países que possuem outras estruturas e vivenciaram/vivenciam a pandemia cada qual à sua maneira, de acordo com sua realidade).

Na última semana, em entrevista ao blog do jornalista Mauro Cezar Pereira no portal UOL, o competente José Colagrossi, diretor do IBOPE/Repucom, fez uma leitura sobre os impactos dessa indefinição para o futebol brasileiro.

Na opinião do executivo, patrocinadores estariam abandonado os clubes em função da inatividade do período. Ainda segundo ele, os próprios clubes pouco – ou nada – têm ativado seus patrocínios ou mesmo tem procurado engajar seus associados e torcedores usando a força de suas redes sociais e o poderio que possuem enquanto geradores de conteúdo.

Pela ótima relação que mantenho com Colagrossi, que tem todo o meu respeito também por seu vasto conhecimento mercadológico, vou me permitir discordar dele publicamente no artigo desta quinzena neste MKTEsportivo.

Todos sabemos que os clubes brasileiros têm muitas dificuldades, recursos escassos e, em geral, pequenas estruturas de Marketing. Mas é inegável que o pessoal tem se esforçado para ser criativo e inovador na busca por mais engajamento com seus “clientes” durante a pandemia.

Nos últimos dias, por exemplo, o Coritiba executou uma ação muito bacana, que oportunizou aos sócios do clube proprietários de pequenos e médios empreendimentos a possibilidade de divulgarem seus negócios nas mídias sociais do Coxa. Os objetivos eram institucionalizar apoio e ampliar a rede de consumidores em potencial na busca por geração de receitas para essas pessoas. Pelo ineditismo, criatividade e capacidade de pensar fora da caixa, para mim, um lindo gol do Alviverde paranaense.

Duas outras ações que merecem ser destacadas são do Botafogo de Ribeirão Preto (SP) e do Corinthians. Ambos os clubes pretendem instalar painéis com fotos de torcedores em seus estádios, em produto pago inspirado na bem-sucedida iniciativa do alemão Borussia Mönchengladbach.

Já o Ceará, que foi um dos primeiros clubes do Brasil a se mobilizar para ajudar seus sócios e evitar o esvaziamento das receitas durante a paralisação, também apresentou uma ótima ideia: a diretoria do Vozão sorteou vagas virtuais entre associados adimplentes para participação em treinos on-line do time.

Outra iniciativa muito legal também saiu do Nordeste: o sempre criativo pessoal do Bahia pediu a alguns de seus jogadores que telefonassem para sócios que se recuperam da Covid-19. A felicidade pelo contato do ídolo pode até não acelerar o processo de recuperação física, mas, indiscutivelmente, faz bem para o ânimo do(a) apaixonado(a) por futebol. Golaço do Tricolor da Boa Terra.

Evidentemente, boas ideias, para serem efetivas e assertivas, precisam gerar retorno financeiro e impactar o maior número de pessoas. E, retomando o raciocínio do amigo José Colagrossi, do IBOPE/Repucom, não basta um número grande de torcedores; é preciso entregar resultado aos patrocinadores, parceiros e apoiadores do clube.

Nesse sentido, aproveitar essas ótimas sacadas para ativar patrocínio é fundamental. Sobretudo num momento em que a entrega está fortemente prejudicada pela inatividade.

Penso que os homens de Marketing dos clubes – e refiro-me a todas as agremiações, e não apenas às citadas nos parágrafos acima – têm plena noção disso. E, se já não atentaram para o fato e identificaram tais oportunidades, certamente o farão a partir de agora, conscientes desses benchmarks, enquanto ainda reina a incerteza em torno da volta do futebol no Brasil.

Apesar da adversidade – ou justamente em função dela – agora é a hora de abusar da criatividade.

#FIQUEMECASA