Indústria

Federação Francesa de Tênis quer Roland Garros com portões fechados

Inicialmente marcado para maio e junho, torneio foi adiado para setembro em razão da pandemia

11 maio, 2020

Após anunciar o adiamento para 20 de setembro, Roland Garros sinaliza que poderá ser disputada com portões fechados. Quem garante é Bernard Guidicelli, presidente da Federação Francesa de Tênis (ITF) e chefe do Grand Slam. Até aqui, o torneio já havia anunciado que os fãs que tinham comprado ingressos antecipados teriam à disposição um sistema de cancelamento e devolução dos valores.

“Nós não descartamos nenhuma opção. Roland Garros é antes de tudo formado por histórias de partidas e jogadores. Há o torneio acontecendo no estádio, mas há também o torneio sendo visto na TV. Milhões de telespectadores ao redor do mundo estão esperando. A organização a portas fechadas permitiria que parte do modelo de negócios (neste caso, os direitos de televisão) fosse adiante. Isso não pode ser desprezado”, afirmou Guidicelli em entrevista ao Journal du Dimanche.

O executivo afirmou também que tem mantido conversas com Andrea Gaudenzi, presidente da ATP, Steve Simon, chefe da WTA, e David Haggerty, da ITF, para a organização de Roland Garros. Importante lembrar que Guidicelli definiu a nova data do torneio de forma unilateral, sem antes ter conversado com as outras organizações.

“Roland Garros é a força que movimenta o tênis na França, o que alimenta os jogadores do nosso ecossistema (260 milhões de euros em receita, ou 80% do faturamento da Federação Francesa de Tênis. Pensamos neles primeiro, protegendo-os. Fizemos uma escolha corajosa e hoje ninguém se arrepende. Um torneio sem data é como um barco sem leme e não saberíamos para onde estamos indo. Nos posicionamos o mais longe possível do calendário, para não prejudicar grandes eventos, para que nenhum Masters 1000 ou qualquer Grand Slam fosse afetado”, completou.

Se confirmado, a reformada Philippe Chatrier, a quadra central do complexo do torneio, será inaugurado sem público. A transformação do local, que inclui a instalação do aguardado teto retrátil, era tido como carro-chefe de Roland Garros para sua edição 2020.