Coluna

Um papo sobre marketing esportivo com Flávio Deleo (FutMesa Brasil)

4 jun, 2020
Guilherme Baldacini
CMO do Appito
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Se você gosta e acompanha futebol, dificilmente ainda não ouviu falar do FutMesa, hoje uma marca e uma modalidade bastante conhecidas por aqui. E o bate-papo de hoje foi com o Flávio Deleo, criador do FutMesa Brasil e um dos grandes responsáveis pelo sucesso do esporte. Para quem ama esporte, inovação e empreendedorismo, como é o meu caso, tenho certeza que gostará bastante de conhecer um pouco mais sobre esse case incrível. Confira abaixo a conversa.

Conta um pouco da sua trajetória até a criação do FutMesa?

Sempre gostei muito de esporte, por isso cursei Educação Física na faculdade e sempre joguei tênis, sendo justamente no tênis minha primeira experiência profissional dentro do meio. Depois disso, parti para o ramo do empreendedorismo quando em 2008 abri minha primeira loja do Corinthians. De lá pra cá já abri outras seis lojas sendo uma delas do Palmeiras, e também já tive uma loja de bicicleta. Minha vida sempre foi muito relacionada à esporte e empreendedorismo e foi neste contexto que cheguei no FutMesa. Tudo começou em 2016, quando foi a primeira vez que vi alguém praticando algo que poderia vir a ser o FutMesa que comecei a imaginar, uma vez que o esporte ainda não existia.

E de onde surgiu a ideia do FutMesa, em querer transformar essa prática em um esporte e um negócio?

É engraçado porque essa primeira pessoa que vi jogando foi o Neymar, que hoje inclusive tem uma mesa nossa. Vi ele brincando em um vídeo com o pai dele em um comercial institucional da Nike e achei muito legal. Quando vi pela primeira vez eu apenas queria uma mesa para eu jogar, ainda nem pensava em criar um negócio. Fui para Espanha, onde o Neymar estava na época, para conhecer um pouco mais do produto e das pessoas que estavam envolvidas por lá. Basicamente era uma empresa que terceirizava a produção numa fábrica de móveis de rua em Portugal, que também chegamos a conhecer.

Queria de todo jeito essa mesa aqui no Brasil, demorei quase um ano para conseguir importar duas delas. Nesse meio do caminho, a Globo ficou sabendo que estava vindo pra cá e assim que chegamos já fizemos de cara uma reportagem para o Esporte Espetacular, onde enviamos uma mesa para o Corinthians e a outra para a minha casa, é claro. No período que estávamos para receber as mesas no Brasil, fiquei tão ansioso e empolgado que conversei com o Juliano, meu sócio, sobre a possibilidade de tornar essa ideia um negócio. E foi aí que surgiu a empresa FutMesa.

Então em um primeiro momento vocês trabalharam com uma marca de fora, importando as mesas, mas depois vocês passaram a produzir por aqui e criaram a própria marca. Como se deu esse processo?

No início existíamos como uma outra marca, sendo os representantes aqui no Brasil. Tentamos trazer outras mesas com a evolução das vendas, mas como o foco do negócio deles não era esse, não existia um desejo em transformar isso em uma marca forte e um esporte, além de descobrimos que eles não teriam a capacidade de suprir nossas necessidades. Assim que isso aconteceu, já criamos a marca FutMesa Brasil, e já nesse início as coisas começaram a fluir. Além da reportagem na Globo, tínhamos um contato próximo ao Edu Gaspar, que na época estava na seleção brasileira, e nos aproximou do Neymar e do Thiago Silva. Logo de cara, nossas primeiras mesas estavam no Corinthians, seleção brasileira, Neymar e Thiago Silva. Estas personalidades jogando e falando do esporte e da marca, permitiu que crescêssemos de um jeito que não esperávamos.

Hoje o nome da marca se confunde com o nome do esporte em si, sendo sinônimo de categoria. Como você vê isso?

Esse é inclusive nosso slogan: nossa marca é nosso esporte. Ao mesmo tempo que muitas pessoas conhecem o FutMesa, muitas pessoas ainda não sabem que somos uma marca. Mas isso tem muito a ver com o fato de termos sido pioneiros.

Vocês também criaram uma entidade que organizará campeonatos e as regras do esporte. Como isso funciona?

Criamos uma liga em 2018, com a ideia de organizarmos campeonatos regionais, nacionais, nos Estados Unidos, Portugal e ter até uma liga internacional de FutMesa. Para começar tudo isso estamos criando departamentos de FutMesa dentro dos clubes. O Corinthians, por exemplo, já tem seu departamento e já organiza campeonatos internos. Mas a ideia da criação da Liga é que qualquer um pode criar seu time, ligado a um clube ou empresa, e se filiar.

E quem são estes atletas que começam a se filiar aos clubes e empresas que fazem parte da Liga? São atletas amadores ou jogadores profissionais que migram de outras modalidades como futebol e futevôlei?

Temos de tudo. Desde jogadores profissionais de futebol, futevôlei, tênis, surfe, amadores…Como é um esporte novo, já vi craques do futebol mundial perdendo para atletas amadores porque é uma questão de treino. Por isso não temos um perfil claro de atleta de FutMesa, é um esporte bem abrangente nesse sentido.

Qual foi o ponto-chave na trajetória do FutMesa que você sentiu que as coisas começaram a ganhar grande proporção?

Considero que foi a matéria do Esporte Espetacular da Globo. Deu uma visibilidade muito grande e foi um divisor de águas justamente porque mostrou os atletas dos clubes jogando, além de abrir as portas para alcançarmos grande jogadores.

Em termos de receita, hoje ela se dá apenas a partir das vendas das mesas? Se sim, quem é o público principal, B2B ou B2C?

Hoje 40% dos nossos clientes são empresas (colégios, condomínios, clubes, academias), 40% consumidores finais e 20% jogadores profissionais. Como fonte de receita, além das vendas também contamos com locação para eventos.

Vocês possuem uma relação muito próxima com alguns jogadores e influenciadores. Como foi construída essa relação?

Eu já trabalhava com esporte e conhecia bastante o Corinthians, frequentando muito o CT. No futebol o boca a boca entre os jogadores é absurdo, tanto que quase todos os jogadores que chegam até a gente chegam por meio de indicação. Dentro da seleção, o Edu Gaspar foi super importante ao abrir as portas para termos acesso a alguns jogadores. E principalmente no começo, quando tínhamos uma demanda menor, tínhamos um contato bastante pessoal, entregando as mesas pessoalmente. Isso permitia aprofundar as relações e também que eles vissem que realmente se trata de um projeto sério. Hoje muitos deles compram nosso sonho de transformar o FutMesa em um esporte olímpico.

Muitos destes atletas jogam fora do país. Conta um pouquinho da estratégia de internacionalização da marca?

Os Estados Unidos surgiu de forma orgânica quando começamos a receber muitos pedidos de lá e, com a crescente demanda, enviar um volume pequeno de mesas encarece muito o frete. Com isso resolvemos abrir o FutMesa USA e como ativação estivemos presentes na Flórida Cup, que nos deu uma grande exposição. Fora dos Estados Unidos temos também temos uma boa demanda nos países onde o futebol é forte como a Espanha, Inglaterra, etc. A ideia é termos mesas em todos países da Europa, principalmente porque com o frio e neve cresce muito a demanda por esportes indoor.

Vi que recentemente começaram a crescer a família de produtos. Qual é o principal objetivo disso?

Hoje temos à venda quatro modelos de mesa, desde a profissional até um modelo de entrada que pode caber em uma sacada de apartamento ou mesmo dentro de uma sala. Já temos outros modelos desenvolvidos, inclusive um dobrável e um fixo para espaços públicos, e não pretendemos parar de lançar novos produtos. Em resumo, nossa ideia é atingir todos os tipos de públicos, visando vários usos. Além disso, já temos uma coleção pronta de acessórios, calçados e até bola em desenvolvimento, que vamos lançar em breve.


Como sempre, destaco alguns pontos que achei importantes na conversa:

> Dentro do universo do empreendedorismo, estar atento aos acontecimentos do mundo com um olhar empreendedor, pode definir a criação de um ótimo negócio. No caso do Flávio, a ideia do FutMesa surgiu a partir da exploração de conteúdos sobre futebol na internet, criando a partir daquilo um feeling um negócio que vem se mostrando grande sucesso;

> Em termos de naming, acho muito legal estes casos onde o nome da sua marca se torna sinônimo de categoria. Isso permite que eles possam se posicionar como marca oficial, gera alta credibilidade, além de forçar todo o mercado (inclusive os novos competidores) a usarem o nome da marca deles para conseguirem se posicionar;

> Como negócio dentro do meio do esporte, é fundamental ter uma boa relação com referências como jogadores, mídia e influenciadores. Por se tratar de um universo bastante fechado, uma vez que consegue entrar e criar relacionamentos, é natural que haja um boca a boca positivo e você consiga se desenvolver dentro daquele meio. O FutMesa, a partir dessa estratégia, nunca precisou investir dinheiro em mídia para se tornar uma marca bastante conhecida;

> Diversidade de fontes de receita também se mostra cada vez mais importante para todo negócio. Além de permitir alcançar novos públicos, também permite que seu negócio seja menos dependente de apenas uma fonte de receita. O FutMesa ampliar seu portfólio para novos produtos, visando novos públicos e criar materiais esportivos específicos para a prática se mostra uma estratégia bem assertiva na minha visão.

Caso queiram conferir outras conversas que tive com outras pessoas do mercado esportivo, é só acessar aqui.

Eu sou o Guilherme Baldacini, CMO do Appito, e caso queira bater um papo a respeito sobre marketing esportivo, é só me chamar em qualquer um dos contatos abaixo.

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