Coluna

Networking no marketing esportivo: explore essa ferramenta

30 set, 2020
Fábio Wolff
Sócio-diretor da Wolff Sports e professor no MBA de Gestão e Marketing Esportivo da Trevisan Escola de Negócios
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O networking ou marketing de relacionamento se constitui em ferramenta poderosa quando bem utilizada. Seguem dicas de como criar, gerenciar e otimizar resultados por intermédio da rede de contatos na indústria do esporte, estabelecendo um paralelo com a minha trajetória no marketing esportivo.

 

1 – A Tecnologia facilitou a vida de quem quer trabalhar no meio esportivo.

A) Grupos de WhatsApp: um início interessante para quem busca se relacionar com profissionais do meio;
B) Linkedin: possibilita adicionar pessoas com perfis que interessam e, eventualmente, entrar em contato com elas, interagir, enviar currículo, além de estar atualizado com os acontecimentos, cursos, palestras, lives;
C) Participar de lives: permite o aprendizado dos temas da indústria, a interação com profissionais do meio, anotando e-mails para apresentação posterior e envio de currículo ou credenciais da empresa. Essa geração possui ferramentas infinitamente melhores que as da minha geração, pois as notícias e informações eram escassas. A internet dava os primeiros passos ainda.

2 – Disciplina, foco e garra são fundamentais para se formar uma rede de contatos no segmento da indústria do esporte. Apesar do enorme potencial que tal indústria possui no Brasil, ela ainda se mostra subdesenvolvida, na qual as ofertas de trabalho são restritas. No entanto, diversas possibilidades de empreender demonstram-se possíveis.

Para quem se inicia neste mercado, o ideal é que se possua, primeiramente, algumas experiências em setores da indústria antes do início de uma carreira de empreendedor. Trata-se de um segmento deveras peculiar, com características próprias, de modo que contar com uma bagagem internacional conta pontos, ao mesmo tempo em que é preciso conhecer bem o mercado interno, as empresas, instituições, o modus operandi da indústria.

Além disso, disciplina, foco e garra são características fundamentais para o desenvolvimento da rede de contatos. Se hoje tenho bons relacionamentos profissionais, isso se deve ao fato de que, ao longo de 24 anos, procurei conhecer as pessoas, fazer contatos e me desenvolver nesta peculiar indústria. A minha primeira oportunidade surgiu por meio de um conhecido do meu pai, que era sócio de uma rede de academias de ginástica, na época a Fórmula Academia, hoje pertencente ao Grupo Body Tech.

3 – Não subestime as oportunidades: para quem quer atuar no segmento o meu conselho maior é esquecer “a oportunidade dos sonhos” e agarrar com unhas e dentes a primeira que surgir. Não pense que estagiar em uma academia de ginastica brilhava os meus olhos, mas trabalhei com afinco e, por dois anos, praticamente não enxerguei o Sol durante a semana, pois entrava na academia localizada no subsolo do Shopping Eldorado às 6 horas da manhã para treinar, aí trabalhava e seguia para a faculdade de administração ao final do dia.

4 – Comunicação: as pessoas não têm a obrigação de saber o que você deseja e pensa, portanto, se comunicar é imprescindível. Do meio para o final do meu curso de administração, quando finalmente vislumbrei a oportunidade de trabalhar no mercado esportivo, procurei conversar com meus colegas de sala e contar que deseja me desenvolver nesse mercado. E não é que através do meu networking na sala de aula surgiu, por meio de uma colega, uma oportunidade! Ela me indicou para um funcionário de comunicação do São Paulo Futebol Clube, Eduardo Prada, que naquele momento da carreira estava deixando o clube e abrindo a sua agência de marketing esportivo, para criar e gerenciar torneios de futebol amador.

5 – Atue de graça, se for preciso: ao ingressar na carreira, se você tiver retaguarda financeira e uma oportunidade surgir, não pense duas vezes para ganhar experiência. Após dois anos de estágio na academia, recebi o convite para trabalhar na Prada Sports & Marketing. O primeiro desafio foi organizar um torneio de futebol amador em Vinhedo. Foram dias de muito suor e dedicação, até que Eduardo me confidenciou que havia recebido o convite para trabalhar no Mundial de Clubes da FIFA, que seria realizado no Brasil, e que por estar impossibilitado de aceitar o convite, gostaria de indicar o meu nome. Caramba! Sério? Que oportunidade!

6 – Trabalho dos sonhos: ele existe e chegou para mim com este Mundial. Apesar de ter sido realizado há 20 anos, essa, sem dúvida, foi uma das melhores experiências da minha vida profissional. Trabalhei mais de 16 horas por dia, o tempo voava e eu nem sentia. O fato de ser contratado e estar vivendo aquela experiência como produtor do centro de imprensa de São Paulo do Mundial, lidando com membros da FIFA e do COL, foi incrível. Acabei o evento com uma pilha de cartões de profissionais do mundo todo e com um dinheiro que não tinha visto na vida.

7 – Estude: escolhi a administração de empresas sem muita convicção, como a maioria dos jovens de 18 anos de idade. O curso focava mais o negócio da indústria do que a prestação de serviços em si. Foi maçante. Prestes a me formar, eu tinha colocado na cabeça que não gostaria de estudar por vários e longos anos. Logo que me formei, surgiu a oportunidade de fazer uma pós-graduação em administração esportiva na FGV e não pensei duas vezes. O curso foi bacana, mas melhor ainda foi a oportunidade de fazer muitos contatos, inclusive com personalidades como o Sócrates, a ex-jogadora de basquete Karina, além de vários outros colegas da sala.

8 – Busque o aperfeiçoamento: para quem não pretendia estudar por alguns anos, em meados de 2001, já formado na FGV, eu estava de malas prontas para o MBA Indústria do Futebol na conceituada Universidade de Liverpool. Um professor da FGV não parava de falar desse curso, então, solteiro e jovem, não pensei duas vezes em buscar o aperfeiçoamento no país do melhor futebol profissional.

9 – Replaneje, se necessário: o MBA foi um período de muitos aprendizados pessoais e profissionais, além, claro, de novos cartões no bolso. O foco era fazer muito bem o mestrado, mas quando percebi que teria a oportunidade de trocar cartões com excelentes profissionais do mercado após as respectivas palestras na universidade, não perdi a oportunidade. E foi assim que consegui um estágio em uma agência de marketing esportivo em Londres, na qual uni o útil ao agradável, ou seja, ganhei experiência e desenvolvi o meu TCC: um trabalho de consultoria para o G-14 e que consistia em um canal de televisão com o melhor do conteúdo dos clubes da Europa.

Media Content (2002)

 

10 – Não desanime: O tempo foi exato. Ao terminar a minha consultoria, a Media Content, agência onde eu trabalhava, foi acometida por problemas financeiros, como outras do segmento, por exemplo à ISL (International Sport and Leisure), a agência de marketing esportivo da FIFA. Ambas acabaram quebrando. Com o final do mestrado e sem deixar o desânimo me abater por mais do que alguns dias, resolvi voltar ao Brasil a fim de continuar a minha história no marketing esportivo.

Em 15 dias, nessa coluna, darei sequência à minha história no marketing esportivo propiciando novas dicas de networking e sobre como se desenvolver nesse mercado.

Espero que tenham apreciado esse primeiro relato! Um forte abraço.