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‘Diversidade e inclusão na comunicação esportiva’, com André Mendes (Máindi)

9 nov, 2020

Pautas como inclusão e diversidade não são uma tendência, mas uma necessidade. Enquanto geradores de conteúdo, consumidores, marcas, equipes esportivas e seres humanos, é fundamental fazer com que o debate esteja constantemente em pauta. Tanto na sociedade, quanto na comunicação, as pessoas querem se sentir representadas, e num mundo no qual a diversidade, seja ela qual for, ainda é reprimida por muitos, logo, a representatividade é de extrema importância.

Quando alinha-se os valores corporativos com a preocupação dos clientes, as companhias esperam criar um senso de lealdade e, principalmente, um senso de conexão pessoal. Para tal, no entanto, o movimento deve começar de dentro pra fora. Então como trabalhar para que cada vez mais clubes, confederações e empresas adotem ações práticas? Como ir além de notas no site, faixas em campo e publicações nas redes sociais, e engajar todo o ecossistema em pautas sociais?

O MKTEsportivoCast desta semana recebeu André Mendes, head de PR e Diversidade da Máindi, agência especializada em influence PR. Com números preocupantes sobre a presença de negros e mulheres em cargos gerenciais das gigantes do esporte, André falou como a diversidade e inclusão não devem ser impulsionadas a partir da demandas dos funcionários, mas por ações dos executivos que lideram essas organizações.

“É preciso tomar medidas para que a comunicação feita externamente seja refletida internamente, afinal, em algum momento você será questionado. Como abordar inclusão, colocar pessoas tão diversas na comunicação, e dentro não tem ninguém que a representa? Se não pensar no fator interno, naturalmente o externo será falho. Como falar com a comunidade negra, se dentro da organização não existe um negro ou negra para dar opinião? E não apenas estar dentro, mas em cargos de direção e liderança”, ressaltou o profissional.

No papo, André também abordou o forte posicionamento adotado por LeBron James e Lewis Hamilton depois da morte de George Floyd, nos Estados Unidos, asfixiado pelo joelho de um policial branco. Ambos iniciaram uma forte campanha contra a injustiça racial e chegaram até mesmo cobrar atitudes da NBA e F1, respectivamente. O triste acontecimento gerou até mesmo uma importante “união” de Nike e Adidas, históricas concorrentes.

“Lewis Hamilton e LeBron James estão em um nível altíssimo, não somente de entrega no esporte, mas de comprometimento com causas e movimentos que eles fazem parte. O posicionamento de ambos dá força para que outras pessoas se posicionem. No Brasil, por exemplo, a Marta se tornou uma potência quando foi questionar salários. O mesmo com o atacante Marinho, quando abordou o racismo ocorrido com ele vindo de um comentarista de uma rádio. Não é só esporte, um jogo, o dentro das quatro linhas”, completou.

O episódio ainda traz os detalhes da campanha de Outubro Rosa desenvolvida pela Umbro – que André participou diretamente; como o Bahia se tornou uma referência popular no futebol brasileiro, além das mudanças necessárias para que a modalidade mais popular do planeta deixe de ser tão atrasada em pautas tão necessárias.

“É preciso criar mecanismos para mudar as estruturas. Como presidente de um clube, eu preciso me incomodar de não ter na minha diretoria nenhuma mulher, não ter um negro, ou não ter ninguém livre para se declarar LGBTQI+. Pra mim, seria uma questão ética e moral”, finalizou.

Ouça o episódio abaixo ou no Spotify: