Indústria

Campanha #LetHerRun pede fim da discriminação contra atletas femininas

O movimento visa pressionar a World Athletics diante da desigualdade de tratamento de gênero

11 nov, 2020

Um grupo de mulheres atletas está impossibilitado de competir em provas oficiais por registrarem taxas naturais de testosterona acima do padrão. Visto por alguns especialistas como um sinal de intolerância, preconceito e baixa empatia, a normativa já encerrou prematuramente a carreira de dezenas de esportistas e hoje ameaça a trajetória de várias corredoras, inclusive as três medalhistas dos 800m nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, em 2016: Francine Niyonsaba, do Burundi, Margaret Wambui, do Quênia, e a bicampeã olímpica Caster Semenya, da África do Sul.

Por outro lado, atletas masculinos não são banidos de competições por seus diferentes níveis naturais de testosterona.

Pensando nisso, a agência Africa idealizou, com apoio do SporTV, o movimento #LetHerRun, que nasce da injustiça enfrentada por essas atletas e é impulsionado por uma coalizão de ex-atletas, cientistas desportivos e acadêmicos, entre eles a ex-jogadora de vôlei Jackie Silva que, junto a sua dupla Sandra Pires, foi a primeira mulher brasileira medalhista de ouro em Jogos Olímpicos e Kátia Rubio, professora da Escola de Educação Física e Esporte da Universidade de São Paulo (USP).

O movimento visa pressionar a World Athletics diante da desigualdade de tratamento de gênero e reivindica a revisão da decisão sobre o banimento dessas atletas.

“O caso da Caster merece a nossa atenção porque determina o destino de dezenas de outras atletas que terão suas carreiras extintas prematuramente apenas por terem nascido fora dos padrões impostos por tecnocratas de uma agência regulamentadora. Por que a produção de hormônios naturais não invalidou nenhuma carreira masculina até hoje? Alguém já parou para comparar os níveis de testosterona do Usain Bolt com os do Justin Gatlin, por exemplo?”, indaga Jackie Silva, embaixadora do movimento.

“A história do esporte olímpico é marcada por grandes lances de superação que inspiram o avanço humano. Porém, o caso da Caster é uma traição desta história. É um retrocesso que apequena o sonho olímpico de solidariedade e inclusão. Espero que esse erro não precise ser revisto daqui há algumas décadas como as injustiças cometidas contra outros atletas do passado.”, completou Kátia Rubio.

A iniciativa conta também com apoio de especialistas como Dr. Travers, docente de Sociologia na Simon Fraser University, em British Columbia (Canadá), e especialista em esporte e injustiça social, com ênfase na inclusão e exclusão de mulheres e LGBTQIA+.

O vídeo mostra o sofrimento de uma atleta para comprovar ser mulher. A campanha lembra que os homens não passam pelo mesmo tipo de exames e pede o fim do tratamento abusivo.