Indústria

Com escândalos na carreira, Mike Tyson colecionou patrocínios perdidos

O ano de 1988 ficou marcado por diversas rescisões de contratos por conta de polêmicas envolvendo o ex-pugilista

28 nov, 2020

Nas décadas de 80 e 90, Mike Tyson era provavelmente o pugilista mais assustador e perigoso do mundo. Se dentro dos ringues ele derrubava os seus oponentes, fora das cordas o seu jeito temperamental e inconstante o fez colecionar polêmicas e escândalos. Como em 1988.

Então com 21 anos de idade, ‘Iron Mike’ estava voando alto após dezenas de vitórias, a maioria delas por nocaute. Mesmo bem jovem, ele já era o campeão mundial dos pesos pesados ​​indiscutível. O seu invejável cartel acabou atraindo o interesse de diversas marcas, que desejam atrelar suas imagens ao astro do boxe, modalidade que movimentava milhões de dólares e arrastava multidões.

Naquele ano, Tyson era rosto de empresas como Pepsi, Toyota, USA Today, Nintendo, Kodak, Suntory Beer, entre outras. Segundo o L.A. Times, a marca de refrigerantes fechou um contrato inicial válido por 3 meses, que seria renovado por um ano caso as coisas ocorressem bem com o boxeador. No entanto, em 1988, Tyson foi acusado de agressão por sua ex-esposa, Robin Givens. Em um programa de televisão, ela alegou que Tyson era maníaco depressivo. Estes problemas afetaram a carreira do pugilista, que só subiu aos ringues duas vezes no ano seguinte. No mesmo período, o lutador ainda se envolveu em uma briga de rua com o boxeador Mitch Green, no Harlem, e quebrou a mão ao golpear o desafeto.

Fora tudo isso, o ex-lutador ainda se envolveu em acidentes automobilísticos. Após um acidente de carro, ele tentou subornar os policiais oferecendo o seu Bentley avaliado em US$ 165 mil. Por fim, Robin Givens entrou na justiça pedindo divórcio.

Naturalmente, todo este contexto não soava positivamente para as suas patrocinadores. Como resultado, quase todos os acordos foram rescindidos neste período. Especula-se que a Pepsi, cada vez mais entusiasmada com seu garoto-propaganda, estava pronta para fechar um aporte de US$ 10 milhões, mas as seguidas polêmicas fizeram a companhia desistir. Segundo o Chicago Tribune, apenas a Nintendo, da qual ele ganhou US$ 750 mil naquele ano, manteve a relação.

A publicação estima que Mike Tyson perdeu US$ 2 milhões em patrocínios entre 1988 e 89, ou US $ 12 milhões se seu potencial negócio com a Pepsi fosse incluído. Durante sua carreira profissional, entre patrocínios e premiações de lutas, Tyson embolsou US$ 300 milhões. Em 2003, ele chegou a entrar com um pedido de falência.

Como se sabe, os endossos podem render aos lutadores populares muito dinheiro ao longo de suas carreiras. Floyd Mayweather é certamente a maior prova disso, tendo embolsado quase US$ 1 bilhão de 2011 a 2020 (dado Forbes).

Vale lembrar que Mike Tyson se tornou o mais jovem campeão mundial dos pesos pesados em 1986, quando derrotou Trevor Berbick com apenas 20 anos de idade. Foi campeão até 1990, antes de ser condenado a prisão por estupro em 1992. Voltou em 1995 e retomou o título em 1996. No mesmo ano perdeu para Evander Holyfield e tentou recuperar o cinturão em 2002, diante de Lennox Lewis, mas voltou a ser derrotado.

Na noite deste sábado (28), Tyson volta aos ringues após 15 anos de sua aposentadoria. Em 2005, ele foi nocauteado pelo inexpressivo Kevin McBride, no sexto round, colocando fim a uma das trajetórias mais espetaculares de um pugilista profissional.

De acordo com o jornalista norte-americano Kevin Iole, Mike Tyson deve ganhar mais que o triplo de seu adversário pela luta: US$ 10 milhões, enquanto Roy Jones Jr. deve faturar cerca de US$ 3 milhões. Tyson já havia afirmado que doaria a premiação para pessoas necessitadas. O pugilista postou vários vídeos durante o isolamento treinando em preparação para o combate. Em seu cartel, tem 50 vitórias (44 por nocaute) e seis derrotas. Já Roy Jones tem 66 vitórias (47 por nocaute) e nove derrotas.