Coluna

2020: o pior ano de nossas vidas

1 dez, 2020
Jorge Avancini
Especialista em Marketing Esportivo e Diretor da Jorge Avancini Marketing & Serviços
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(Com edição de Ricardo Mituti)

 

Não há como escrever meu último artigo do ano para este MKT Esportivo sem que o próprio ano seja o protagonista destas linhas.

No final de 2019, acreditávamos que esta seria uma ótima temporada para o esporte, de consideráveis ganhos econômicos, oportunidades de negócios e manutenção de bons projetos já em andamento. Seria, ainda, um ano de Jogos Olímpicos, de uma temporada de Fórmula 1 que prometia muitas emoções, de Libertadores e Sul-Americana repletas de equipes brasileiras, e da promessa de ótimas edições de Brasileirão e Copa do Brasil, protagonizadas por um crescente número de técnicos estrangeiros e exibidas por novas plataformas digitais, que se consolidariam como as preferidas da torcida.

Pois bem, não tardou para que as mais otimistas perspectivas naufragassem. Se não completa, pelo menos parcialmente.

O primeiro trimestre de 2020 sequer tinha chegado ao fim quando a pandemia do novo coronavírus fez o ano entrar para os livros de história e transformou nossas vidas.

No âmbito do esporte global, todas as competições foram suspensas. No futebol, clubes e equipes passaram a viver momentos de incerteza com a perda de importantes receitas. Depois, houve pressão para a retomada das atividades, mesmo com os índices de contaminação ainda altos, as UTIs dos hospitais sobrecarregadas e o número de mortes em ascensão. Até que, finalmente, pouco a pouco os torneios foram reiniciados e a vida parecia querer voltar ao normal – ou, como alguns preferem dizer, adentrar num “novo normal”.

Fomos obrigados a nos adaptar. E, penso, até que isso não foi de todo ruim, já que estabelecemos novas formas de comunicação e conseguimos encontrar saídas para, mesmo remotamente, buscar receitas e meios de geração de recursos (evidentemente, não podemos deixar de lembrar, com tristeza, daquelas pessoas que não tiveram tais oportunidades e sucumbiram à crise econômica – ou mesmo ao vírus).

As agremiações esportivas precisaram rever às pressas – e pressionadas – suas estratégias e planejamentos. Foi preciso esbanjar criatividade para manter sócios adimplentes, criar novas formas de fidelização, estimular engajamento e relacionamento com a torcida e entregar aos patrocinadores algum tipo de contrapartida que justificasse o investimento e compensasse o período sem jogos e exposição.

A MP 984 nasceu aos tropeços e chegou a figurar como a melhor a saída para os cofres dos clubes de futebol num momento de gradativa retomada das atividades. Mas tudo não passou de (mais uma) expectativa frustrada, com ganhos pontuais para alguns poucos e quase nada significativo para a maioria.

Já o reinício das competições aconteceu com estádios vazios – como seguem até o presente momento, registre-se. Em alguns casos, para tentar criar um clima pré-pandêmico, houve quem ocupasse suas arenas com totens e bonecos com os rostos de torcedores(as) e apelasse para o sistema audiovisual, veiculando hinos, gritos de gol e/ou o tradicional canto das organizadas. Medidas estranhas, mas bem-intencionadas e inegavelmente criativas.

É verdade que também celebramos neste ano alguns feitos relevantes, como o heptacampeonato de

Lewis Hamilton na F1, a belíssima temporada de LeBron James na 17ª conquista do Los Angeles Lakers na NBA, o 13º troféu de Roland Garros pelo tenista espanhol Rafael Nadal e os 80 anos do Rei Pelé. Ainda assim, julgo que 2020 ficará marcado mais pelas perdas do que pelos ganhos. Em todos os sentidos.

Não bastasse a crise na saúde, impossível será não recordar, com profundo pesar, ao menos duas mortes ocorridas nos extremos deste tão conturbado ano: em janeiro, a do genial Kobe Bryant, num trágico acidente de helicóptero; e, no último dia 25, a de Diego Armando Maradona, em episódio de comoção mundial inclusive para quem pouco vive o futebol.

Com tudo isso, não nego carregar, no íntimo, a sensação de ter sido este o pior ano das nossas vidas. Mas prefiro crer que dezembro nos trará notícias mais leves.

Que, apesar das dificuldades, saibamos aproveitar as lições de superação, criatividade e capacidade de adaptação e enfrentamento de dificuldades e limitações que 2020 nos deixará como legado.

Aproveitemos, também, a tradicional pausa de fim de ano para recobrar o fôlego e renovar as esperanças.

Agradeço por sua atenção e audiência ao longo de todos esses meses. E espero, sinceramente, que possa continuar tendo em ti um(a) fiel leitor(a) e colaborador(a) no ano vindouro.

Que 2021 possa nos reservar um ótimo recomeço de vida.

 

Boas festas e até a volta!