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Griezmann deixa Huawei após denúncia de reconhecimento facial contra uigures

A empresa chinesa e o jogador francês iniciaram o acordo pouco antes da Copa do Mundo de 2018

4 jan, 2021

Antoine Griezmann utilizou seu perfil no Instagram para anunciar que não será mais embaixador global da Huawei. Segundo o atacante do FC Barcelona, há “fortes suspeitas” de que a gigante chinesa de tecnologia tenha contribuído para a repressão contra a minoria muçulmana uigure no país.




Existem fortes suspeitas de que a empresa estaria envolvida no desenvolvimento de um software de reconhecimento facial que, ao identificar pessoas da etnia uigur, minoria perseguida na China, ativaria uma espécie de alarme para a polícia chinesa.

“Após fortes suspeitas de que a Huawei teria contribuído para o desenvolvimento de um ‘alerta uigur’ graças a um software de reconhecimento facial, anuncio que estou encerrando imediatamente minha parceria com a empresa. Aproveito esta oportunidade para convidar a Huawei não apenas a negar estas acusações, mas a tomar medidas concretas o mais rápido possível para condenar esta repressão em massa e usar sua influência para contribuir para o respeito dos direitos dos homens e das mulheres dentro da empresa”, publicou o jogador.

Um documento público encontrado no site da própria empresa detalhava um projeto em parceria com a startup chinesa de reconhecimento facial Megvii para testar um sistema de câmeras com inteligência artificial. Por meio da tecnologia, seria possível identificar idade, sexo e etnia de um indivíduo em uma multidão. Ao detectar alguém da minoria uigur, o sistema supostamente ativaria um alarme para a polícia.

Os uigures, que têm uma população de 11 milhões de pessoas e são uma minoria étnica na China, são em sua maioria muçulmanos e, segundo relatos de anos, sofrem perseguição do governo chinês. Já as autoridades locais, por sua vez, negam as críticas e afirmam que tentam combater o terrorismo islâmico com as medidas efetivas.

O atacante francês e a Huawei fecharam um acordo de patrocínio pouco antes da Copa do Mundo de 2018, na Rússia, que foi vencida pela própria França.