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‘Modelos de gestão e os CEOs do futebol brasileiro’, Alexandre Rangel (EY)

18 jan, 2021

Dentro de um amplo escopo de funções, o(a) CEO participa e tem responsabilidade sobre todas as áreas de uma organização, sendo um avalista máximo dos resultados e com um olhar 100% estratégico para todos os cenários possíveis. No futebol brasileiro, o que se vê são vice-presidentes e presidentes atuando no cargo. Afinal, dentro do modelo de gestão dos nossos clubes, é possível uma cadeira de CEO?

Alexandre Rangel, sócio de Consultoria para o Setor de Esportes e Entretenimento da EY, abriu mais uma temporada do MKTEsportivoCast respondendo esta questão.

“É possível, desde que o interesse seja genuíno de aplicar um processo amplo de profissionalização do clube. Caso seja marketing ou o interesse seja criar uma imagem positiva em relação a torcida e stakeholders, rapidamente se consegue distinguir o que é ação de mídia, daquilo que tem substância e continuidade de gestão com viés profissional”, destacou Rangel, completando que o futebol brasileiro está em processo de evolução.

Outro ponto debatido no papo foi a possibilidade dos clubes absorverem profissionais do mercado corporativo e uma possível dificuldade de se adaptar ao ecossistema do esporte, com interferências, política e amadorismo. Rangel fez um paralelo com empresas de governança familiar, que também têm características da figura do dono, que impõe alguns desafios de mercado de trabalho.

A realidade da gestão associativa e de clube-empresa também foi abordado, a partir de dados do estudo “Modelo ‘Clube Empresa’ Reflexão e Panorama das Principais Ligas Europeias” da EY. No Brasil, apenas três equipes se encaixam no segundo modelo: Red Bull Bragantino, Cuiabá Esporte Clube e Botafogo-SP. Se existe a possibilidade investidores estrangeiros investirem em clubes de massa, Alexandre Rangel prega cautela.

“Hoje a realidade de investimento internacional no Brasil tem alguns entraves, principalmente de segurança jurídica e falta de lei específica que regula um clube-empresa. Temos exemplos, como do Red Bull com o Bragantino, que mostra que é possível, mas o investidor estrangeiro tem focado em clubes menores e fugido dos de massa. O foco está em times da Série B e C, com pouco endividamento e razoavelmente bem estruturados”, salientou o executivo.

A realidade do futebol espanhol com Real Madrid e Barcelona, cuja gestão segue o modelo associativo, mas atuam como verdadeiras empresas; o predomínio de investidores nas ligas francesa, inglesa e italiana; e executivos remunerados como sinônimo de “profissionalização”, também fizeram parte do episódio.