Indústria

Software criado na USP pode identificar novos talentos do esporte

19 jan, 2021

A tecnologia e os esportes estão cada vez mais próximos, com inúmeras inovações que permitem melhorar o desempenho de atletas e facilitar a vida de treinadores. A ciência brasileira já está trabalhando ativamente no desenvolvimento de novas soluções para o setor. Um exemplo é o software iSports, criado no Instituto de Ciências Matemáticas e da Computação da USP de São Carlos, em parceria com o Centro de Ciências Matemáticas Aplicadas à Indústria.

O projeto, coordenado pelo professor Francisco Louzada Neto, surgiu inicialmente com o intuito de elaborar estatísticas que permitissem a identificação de talentos no futebol. O funcionamento do programa é dividido em duas vertentes: testes técnicos e físicos que são aplicados aos atletas e convertidos em pontuações e monitoramento em tempo real do desempenho durante as partidas.

A partir das informações coletadas, o software usa métodos estatísticos multivariados, através de agrupamentos, para identificar as qualidades dos atletas. Quando estes dados são comparados com os de jogadores de sucesso, por exemplo, é possível identificar precocemente quais deles têm um grande futuro pela frente.

Atualmente, o projeto está em expansão. A Confederação Brasileira de Judô (CBJ) se interessou pela ideia e firmou uma parceria com os pesquisadores, que estão otimizando o software para as regras, técnicas e características da luta. A intenção é encontrar novos talentos brasileiros para o esporte, já que o iSports será usado nas categorias de base da seleção nacional.

O judô é o esporte individual mais vitorioso da história olímpica brasileira. Ao todo, foram 22 medalhas, sendo 4 de ouro. Com a chegada da nova tecnologia, a tendência é que estes números cresçam ainda mais, pois o investimento em futuros talentos será feito com uma grande embasamento estatístico.

Futuramente, os pesquisadores pretendem deixar o software ainda mais completo, com a incorporação de novas modalidades e a popularização da ferramenta.

Em sua coluna no portal MagoDaTecnologia, o especialista em eletrônicos Ricardo Fernandes ressaltou a democratização da aplicação de estatísticas no esporte: “Hoje em dia, até mesmo os esportistas casuais e amadores têm um grande interesse pelas estatísticas. A prova disso é o sucesso dos dispositivos vestíveis, que geram informações até sobre os exercícios mais simples, como uma caminhada. Analisar os dados do próprio desempenho gera uma motivação extra, já que proporciona chances de contabilizar e melhorar as atividades”.

A aplicação da estatística e da tecnologia no esporte também vem sendo utilizada de formas diferentes, com o intuito de monetizar ainda mais as competições – e não de revelar talentos. O maior exemplo disso é a NBA, que realiza transmissões ao vivo em que os dados em tempo real da partida são exibidos em destaque a todo momento, com o intuito de facilitar a análise para os apostadores.