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‘O valor da atenção em um esporte fragmentado’, Rapha Avellar (Adventures, Inc)

15 mar, 2021

Obter a atenção das pessoas em um mercado tão competitivo como o atual, acrescido da multiplicidade de meios virtuais disponíveis, é um desafio diário. O tempo é, por si só, um recurso escasso, e é cada vez mais disputado por mídias e marcas. Na indústria do esporte, não seria diferente.

Buscando extrair os melhores insights possíveis deste complexo cenário, o MKTEsportivoCast desta semana recebeu Rapha Avellar, CEO e um dos fundadores da Adventures Inc, grupo que chegou ao mercado em dezembro de 2020 para redefinir a fronteira entre criatividade e resultados. Considerado um dos brasileiros mais influentes do país nos campos de negócios, marketing e publicidade, Rapha iniciou o papo detalhando os três principais passos quando o assunto é atrair a atenção das pessoas.

“O meu papel como CEO é, primeiro, entender onde a atenção das pessoas está. Hoje parece mais com day trade do que com qualquer outra coisa. O segundo passo tem ligação com oferta e demanda. Você precisa entender onde a atenção está super valorizada e fugir disso. E também entender onde ela está barata e comprar ao máximo para melhorar o seu resultado. Por fim, deve-se respeitar a atenção das pessoas. O consumidor é que escolhe o que consumir. Ele que tem que escolher consumir o seu podcast, o seu vídeo. Você não tem mais o privilegio de empurrar a mensagem como era feito nos últimos 50 anos”, analisou Rapha.

Ainda um nicho pouco explorado no esporte brasileiro, as plataformas de voz são defendidas pelo profissional como ativos importantíssimos nesta era de atenção fragmentada. Não somente a febre atual do Clubhouse, ou mesmo podcasts, mas também de Alexa, Google Home e Siri. O que difere essas tecnologias das redes sociais do momento, por exemplo, não é o formato, mas a capacidade que possuem de prender a atenção do público e, consequentemente, dos consumidores. Para que isso faça sentido, na visão do Rapha, é necessário colocar o cliente no centro de todo ecossistema.

“A voz penetra em todos os momentos do consumidor em relação a marca. Os players poderão conseguir conectar a experiência dos consumidores no espectro inteiro, desde o reconhecimento da marca até o ponto de compra. Tudo utilizando áudio. Diferentemente dos EUA, o Brasil não terá uma massa de Alexa’s e Google Home’s. Isso irá acontecer no smartphone, principalmente por conta da base Android. Marcas, ligas e creators que prestarem atenção nisso sairão na frente”, detalhou o profissional, que, analisando o cenário esportivo, acredita que podcasts com a participação de atletas podem criar relacionamento e oferecer profundidade, além de trazer awareness para ligas e clubes.

Recentemente, a Adventures incorporou a Go4it, referência global em gestão de talentos que tem como clientes Lewis Hamilton, Gabriel Medina, Thiago Silva, da skatista Letícia Bufoni, além de projetos com o atacante Neymar Jr e o Gustavo Kuerten. Com a fusão, o grupo pretende lançar marcas próprias para as personalidades, tornando-as donas de grandes negócios. No Brasil, existe o recente movimento envolvendo a cantora Iza e a Olympikus. Para Rapha, o poder de mídia encontra-se, de fato, nestes criadores e formadores de opinião. Para extrair os melhores resultados, tudo passará por uma excelência de gestão.

“No momento que os assessoras em suas carreiras e os auxiliamos em suas estratégias de marca, pegamos esse novo canal de mídia e transformamos em uma propriedade. Assim, as marcas poderão entrar de maneira estratégica e colaborar com eles, além de abrir a possibilidade de construir empresas nas costas do poder e influência que possuem. O Brasil é um pais movido a celebridade, mas tem sua gestão amadora”, complementou Rapha.

Ouça o episódio completo no player abaixo ou no Spotify.