Coluna

Influenciadores? Não me venha com isso, quando eu cheguei aqui tudo era mato

27 abr, 2021
André Mendes
Head de PR e Diversidade da agência Máindi, consultor e palestrante
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Senta aqui, precisamos conversar sobre esse negócio de modernizar o nosso trabalho…tenho lá minhas dúvidas.

Veja bem, no passado era muito comum se fazer uma boa campanha contando apenas com compra de anúncio no rádio – então logo me adaptei. Em seguida chegou a televisão e com ela a necessidade de contratar um garoto-propaganda – com isso me adaptei. Não passou muito tempo e foram empurrando goela abaixo as celebridades – tive que me adaptar, pois era o jeito. Mas quando chegou a onda das tais blogueiras e blogueiros…aí foi demais! A gente começou a questionar, e mesmo assim tivemos que aceitar, mas foi o limite. Daquilo não passaria! Então com toda essa evolução começaram a querer vender aqui os tais “influenciadores digitais”, creators e sei lá mais o que, mas chega! Não dá mais!

Quando eu cheguei aqui tudo isso era mato, mas de repente tudo se transformou e eu não posso mais aceitar. 

Essa frase clichê que os mais velhos costumam relatar aos mais novos cabe também no universo da comunicação, ainda mais especificamente quando se trata do uso dos ditos “influenciadores digitais”.

Entenda: ser mais velho não é algo ruim, pelo contrário! Vejo que os cabelos brancos brotando só estão agregando ainda mais na minha vida. O problema, nesse caso, está justamente em manter uma mentalidade ultrapassada, enquanto o mercado da comunicação não para de evoluir – e não vai te esperar. 

Trouxe esse diálogo à tona e adoraria que fosse apenas uma representação distante da realidade, mas não é. Ainda hoje é muito comum encontrar pessoas que pararam no tempo e não querem aceitar a inserção de novas probabilidades, novas narrativas, novas formas de ver o mundo atual que vivemos.

Estamos em 2021 e segue sendo difícil convencer o “comando” de algumas instituições sobre o poder que o marketing de influência exerce. Simplesmente não levam a sério, nem compreendem o que possuem nas próprias mãos. Mas neste momento de pandemia tudo se tornou mais visível, sendo possível perceber nitidamente o quanto alguns evoluíram e outros pararam no tempo. No mundo em que as conexões presenciais estão impedidas de acontecer, a única forma que nos resta é o digital. E nessa corrida há os que já largaram na frente e os retardatários – querendo surfar na onda.

Uma comunicação que não considera o potencial dos influenciadores digitais precisa ser revista, ou melhor, precisa ser profissionalizada urgentemente. 

Quando eu cheguei tudo era mato também, mas eu não fiquei assistindo. Eu ajudei a construir os prédios para almejar olhar a cidade pelo topo da cobertura e estar, sempre, um passo à frente.