Coluna

Evento proprietário: sonho ou realidade?

19 maio, 2021
Fábio Wolff
Sócio-diretor da Wolff Sports e professor no MBA de Gestão e Marketing Esportivo da Trevisan Escola de Negócios
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Ser o detentor de eventos é o desejo de muitas agências do mercado de marketing esportivo. Outras preferem se envolver com a captação de patrocínios, gerenciamento etc.

Há três formas de se tornar proprietário de um evento:

1) Criar o evento
2) Adquirir os direitos de um evento
3) Adquirir o direito de explorar o evento por um determinado período

Não existe um formato ideal, cada empresa/agência tem seu core business e, consequentemente, estratégias muito bem definidas para adotar um modelo – ou mais modelos – a seguir.

Criação de evento

Diversas agências de marketing esportivo têm criado eventos, muitos deles relacionados, por exemplo, às corridas de rua. Recentemente, o fenômeno do beach tennis também começou a se destacar. O foco de tais agências é possuir um “produto” tradicional e reconhecido no mercado, o que exige know-how e maestria demonstrada ao longo de suas edições.

Nos meus 25 anos de marketing esportivo, tive a oportunidade de ver muitos eventos novos no mercado. Muitos foram realizados por uma ou duas edições e depois desapareceram. Aliás, notei ainda que várias das agências de marketing esportivo para as quais enviei meu CV, no início da minha carreira, hoje não existem mais ou encontram-se em dificuldades.

O fato de haver um número pequeno de players que efetivamente organizam esses eventos com a regularidade mínima para torná-los verdadeiramente renomados me faz crer que o segmento possui enorme potencial.

Sinto que várias empresas têm dificuldade para encontrar um cardápio vasto para patrocinar. Se antes da pandemia os eventos esportivos já eram raros, agora, então… Talvez porque poucas agências conseguiram se reinventar a ponto de fazer seus projetos sobreviverem nas condições impostas pelos dias atuais. Hoje considero até que há um número reduzido de organizadores. Por isso enxergo nesse segmento uma oportunidade significativa.

É impensável, por exemplo, que São Paulo, como a maior cidade da América Latina, não possua um torneio de tênis pelo menos ao nível de um ATP 250!!!

Aquisição dos direitos de um evento

Às vezes, é preferível comprar um evento consagrado do que desenvolver ele do zero. Nesse caso, é possível cortar caminho quando se avalia bem o ativo e ele é adquirido com estratégia e planejamento.

Adquirir o direito de explorar o evento por um determinado período

Adquirir o direito de explorar um evento renomado e desejado pelos patrocinadores se constitui em algo excelente.

A agência que faz isso deve ter know-how comprovado e estratégia muito bem definida para auxiliar no desenvolvimento do produto, já que se trata de um mercado dinâmico e que exige atenção às novas tecnologias e tendências para se explorar ao máximo a propriedade.

Vale destacar, por exemplo, o excelente trabalho realizado pela FC Diez junto à Conmebol, que resultou em renovação da parceria até 2023. Por aqui, há o excelente trabalho realizado pela Traffic – e depois pela Klefer – junto à Copa do Brasil. É importante ressaltar que os direitos em alguns esportes, como o futebol, têm presenciado o aumento substancial de seu valor. Se ele ainda não bateu no teto, muito próximo está. Vamos aguardar as cenas dos próximos capítulos…

Nessa minha trajetória no marketing esportivo, tenho tido a experiência de vivenciar tanto a criação de eventos quanto a de aquisição de propriedades para explorar por um determinado período. Independente do modelo de negócio, me sinto realizado e agradecido por trabalhar com o esporte. Entre os dois modelos, sem dúvida, prefiro o primeiro, e é nele que tenho investido capital e tempo.

Não precisar dar satisfação a ninguém, cuidar do próprio evento e desenvolvê-lo no formato que acredito e com parceiros que tenham a mesma vibe não tem preço.

Em breve, nossa agência vai apresentar novidades ao mercado de eventos esportivos.

E você? Qual é o seu modelo?