Coluna

O “Inacreditável FC” (Futebol Clube)

2 jun, 2021
Fábio Wolff
Sócio-diretor da Wolff Sports e professor no MBA de Gestão e Marketing Esportivo da Trevisan Escola de Negócios
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Quem trabalha na indústria esportiva certamente já vivenciou alguma história inacreditável.

Recentemente, um dos colaboradores da Wolff Sports fechou um negócio com uma federação de futebol ao adquirir algumas placas de campo para comercializar junto a clientes da agência. Uma vez fechado o negócio, o funcionário dessa federação literalmente sumiu por mais de 24 horas. Não atendia ao telefone, mal respondia às mensagens de WhatsApp e isso gerou angústia e nervosismo na equipe, pois os potenciais clientes interessados já haviam sido contatados.

Será que o funcionário passou mal? Estava muito ocupado? Foi contaminado pelo novo Coronavírus?

Como não conseguimos retorno junto ao funcionário em questão, resolvi pedir a um contato o telefone do presidente da referida federação e tentar outro caminho na abordagem.

Finalmente consegui trocar mensagens com o presidente. O “Inacreditável FC” se fez presente quando ele informou que não havia autorizado o fechamento de negócio algum! Mas havíamos recebido o “OK” por escrito do colaborador da referida federação.

Moral da história, tivemos de negociar novamente, além de pagar o dobro do inicialmente negociado. O cliente? Nem ficou sabendo…

Óbvio que não, pois ao contar uma história como essa ao cliente (e que cliente!), certamente o filme do futebol seria “tostado”.

Só levamos o problema ao conhecimento do cliente quando realmente não conseguimos resolvê-lo. Até lá, fizemos de tudo para encontrar uma solução. Gerenciamos a ansiedade e nos preocupamos com a imagem da indústria do futebol e, com isso, muitas vezes passamos noites em claro.

No final das contas, o jogo ocorreu, a entrega saiu perfeita, o relatório pós-venda foi entregue e o cliente ficou feliz.

Uma outra história inacreditável ocorreu em 2007. No início do campeonato carioca fechamos alguns espaços na camiseta do Americano de Campos, que iria fazer dois jogos transmitidos pela TV Globo, contra o Fluminense e o Vasco.

Na véspera da partida contra o Vasco, recebi a ligação de uma agência de marketing esportivo me oferecendo os espaços na camiseta do Americano. O Romário havia feito o gol 999 na partida anterior e tudo indicava que essa seria a partida do milésimo gol.

No momento em que recebi a ligação, preciso confessar, me deu um frio na barriga. Será que realmente tinha assinado aquela contratação? Corri até a agência e fiquei mega aliviado ao constatar que contrato estava mesmo assinado.

Em seguida liguei ao presidente do clube e o questionei sobre o telefonema que havia recebido, me propondo uma negociação para algo que minha agência já tinha até contrato assinado. Para a minha surpresa, escutei: “o valor do patrocínio mudou, agora é o jogo do gol 1000 do Romário”.

Já contei essa história algumas vezes e hoje dou risada dela, mas, naquele dia, tive vontade de dizer algumas expressões impublicáveis.

No início da tarde, o Romário declarou aos jornalistas de que não iria mais participar da tal partida. E caso encerrado.

A evolução do marketing esportivo no Brasil tem gerado menos sustos e o “Inacreditável FC” se faz menos presente. No entanto, é importante estar atento ao formalizarmos as negociações. Impreterivelmente, sempre com a orientação do Departamento Jurídico.

No mundo do futebol, com certeza, de tédio não se morre.