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Comissão Hamilton quer aumentar diversidade racial na Fórmula 1

Estudo analisa porque os negros e as minorias étnicas estão sub-representados no automobilismo

14 jul, 2021

A Comissão Hamilton, projeto que luta em prol da diversidade no automobilismo liderado por Lewis Hamilton, pediu a implementação de um programa de diversidade e inclusão em seu novo relatório.

Iniciado por Hamilton e liderado pela Royal Academy of Engineering, o estudo é resultado de dez meses de trabalho de investigação sobre porque os negros e as minorias étnicas estão sub-representados no automobilismo. A estimativa da Comissão Hamilton é de que, entre 40 mil pessoas que trabalham em cargos técnicos no automobilismo, menos de 1% sejam racializadas.

“Lembro-me de olhar para as fotos da nossa equipe no final do ano e me sentir desanimado com a falta de representatividade. Eu não me sinto mais assim. Em vez disso, me sinto inspirado. Em 2019, percebi que não podia esperar mais e poderia fazer algo. Mas você não pode exigir mudança sem saber qual é o problema. Foi assim que nasceu a ideia da Comissão Hamilton”, explicou o piloto.

A Comissão Hamilton também inclui dez recomendações para melhorar as oportunidades do BAME em três vertentes principais: apoio e capacitação, responsabilidade e medição, e inspiração e envolvimento.

Uma das principais recomendações foi que a Fórmula 1 e outras equipes implementem um programa de diversidade e igualdade, além de expandir as divisões de aprendizagem como rotas alternativas para o setor, tirando o destaque da necessidade de qualificação do ensino superior.

“Achamos que o limite de custo é uma barreira para as equipes recrutarem aprendizes, porque os salários dos aprendizes serão incluídos nos custos para melhorar o desempenho do carro. Por que uma equipe contrataria um jovem de 16 anos, sem experiência, quando poderia contratar um técnico ou mecânico que já passou por tempo, que vai poder começar a trabalhar no carro? Acreditamos que haja uma oportunidade de explorar como fazer algumas exclusões dentro do limite de custo para incentivar o treinamento de aprendizagem”, pontuou Rhys Morgan, diretor da Royal Academy of Engineering.

Outra ideia é que a Federação Internacional do Automobilismo (FIA) inclua na exceções do teto de gastos da categoria custos com aprendizes, para incentivar times a investirem em mais recrutramento e treinamento. Neste sentido, há consenso por parte do CEO da F1, Stefano Domenicali.

“Concordamos que precisamos aumentar a diversidade em todo o esporte e anunciaremos mais ações nos próximos dias. Queremos um esporte que represente nossa base de fãs extremamente diversificada. Sempre há mais a fazer”, avaliou Domenicali.

A Comissão foi criada em 2020 e conta com 14 comissários que representam áreas ligadas ao assunto, como universidades, escolas, grupos comunitários, partidos políticos e o próprio automobilismo. Os colaboradores são responsáveis por identificar os desafios encontrados por pessoas negras no caminho do esporte a motor, definindo direcionamentos que podem ajudar a transformar o cenário.