Coluna

O destino foi cruel com Tóquio!

8 jul, 2021
Fábio Wolff
Sócio-diretor da Wolff Sports e professor no MBA de Gestão e Marketing Esportivo da Trevisan Escola de Negócios
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Primeiramente, gostaria de agradecer aos mais de 55 mil acessos à minha última coluna, com o texto ‘Mastercard 1 x 0 Cristiano Ronaldo‘.   

Parece incrível que estamos a apenas 15 dias do início dos Jogos Olímpicos de Tóquio, o maior espetáculo esportivo do mundo.  

Infelizmente, o destino não deixou que a capital do Japão, uma das cidades mais bem preparadas para receber os jogos, estivesse vibrando com tão aguardada competição. O adiamento de 2020 para 2021, as incertezas que ainda pairam em relação à pandemia, a vacinação em ritmo lento, entre outros motivos, fez com que os Jogos Olímpicos não caíssem no gosto do povo japonês. 

Em 2016, Thomas Wolff, meu pai, então presidente da Comissão Veterinária dos Jogos Olímpicos no Brasil, recebeu uma comissão de japoneses cujo foco era analisar e levar os conhecimentos técnicos para o Japão. Naquela ocasião, os asiáticos confidenciaram que praticamente já estavam com tudo organizado para 2.020 e até preocupados, pois alguns itens teriam de ser revistos ou renovados, tamanha a organização antecipada deles. (Na foto abaixo, estão Thomas Wolff e um dos integrantes da comissão japonesa). 

E o que falar dos patrocinadores?  

A vida não tem sido fácil aos patrocinadores dos Jogos Olímpicos de Tóquio. O planejamento das empresas costuma ocorrer com muita antecedência para que as ações sejam realizadas com precisão e impacto.  

A incerteza sobre a realização dos jogos, sobre a presença ou não do público e, finalmente, a sinalização da presença de apenas público local e bruscamente restrito, são fatores que inegavelmente atrapalharam as estratégias dessas empresas para os jogos. 

Planos e mais planos, diversos cenários desenhados e redesenhados, mas, enfim, a competição que consumiu centenas de milhões de dólares dos patrocinadores se aproxima. Porém, creio que a maioria deles deve se lamentar em relação à limitação das ações a serem realizadas no evento. 

Uma das ferramentas mais utilizadas pelo patrocinador, o relacionamento in loco no país sede – seja através de tours, eventos e ações em locais de eventos – não poderá ser aplicada. 

E o que dizer sobre as campanhas de promoção que as empresas patrocinadoras costumam realizar com o tema do evento? Não me deparei com uma sequer, mas também, né !?! 

Nas últimas semanas, vi apenas duas marcas, que nem patrocinadoras do evento são, fazendo a divulgação de suas equipes de atletas que disputarão as Olimpíadas de Tóquio. 

A esperança é que, com o início dos jogos, algum tipo de clima apareça para que possamos vibrar, chorar e nos entreter com sempre aconteceu nesse que é um dos maiores eventos do mundo. 

Vale ficar atento às ações dos patrocinadores, que estarão mais restritas ao campo digital, pois é onde deve haver grandes sacadas ou insights. 

Independentemente do que vier a ocorrer, o fato é que o destino foi muito cruel com Tóquio!