Coluna

O divisor de águas

24 ago, 2021
Fábio Wolff
Sócio-diretor da Wolff Sports e professor no MBA de Gestão e Marketing Esportivo da Trevisan Escola de Negócios
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As redes sociais podem ser consideradas um divisor de águas também em relação aos atletas.

Temos testemunhado a batalha que os atletas olímpicos vêm enfrentando para conseguir patrocínios, em um país em que a mídia é dominada pelo futebol. Apenas um pouco mais da metade dos atletas brasileiros em Tóquio possuía patrocínio.

Felizmente, a cultura de patrocínios vem evoluindo por aqui, ou seja, as empresas entenderam a necessidade da ativação e as excelentes oportunidades que o esporte proporciona para isso. O atual momento mais maduro do mercado coincide com o desenvolvimento da tecnologia consistente na avassaladora presença das redes sociais.

Segundo levantamento do jornalista Rafael Barifouse em recente matéria para a BBC News Brasil, as redes sociais explodiram desde os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro. O Instagram dobrou de tamanho, hoje com mais de 1 bilhão de seguidores, o stories havia sido recém-lançado na época. O Facebook ganhou mais de 1 bilhão de seguidores e redes sociais como o Tik Tok não existiam.

Há muitas empresas em busca de projetos de patrocínio – que, inclusive, tenham como escopo o branded content – e as redes sociais, mais do que nunca, se tornaram canais excelentes para marcas e empresas conectarem-se aos atletas olímpicos. Torna-se fundamental chamar a atenção para se destacar na avalanche de notícias que invade a mente de todos diariamente e estar presente no conteúdo que os atletas postam em suas redes é uma forma muito eficiente para tal desafio.

As Olimpíadas de Tóquio demonstraram a força das redes sociais e os atletas que souberam aproveitar o evento têm agora um significativo número de seguidores e um grande potencial de monetização.

Entre os destaques estão a skatista Rayssa Leal, com aproximadamente 6 milhões de novos seguidores e quase 1000% de aumento; a ginasta Rebeca Andrade, com mais de 2 milhões novos seguidores (crescimento de mais 1000%); o jogador de vôlei Douglas Souza, com mais de 3 milhões de seguidores e um aumento de mais 1.400%; e o surfista Ítalo Ferreira, com mais de 1,85 milhões de seguidores e um aumento de quase 180% em sua base de seguidores.

Mas e agora que os Jogos Olímpicos terminaram? Como eles se manterão em evidência?

Gerar conteúdo, engajar, se posicionar, não é algo simples. É preciso ter estratégia, conhecimento de tecnologia, se enxergar como um produto e estar preparado para isso. Por mais que sejam postados nas redes de cada atleta, o conteúdo patrocinado deve atender aos anseios e desejos do público que se quer atingir, com relevância e qualidade para que gere engajamento e identificação ao mesmo tempo em que esteja de acordo com a proposta de valor da empresa/marca que investe nisso.

Para tanto, é de vital importância que os atletas estejam estruturados com uma boa equipe para auxiliá-los, a fim de que não se perca o foco consistente nos treinamentos, na performance. Mas quantos atletas podem se dar ao luxo de ter uma estrutura como essa?

Todos eles continuam seus treinamentos e em competições, como Ítalo Ferreira, que em setembro disputa mais um título mundial. E as Olimpíadas de Paris já estão logo ali, então cada atleta também precisa estar atento e ser ágil na busca por oportunidades, patrocínios. As redes sociais e a cultura da divulgação digital podem ser consideradas o divisor de águas nessa captação de patrocinadores, pois há muitas oportunidades. Cabe aos atletas as aproveitarem.