Coluna

Patrocínios no futebol voltam a se aquecer

10 nov, 2021
Fábio Wolff
Sócio-diretor da Wolff Sports e professor no MBA de Gestão e Marketing Esportivo da Trevisan Escola de Negócios
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O mercado dos patrocínios no futebol está aquecido e isso muito se deve à entrada de investimentos de novos segmentos.

As empresas de apostas, que anualmente movimentam algo em torno de R$ 12 bilhões no Brasil, constituem um dos fatores responsáveis por tal aquecimento.

A lei 13/756, que rege as apostas esportivas, foi sancionada em 2018 e aguarda a regulamentação em 2.022. Intensas discussões têm sido travadas, mas, ao que parece, está se chegando próximo a um modelo de tributação e taxação como o da Dinamarca, do Reino Unido e da Bélgica.

Desde 2019 as empresas de apostas começaram, de fato, a movimentar o mercado de patrocínios no futebol brasileiro por intermédio de investimentos de marketing em clubes de futebol, direitos de arena (placas de campo), prismas, leds e tapetes 3D. E patrocinando também competições.

O motivo é obvio: essas empresas buscam brand awareness, ou seja, a exposição de marca, pois precisam fixar seus respectivos nomes nas cabeças das pessoas. Dessa forma, buscam captar leads, clientes com potencial de transformar a paixão e a emoção do futebol em apostas.

Dos 19 clubes da Série A, por exemplo, apenas o Cuiabá não possui uma empresa de aposta como patrocinador.

Nas demais divisões, inúmeros clubes já possuem empresas de apostas como patrocinadoras.

Em relação aos principais campeonatos, tem ocorrido o mesmo fenômeno. No Brasileiro Série A e B, por exemplo, alcançou-se o limite máximo de cinco empresas de apostas por divisão. Muitas gostariam de estar lá, mas ficaram de fora.

Em suma, no mercado brasileiro atualmente pode-se afirmar que a demanda se apresenta maior que a oferta nos principais campeonatos.

Os investimentos desse segmento específico têm sido um dos responsáveis pelo aquecimento do mercado.

O outro segmento que tem contribuído de forma significativa também é o de Fan Tokens. Vários clubes, como o Corinthians, Atlético-MG e São Paulo, dentre outros tantos, têm recebido propostas de valores que, se comparados com diferentes segmentos que já os patrocinavam, apresentam-se significativos e diferenciados.

O momento é bom, mas cabe aos envolvidos nessa indústria aproveitar ao máximo a torneira aberta para entregar com maestria e de forma tangível os seus ativos.

Afinal, essas empresas buscam, por intermédio da plataforma do futebol, aumentar os seus ganhos. Os investimentos que se mostrarem eficazes terão os seus ativos valorizados na renovação e os que não possuírem essa competência, ainda assim, poderão ter a oportunidade de tentar outras vezes, afinal como eu afirmei acima, a demanda é grande.