O Esporte e a Vacina: a polêmica do caso Djokovic

Nos últimos dias um dos maiores tenistas da história deixou de ser destaque somente nas páginas esportivas para figurar em manchetes relacionadas a saúde pública, imigração, política e até mesmo policiais. O sérvio embarcou para disputar o Austrália Open, competição que já venceu 9x o que torna-o maior vencedor da história do Grand Slam, porém, […]

janeiro 17, 2022
Fellipe Drommond

Sócio Diretor do Grupo TFW, CEO do Magnus Futsal e CMO da More Skills

Nos últimos dias um dos maiores tenistas da história deixou de ser destaque somente nas páginas esportivas para figurar em manchetes relacionadas a saúde pública, imigração, política e até mesmo policiais. O sérvio embarcou para disputar o Austrália Open, competição que já venceu 9x o que torna-o maior vencedor da história do Grand Slam, porém, em decorrência da pandemia o país da Oceania exige de qualquer pessoa (inclusive os australianos) para entrada no país a comprovação do ciclo completo vacinal ou a realização de quarenta de 14 dias, em isolamento.

Já dizia o filósofo grego Aristóteles: “Há na natureza humana uma tendência de viver em sociedade, e desta forma o homem realiza o próprio bem, ou seja, viver em sociedade é a finalidade do ser humano”. E, eu acrescentaria que viver em sociedade é a sabedoria de saber respeitar as regras determinadas em prol do bem coletivo.

É completamente normal opiniões diferentes em qualquer âmbito de uma sociedade, mas é anormal o descumprimento de regras. Embora eu não concorde, respeito a opinião do Djokovic e de qualquer outra pessoa contrária a vacinação, mas as regras são pautadas por cientistas tão gênios em suas áreas quanto o tenista em quadra. Foram nos mesmos laboratórios que surgiu, por exemplo, o tratamento com Plasma Rico em Plaquetas (PRP), comum no esporte de alto rendimento mas ainda uma técnica em processo de validação de estudo científico.

Djokovic é um fenômeno dentro das quadras, mas o Novak errou ao tentar entrar em um país sem cumprir suas regras. E, tudo bem, todos estão sujeito ao erro durante a vida, mas estrategicamente quanto antes ele admitir diminuirá os riscos de perdas. Lacoste, Hublot, Peugeot, Asics, Head, NetJets, Lamero, Ultimate Software Group e Raiffeisen Bank International são os patrocinadores do atleta e traduzem cerca de 30 milhões de dólares por ano aos cofres do tenista, as marcas ainda não se manifestaram contrarias ao tenista, mas certamente a não participação do atleta em grandes torneios irá impactar em suas receitas.

Na última semana tivemos dois casos parecidos no esporte brasileiro, com menor repercussão, mas na mesma seara. Renan Lodi não foi convocado pelo técnico Tite porque não realizou o ciclo completo de vacinação. Já na Seleção Brasileira de Futsal, o treinador Marquinhos Xavier teve que cortar o craque do Benfica Arthur Guilherme da Copa América pelo mesmo motivo.

A vacina já está comprovadamente salvando vidas e para o bem da sociedade naturalmente será obrigatória para o trânsito internacional, quem optar pelo contrário deve ser respeitado, mas precisará aceitar as regras determinadas em prol do bem da convivência coletiva e no esporte assumir o impacto negativo que isso poderá causar para a imagem institucional e financeiramente.