Não sou contra a SAF, mas…

Bruno Koerich estreia como colunista abordando a Sociedade Anônima do Futebol

fevereiro 2, 2022
Bruno Koerich

CEO da Destra

Recentemente conversei com pessoas que trabalham diretamente com futebol e, de forma inevitável, caímos no assunto SAF (Sociedade Anônima do Futebol).

O assunto me gerou tantas reflexões que me deu vontade de compartilhar a minha visão a respeito deste tema. Uma visão, aliás, de alguém que vivencia e busca diversas soluções para otimizar o mundo do futebol.

Antes de mais nada, quero deixar claro que não sou contra a SAF!

Sem me prender a especificidades da legislação e das regras do negócio em si, meu objetivo é acrescentar algumas informações para que possamos refletir sobre o momento e a respeito do que virá pela frente.

SAF se tornou a sigla da moda!

SAF, de uma hora para outra, como um passe de mágica, tornou-se a salvação de todos os problemas do nosso futebol. Só que, sinto-lhes informar, meus caros, de que não é.

Inegavelmente a SAF é um dos meios de evoluirmos profissionalmente. É, sem dúvida alguma, mais uma das formas que podemos utilizar para caminharmos para um futuro promissor. Mas, repito: não é a salvação!

SAF não garante resultado esportivo. SAF não pode prometer títulos, soberania em campo e nada que dependa do campo e bola.

E é aí que começam os problemas!

Além de imediatista, a nossa cultura é focada em resultados. No Brasil, o segundo é o primeiro dos últimos. Costumo brincar que o brasileiro não gosta de esporte, mas sim de vencer!

Diante desse cenário, como serão as reações dos torcedores das SAFs quando a tão sonhada taça não chegar na sede do seu clube?

Talvez alguns não tenham pensado a respeito, mas mesmo que tenhamos 500 SAFs com investimentos multimilionários, ainda assim, ao final da temporada, teremos apenas um só campeão e quatro rebaixados. Qual será o comportamento deste torcedor? Será que ele entenderá que o rebaixamento faz parte, uma vez que futebol nem sempre é uma ciência exata?

Ou será que eles irão invadir a sede do investidor e, aos berros, pedir “DEVOLVE MEU CLUBE”?

Gosto de trazer esses exemplos. Provavelmente eles acontecerão. Sempre teremos apenas UM campeão, seja ele associação ou SAF.

Apesar disso, o que é realmente muito relevante e que devemos levar em consideração é o fato de a chegada do investimento, o FUTEBOL BRASILEIRO possa vir a ter reais condições de evoluir enquanto PRODUTO.

Aí sim a importância dos investimentos!

Para alcançarmos o nível de excelência da “NBA” aqui no futebol brasileiro, precisamos evoluir e muito. Nesse contexto, o amante do futebol será obrigado a adquirir uma conscientização de que, mesmo perdendo um campeonato, ele terá visto um produto com uma qualidade melhor e que, em breve, o clube dele também poderá ser campeão em um nível de desportividade muito maior a qual estamos nos deparando nos dias atuais.

Por incredulidade da minha parte, não acredito nessa paciência do torcedor, já me antecipo em dizer, mas caso seja desejo de todos que tenhamos um produto de maior qualidade, redução do êxodo de talentos ainda muito jovens, ampliação da audiência e a possibilidade de nos tornarmos um produto global, teremos que ser pacientes e acreditar nesse novo formato.

E aí? Você está disposto?