O universo crypto nos esportes

Seja você um entusiasta em ativos digitais, representante de um clube ou entidade esportiva, é preciso conhecer os conceitos e riscos existentes

março 11, 2022
Bruna Botelho

CEO e fundadora da StadiumGO!

Alguns termos tecnológicos estão ganhando manchetes e fazendo com que diversos cenários sociais sejam impactados de diferentes maneiras. Alguns são a economia digital blockchain, os criptoativos, moedas virtuais, Web 3.0, NFTs, entre outros. Com tantas novidades, muitos executivos e tomadores de decisão dentro das empresas têm recebido estes insights e buscam quais alternativas se enquadram melhor para inovar em suas ações e iniciativas e se destacarem.

Neste contexto, o esporte nacional também precisa e tenta se reinventar e participar deste novo mundo. Mas como inserir mais tecnologia no esporte sem passar do ponto?

Tokenizar ativos permite gerar novas receitas, obter crédito facilitado e falar a mesma língua da nova geração são objetivos, pois hoje as pessoas buscam por serviços de bens consumo mais ágeis, descentralizados e arrojados.

Seja você um entusiasta em ativos digitais, representante de um clube ou entidade esportiva, ou de uma marca e pensa em desenvolver um projeto nessa vertente, você precisa, antes de tudo, conhecer e entender os conceitos e riscos existentes. A tecnologia e a inovação são palavras de ordem atualmente, mas é necessário saber como elas podem agregar ao negócio, protegendo a si e aos seus consumidores de frustrações futuras.

A tecnologia é rápida e ágil, muda a todo momento. E fazer primeiro não significa fazer direito!

É preciso entender a nova economia e como ela pode trazer ganhos.

E essa nova economia digital blockchain, criptoativos, moeda virtual, NFTs e Web 3.0 têm sido inseridos como táticas para ganho de receitas, investimento, aproximação com fãs e, claro, se envolver com o que o momento atual exige: modernidade! Neste quesito, vou iniciar essa conversa falando sobre alguns destes conceitos e como a inovação financeira na web pode ser transformadora para torcedores, clubes e instituições esportivas.

Todos estes termos tech podem estar ligados a investimentos e, a partir dos criptoativos, é possível revolucionar as transações financeiras, bem como trazer torcedores e fãs para mais perto da economia esportiva ao desenvolver projetos únicos.

O universo crypto é um mar azul!

A economia digital com blockchain é um mercado extremamente promissor que veio para ficar! Seu potencial facilita o dia a dia das indústrias e das pessoas e promove agilidade, diminui custos e exclui intermediadores dos processos financeiros, como bancos, cartórios e governos. Pautada no uso de criptoativos, é possível ter outras infinidades de soluções financeiras e de autenticidade contratual, além de experiências que promovam as iniciativas dos clubes e de atletas.

As criptomoedas, por exemplo, são conhecidas há algum tempo e fazem parte dessa nova economia digital. Elas são uma forma de guardar dinheiro fora de bancos e sem o controle de governos. Em certos países, elas permitem que você viaje e pague por suas compras sem a necessidade de levar dinheiro local no bolso ou consumir seu limite de crédito.

Dentro do cenário crypto também existem as “scalecoins”, criptomoedas que sofrem pouca volatilidade em seu valor e podem ser usadas para facilitar o câmbio entre uma criptomoeda e uma moeda fiduciária.

Também existem as “shitcoins”, um termo pejorativo que sinaliza uma criptomoeda/projeto duvidoso. Elas são um risco eminente aos desavisados e desinformados. Ao investirem nelas, há possibilidade de os proprietários do projeto liquidarem grande parte das criptomoedas, fazendo os detentores destas criptomoedas serem impactados por um golpe no universo crypto chamado Pump and Dump. Relacionado à prática de manipulação de mercado, no Pump and Dump o proprietário da criptomoeda infla os preços dos projetos e se beneficiam com o lucro antes que o valor desabe, deixando a comunidade com uma criptomoeda desvalorizada.

Agora, entramos em outro exemplo popular de criptoativos que tem uma infinidade de tipos e de classes: os NFTs – Non Fungible Tokens (tokens não fungíveis, em português).

A sigla se tornou famosa e significa criptográficos especiais com base em governança blockchain para criptografar imagens, vídeos, fotografias e contratos. Podem ser obras digitais para eternizar momentos, transformar experiências físicas em digitais e vice-versa. Os NFTs podem atestar a autenticidade, a origem e o histórico das transações. No esporte, as aplicações são diversas e altamente relevantes, podendo substituir cartórios, documentos, contratos, certidões e certificados, além de serem peças digitais únicas para unir torcedores a clubes esportivos.

Num passo adiante, os NFTs também são utilizados para facilitar a aquisição de crédito ou financiamento de operações, possuindo lastro econômico de receitas reais e partilhando lucros com os investidores. Além disso, também são recursos para tokenizar os programas de fidelização ou de sócios torcedores das agremiações. Há empresas de game fantasy em que se compra, vende, troca e gerencia um time virtual com cartões digitais de jogadores e os NFTs são utilizados como um colecionável para reserva de valor ou podem ser utilizados nas etapas do jogo.

Ainda no mundo dos games, os NFTs podem permitir ao gamer ter a posse e portabilidade dos itens que compra no jogo. É possível negociá-los a terceiros e utilizá-los em outras versões do jogo, evitando a perda do investimento inicial ou a obrigatoriedade de reinvestimento em itens semelhantes para prosseguir nas próximas versões compatíveis do jogo.

No terceiro setor também há iniciativas de NFTs Sociais ou chamados NFTs de Impacto. Um exemplo de um NFT Social é o @cachorrocaramelonft, uma coleção de tokens não fungíveis que objetiva doar parte de suas vendas a instituições de apoio a animais abandonados.

No Metaverso, os NFTs além de garantir posse e autenticidade de itens, poderão evoluir e possibilitar a portabilidade deles de um Metaverso ao outro.

E o impacto no esporte, Bruna?

Voltando ao esporte, é de extrema importância que as agremiações esportivas conheçam estes tipos e classes de criptoativos para oferecerem o que de fato tem a ver com sua essência e objetivos e não aceitar tudo o que englobam “desenvolvimento de quaisquer criptoativos” apenas para estar no hype. É importante entender o público, mas mais do que isso ter em mente que o clube deva estar aberto a inovações de ganho de valor e não apenas de fama. Dessa forma, a inovação financeira surge para gerar novas receitas para o negócio esportivo e mais benefícios ao seu principal ativo: o torcedor.

Como vimos rapidamente, o universo crypto é imenso e os criptoativos possuem tipos e classes, que diferenciam as suas funções e, portanto, se utilizam de diferentes tecnologias e redes, aplicabilidades e riscos. Isso significa que é possível montar um plano com ativos digitais que abarque diferentes oportunidades.

Neste cenário surgem algumas outras novidades, como a ideia de desenvolver uma criptomoeda customizada. Essa iniciativa é tentadora, mas existem diferentes tipos de criptomoedas, processos, muito investimento e riscos envolvidos.  O “hype” de ser associado a um clube de futebol e à sua base de torcedores pode fazer o projeto com criptoativos ficar estático. É preciso ter conhecimento para que haja ganho para todos: clubes ganhando com lastro financeiro e público investindo em paixões, porém, visualizando retorno financeiro também.

Eu acredito – e muito! – no potencial positivo do uso de criptomoedas por agremiações esportivas. Entendo que podem ser itens facilitadores nas transações e pagamentos no ecossistema de serviços e bens de consumo da instituição. No próximo artigo, vamos falar sobre a importância de buscar conhecimento, diversificar investimentos, conhecer mais sobre a tecnologia e suas usabilidades e estar mais atento às novidades. Vamos fazer isso juntos?!

Bruna Botelho é CEO e fundadora da StadiumGO! – primeira finsportech do mundo, que trabalha com criptoativo NFTs para antecipação de recebíveis e financiamento de operações.  A executiva é especialista em criptoativos, NFTs e inovação financeira e foi Diretora de Marketing do Aliança Atlética Futebol Clube e da equipe de automobilismo de rally e eSports do Corinthians. A empresária também liderou o time de marketing e social mídia na Five Soccer Agência, do Pentacampeão Edmilson Morais, além de prestar consultoria de Planejamento Estratégico Corporativo