Tokenize-se, não deixe a oportunidade passar!

No esporte, as aplicações são diversas e altamente relevantes, gerando novas receitas a marcas, clubes esportivos e atletas

abril 4, 2022
Bruna Botelho

CEO e fundadora da StadiumGO!

O mercado de criptoativos é um dos que mais cresceu durante a pandemia do COVID-19 e, também, nos últimos 10 anos. Passamos pelo “boom” do Bitcoin em 2017 atingindo o preço de US$ 20 mil – uma valorização de mais de 1400%, o grande momento de criação de novas criptomoedas, o surgimento da Etherium com dos diversos protocolos de smart contracts e tokens a serem explorados. Agora o foco está nos NFTs, web 3, Metaverso, blockchain games, play-to-earn e DeFi.

Ultimamente o criptoativo com maior visibilidade é o de NFTs – Non Fungible Tokens (tokens não fungíveis, em português). Relembrando do que se trata a sigla: significa criptográficos especiais com base em governança blockchain para criptografar imagens, vídeos, fotografias e contratos. Podem ser obras digitais para eternizar momentos, transformar experiências físicas em digitais e vice-versa. Os NFTs podem atestar a autenticidade, a origem e o histórico de transações online. No esporte, as aplicações são diversas e altamente relevantes, gerando novas receitas a marcas, clubes esportivos e atletas, além de proporcionar benefícios aos fãs.

Com os NFTs em alta, essa é a grande oportunidade para um clube que deseja inserir inovação em seu portfólio de produtos e se aproximar ainda mais de seus fãs.

Para se ter uma ideia do crescimento e potencial deste segmento, o banco americano JP. Morgan, estima que em 2021 o mercado global de NFTs tenha somado um  total de mercado de U$D35 bilhões (ou R$173 bilhões) e, até 2025, espera-se que atinja o patamar de R$395 bilhões, apresentando um CAGR – Compound Annual Growth Rate (taxa de crescimento anual composto, em português) de 17,98%. Ou seja, é praticamente leviano não surfar essa onda!

Ao participar de encontros de trabalho, percebo o quanto o mercado esportivo nacional está entusiasmado e disposto a inovar usando os criptoativos. Por outro lado, sinto que existe uma parte relutante e isso acontece pelo fato de não saberem por onde começar ou como escolher parceiros em meio a tantas abordagens, siglas, novidades e tecnologias.

Vou compartilhar 10 características que, particularmente, acredito que devam ser levadas em consideração na hora de escolher os criptoativos a explorar para melhor rentabilidade do seu clube e dos torcedores.

1 – Múltiplos conhecimentos em projetos crypto. Ter um time não é apenas um termo para designar um grupo de atletas. No meio corporativo, a palavra também significa um grupo de pessoas empenhadas em uma mesma atividade. Para atuar com inovação e economia digital em clubes de futebol, por exemplo, que possuem marcas com valores milionários e algumas centenárias, é recomendado partir da premissa simples, de que “várias cabeças pensantes trabalham melhor juntas do que uma solitária”.

É importante que o departamento de inovação esteja 100% apoiado nas áreas de marketing, comercial, financeiro, jurídico e a própria presidência do clube. Além de trabalhar de mãos dadas com as equipes de seus fornecedores tecnológicos para trazer ao produto crypto segurança e toda a amplitude comercial que ele pode alcançar, pensando sempre em perpetuidade.

2 – Acompanhe a evolução do mercado crypto e de inovação. Quando falamos de tecnologia, por exemplo, a evolução acontece a cada dois anos e, em relação aos criptoativos, tal movimento ocorre rapidamente, em meses. Ou seja, existem muitas variáveis a se entender para que a aplicabilidade dos projetos com criptoativos seja a correta. Para isso, é importante acompanhar as evoluções do mercado, analisar distintos pontos de vista, possibilidades e opiniões.

3 – Saber a importância da governança blockchain. Este conceito significa uma blockchain que permite ao público ter acesso ao histórico das transações que ocorrem em seu ecossistema. As indicações são de blockchain pública (uso de uma blockchain com governança pública de terceiros) ou blockchain privadas públicas (confecção de uma blockchain própria da empresa com governança pública). Estas duas opções são auto auditáveis com transparência em suas transações, e geralmente são descentralizadas, ou seja, trata-se de uma blockchain que contém vários servidores espalhados pelo mundo, o que aumenta a confiança, a velocidade e a veracidade dos dados.

4 – Conhecer os tipos e classes de criptoativos. Ter conhecimento das diversas categorias e famílias que um criptoativo pode lhe gerar em produtos distintos, é fundamental para não perder oportunidades e desenvolver um portfólio robusto de cryptos. Isso alavanca as chances do clube de diversificar seu portfólio de produtos de criptoativos, aumentando a oportunidade de gerar novas receitas.

5 – Ter um desenvolvedor blockchain no time ou “amigo”. Se o clube pretende fazer um criptoativo proprietário, por exemplo, uma criptomoeda própria, é interessante ter ao menos um desenvolvedor no time ou uma consultoria de confiança para acompanhar o andamento do projeto e quais códigos estão sendo escritos dentro da blockchain. Um código mal construído pode levar a grandes prejuízos! Um exemplo é o ocorrido com a plataforma Saber Labs, que fornecia os pools de liquidez do Cashio na rede Solana.

Por uma falha tecnológica, a empresa sofreu invasão de hackers, que exploraram um “glitch de emissão infinita” resultando em uma queda de preço a zero da stablecoin lastreada em dólar. Outro exemplo mais ruidoso, já chamado de o “maior hack da história crypto”, ocorreu com a Ronin, uma “sidechain” – rede ponte que conecta diversas blockchain – do jogo Axie Infinity, que sofreu um desvio de U$$ 625 milhões (aproximadamente R$ 3 bilhões). Estes incidentes deixaram milhares de investidores no prejuízo, além de gerar desconfiança sobre a segurança dos investimentos.

Como é uma tecnologia relativamente nova, no Brasil ainda são poucos os desenvolvedores blockchain certificados; porém é possível contar com o conhecimento de consultorias sobre a área e somar ao projeto.

6 – Transparência fiscal e explicada a não experts. No universo dos criptoativos é importante que os projetos não sejam apenas inovadores, mas que, antes de tudo, tragam segurança aos consumidores, promovam produtos com valor agregado de fato e não apenas especulativo. A escolha de fornecedores e parceiros é primordial! Deve-se optar por aqueles que desenvolvam produtos concretos, cumpram as leis tributárias, trabalhistas, de consumo,  e, em breve, regulatórias; além de investirem em compliance e prevenção de risco e fraudes. Neste caso, o conhecimento e a confiança se tornam valiosos. Saber a atuação e transparência comercial e fiscal daqueles com quem você trabalha evita fatores de risco como contratos com empresas internacionais, sem sede no Brasil, o não cumprimento de normas fiscais nacionais ou a adesão de produtos tecnologicamente e/ou mercadologicamente frágeis. A relação com o fornecedor deve ser de transparência e confiança, e estar alinhada ao estatuto, estratégias e valores do clube

7 – Acordos flexíveis. A tecnologia blockchain tem muito a oferecer e, devido à natureza infinita de funções possíveis em uma família de criptoativos, o ideal é manter-se flexível para novas oportunidades e parceiros. Além disso, é importante que os projetos crypto estejam abertos para acompanhar o avanço tecnológico e estejam alinhados ao desenvolvimento do clube e também às exigências dos torcedores. A tecnologia é como uma partida de futebol, envolve muito movimento e os jogadores devem adaptar suas estratégias ao avanço do time adversário, no caso, o mercado e as inovações constantes.

8 – Entregas de valor. O público merece um projeto que seja entregue para ele e o entretenha de ponta a ponta. Projetos de inovação não devem ser pautados apenas em gerar renda a curto prazo, mas sim, criar um plano a longo prazo que envolva a  digitalização de serviços, criação de novos produtos personalizados e globalização da marca. Invista tempo em conhecer e saber diferenciar qual produto crypto será customizável e direcionado para o seu público.

9 – Globalização com criptoativos. Muitos produtos podem serdesenvolvidos no universo crypto. Existem muitas possibilidades nesse setor e um dos benefícios mais virtuosos e frutíferos é alcançar o público fora da arquibancada! Um mesmo criptoativo pode ser comercializado para pessoas do mundo inteiro! Então, tokenize-se, e aproveite o potencial de globalização com criptoativos. A blockchain já deu certo e pode levar as marcas a atravessarem fronteiras!

10 – Planeje e multiplique as oportunidades. O momento em que vivemos é de grande expansão tecnológica para geração de novos negócios e diversificar possibilidades. Já está passando da hora dos esportes se abrirem para tudo que a inovação e os criptoativos podem proporcionar, para que possam usufruir de ganhos em curto, médio e longo prazo. E como eu comentei antes, o universo crypto nos esportes é um mar aberto!

Paixão e sonhos estão muito relacionados ao trabalho com investimentos, esportes e, principalmente, o futebol por seu poder de engajamento global. Ao lidar com estes sentimentos, temos uma responsabilidade muito séria a considerar para evitar heranças negativas para as próximas gestões do clube ou causar descrença com os fãs.

Temos um longo caminho pela frente e uma infinidade de produtos cryptos que podem ser usados pela indústria esportiva. O que são essas famílias de ativos digitais e como podem ser rentáveis para agremiações e torcedores? Vou falar sobre isso na próxima coluna!

Bruna Botelho é CEO e fundadora da StadiumGO! – primeira finsportech do mundo, que trabalha com criptoativo NFTs para antecipação de recebíveis e financiamento de operações. A executiva é especialista em criptoativos, NFTs e inovação financeira e foi Diretora de Marketing do Aliança Atlética Futebol Clube e da equipe de automobilismo de rally e eSports do Corinthians. A empresária também liderou o time de marketing e social mídia na Five Soccer Agência, do Pentacampeão Edmilson Morais, além de prestar consultoria de Planejamento Estratégico Corporativo.