A Web 3.0 e sua contribuição para o esporte

A nova fase da internet é uma aliada à democratização do uso da rede, criando inúmeras possibilidades no ambiente digital

julho 26, 2022
Bruna Botelho

CEO e fundadora da StadiumGO!

A Web 3.0 tem nos despertado para diferentes formas de lidar com o dinheiro, ações e descentralização de informação. Essa nova fase da internet é uma aliada à democratização do uso da rede, criando inúmeras possibilidades no ambiente digital. Além disso, busca-se constantemente meios de assegurar que as transações online sejam seguras e transparentes.

Mas o que é Web 3.0?

Em 2014, Gavin Wood, cientista da computação e co-fundador do Ethereum, apontou que a fase 2.0 da Web, em que o conteúdo era gerado por usuários, estava prestes a ruir e passaria por uma renovação. 

Essa renovação é o que conhecemos como fase atual internet, a Web 3.0, um ecossistema descentralizado baseado na rede universal. Isso significa que ativos como conteúdos, serviços, produtos e páginas da web são produzidos em um ambiente digital, que pode ter uso ou não da tecnologia blockchain – rede criptografada de computadores, imutável e descentralizada. 

Quando está sob governança blockchain, é garantida a funcionalidade destes ativos sem censura, pirataria e restrições de uso, além de retirar a custódia e titularidade por parte de uma única instituição, governo ou empresa. 

E o que isso tem a ver com o esporte? 

Tudo! Assim como outros segmentos, a inovação é uma exigência constante e não seria diferente com o esporte e o entretenimento. Nesse sentido, a Web 3.0, colaborativa em tempo real, faz com que pessoas e empresas firmem acordo por meio de contratos autônomos em blockchain, os smart contracts

Na Web 3.0 novos modelos de negócios são estabelecidos e o dinheiro é nativo à rede e se torna um dinheiro global, o que gera maior democratização por facilitar a transferência de valores, acesso e senso de pertencimento. 

No esporte, as criptomoedas e os criptoativos NFTs, permitem a tokenização de ativos reais e negócios que promovam a partilha de receitas com o público, com proteção de titularidade, possibilitando ainda que esse titular comercialize seus ativos em mercado secundário, aumentando as oportunidades de monetização não apenas para si, mas para os proprietários dos negócios tokenizados, por meio de comissionamento automatizado com royalties.

Autonomia do consumidor

A Web 3.0 promove autonomia ao consumidor (torcedor, público, investidor) em relação a seus dados e ativos digitais. Oferecer liberdade ao público, estabelece uma relação de confiança e conforto para usarem seu ecossistema. Um dos grandes desconfortos da Web 2.0 foi o uso inapropriado dos dados pessoais dos usuários pelas redes sociais. A Web 3.0 promete resolver isso. 

Entrada na Web 3.0

Outro fator a favor da Web 3.0 é que para ingressar e se beneficiar dela, não é preciso muito. A construção destes ecossistemas podem ser constituídos em nuvem, assim como o processamento dos dados. 

Do ponto de vista dos clubes, marcas e indústrias, esse ingresso à Web 3.0 é possível no Brasil. Existem empresas desenvolvendo produtos com o olhar no futuro e inseridos no que a fase 3 da internet propõe. São diferentes segmentos se beneficiando com da Web 3.0, como educação, engajamento, games. 

E os ganhos são muitos: digitalização de processos, serviços e produtos; integração com plataformas de e-commerces e bilheterias; gestão de vida e qualidade de produtos; relacionamento com clientes; inteligência artificial; robôs; análise via machine learning com direcionamento de conteúdos conteúdos de acordo com o perfil de cada usuário. Para o consumidor, o acesso aos benefícios se dá no acesso à internet e não é preciso ter ferramentas ou softwares específicos para utilizar tais funcionalidades. 

“Power Up” do Fluxo de Caixa com a Web 3.0

O esporte como fator de estímulo ao investimento movimenta a economia de forma global, aumenta a aproximação do público e gera a captação de recursos. Assim, é possível unir a tecnologia às ações de antecipação de recebíveis e financiamento de clubes, marcas, agremiações como uma solução como via de mão dupla.

Projetos com uso dos atributos da Web 3.0 são benefícios tanto para quem investe quanto para quem oferece os ativos e as inovações em seu portfólio. Além disso, modernizar processos e acompanhar o avanço tecnológico leva à digitalização de produtos, serviços e ações de clube, a gestão de clientes e, com isso, a globalização de iniciativas.