Na contramão do venture capital: mercado de esporte, games e entretenimento cresce com os fundos de investimentos

Apesar do cenário turbulento, os investimentos em Venture Capital atingiram recordes em 2021, mais do que dobrando com relação a 2020

dezembro 7, 2022

*Por Pedro Oliveira

Investimentos em capital de risco são sempre desafiadores para todos os envolvidos, ainda mais em um momento de economias instáveis no mundo e desvalorização de moedas. Neste contexto, apesar do cenário turbulento, os investimentos em Venture Capital atingiram recordes em 2021, mais do que dobrando com relação a 2020.

No entanto, em 2022, a água bateu – o cenário de retração pós pandemia chegou e a realidade não vem sendo a mesma. Com uma considerável queda em investimentos de venture capital, muitas startups anunciaram cortes nos quadros de colaboradores, houve grande redução nos investimentos e fundos renomados apresentaram resultados ruins.

Em contrapartida, mesmo em meio ao cenário de incertezas econômicas, empresas em early-stage ainda têm menos dificuldade para atrair investimentos, uma vez que envolvem cheques menores e ainda precisam de tempo maior para maturação. Assim, quando olhamos para territórios que historicamente atraem menos investimentos, como os mercados esportivo, de games e de entretenimento, nos quais há grande espaço para digitalização e aplicação de novas soluções, identificamos oportunidade ainda mais ampla e profunda para investimentos.

Por tudo isso, suportado por movimentos estruturais globais como a volumosa injeção de capital no futebol global, por meio da entrada agressiva de fundos de private equity em Clubes europeus e das SAFs no Brasil, o crescimento da economia criativa e a aceleração exponencial do mercado de games, criou-se um cenário favorável para a atração de investimentos e aceleração de startups nestes segmentos que, apenas no primeiro trimestre de 2022 atraíram aprox. USD 2,5 bilhões em investimentos, com previsão de chegar a USD 10 bilhões até o final do ano.

Como exemplo disso, dentro da indústria de games, hoje maior fatia do mercado de entretenimento global (maior do que a soma entre TV, música e cinema), identificamos uso de NFTs e a aplicação da tecnologia de blockchain no desenvolvimento de jogos como um divisor de águas. Como a tecnologia blockchain permite que os jogadores adquiram e negociem ativos com valor monetário com maior segurança entre diferentes ambientes digitais, os desenvolvedores de jogos passaram a ter um solo fértil a ser explorado, abrindo espaço para criação de games em conjunto com a comunidade gamer, com códigos open-source e novos modelos de negócios ganhando espaço.

Em meio a tudo isso, no Brasil a atual conjuntura de mudanças estruturais como SAFs e Liga de Clubes no futebol, a maior penetração de banda de larga de alta velocidade e da tecnologia 5G e a explosão da cena de desenvolvedores de jogos independentes fazem com que o esporte, os games e o entretenimento se consolidem cada vez mais como as principais plataformas de consumo no futuro.

Por consequência, estes mercados demandarão novas soluções e bons times de empreendedores para atender as necessidades de um mundo que passa por mudanças aceleradas. Analisando esses tópicos, podemos concluir que a economia da atenção, simbolizada por todas as plataformas que disputam nosso “time spent” (do esporte aos games, passando por canais de influencers no YouTube ou no Instagram), nunca esteve tão em alta.

Por tudo isso, nós consolidamos nossa tese de que somos o capital para financiar o desenvolvimento dessas novas empresas e seus modelos de negócios, visto também que, ao longo dos últimos anos, monitoramos mais de 700 startups, realizamos 8 investimentos em empresas early-stage nestes setores e entendemos o tamanho da oportunidade – há uma lacuna a ser preenchida quando falamos em investimentos de risco nesses mercados que possuem extremo potencial, mas ainda pouco explorado por investidores tradicionais.

*Pedro Oliveira é formado em Marketing na ESPM, em Direito pelo Mackenzie e com dupla graduação em MBA em Gestão de Negócios do Esporte e LLM em Direito do Esporte pela Universidade de Columbia em Nova Iorque (EUA). Atuou por 6 anos nas áreas de planejamento estratégico e comercial de multinacionais nos setores de telecom e seguros e atuou por 2 em consultorias nos EUA, antes de co-fundar a OutField. Hoje também é conselheiro e advisor das investidas da OTF, incluindo Semexe, 2morrow Sports, Galaxies, Final Level, RadarFit e Team One eSports, além de ser professor da FGV-SP.