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NIX Diversidade e Nike: novo estudo aponta crescimento dos coletivos de esporte LGBTQIA+

Além das modalidades tradicionais, eventos esportivos e torcidas de futebol são destaque no novo mapeamento

NIX Diversidade e Nike: novo estudo aponta crescimento dos coletivos de esporte LGBTQIA+

03 de julho de 2023

5 minutos de Leitura

Em 2022, a NIX Diversidade, com o apoio da Nike, divulgou um mapeamento inédito de coletivos inclusivos, com foco na região metropolitana de São Paulo, no qual foram identificados grupos que promovem acesso ao esporte para a população LGBTQIA+.

Com o objetivo de tornar o esporte um hábito diário para todas as pessoas e reafirmar o compromisso em estimular iniciativas junto à comunidade, a nova etapa do mapeamento aponta o surgimento de novos coletivos ao redor do país, além de incluir eventos esportivos e torcidas de futebol da comunidade LGBTQIA+.

“Com os conhecimentos e as vivências acumuladas ao longo desses anos de imersão para melhor compreensão da relação da comunidade LGBTQIA+ com o esporte em suas diferentes dimensões, acreditamos no potencial dessas iniciativas como umas das principais estratégias em prol da disseminação e valorização da cultura esportiva no país”, disse Bruno Teixeira, gerente sênior de Propósito da Fisia, Distribuidora Oficial Nike no Brasil.

O estudo recém-lançado “Reflexões sobre mapeamentos de coletivos, eventos e torcidas de futebol LGBTQIA+” mostra que os coletivos LGBTQIA+ representam o principal movimento para ampliar o acesso ao esporte, evidenciando um crescimento expressivo dessas iniciativas.

O número de coletivos esportivos LGBTQIA+ cadastrados no mapeamento, por exemplo, aumentou de cerca de 60 para 124, desde o primeiro estudo em 2022. Outro avanço identificado é a realização de amistosos, encontros e torneios para prática do esporte amador e recreativo. A organização de torcidas no futebol, uma das principais expressões da participação da comunidade LGBTQIA+, também colabora para que a modalidade seja, de fato, a paixão nacional de todos os brasileiros.

“Ano passado pudemos realizar um resgate histórico do esporte no país a partir da perspectiva LGBTQIA+, além do levantamento que indicou que 42,8% da comunidade não tem acesso a práticas esportivas. Agora com o melhor entendimento das dinâmicas dos coletivos, eventos e torcidas, queremos trazer mais luz aos desafios e oportunidades levantadas pela comunidade”, acrescentou Fabrício Addeo Ramos, diretor da Nix Diversidade.

Apesar dos grupos estarem em maioria nos Estados de São Paulo e Rio de Janeiro, os coletivos cadastrados no mapeamento abrangem o território nacional e mostram a pluralidade das modalidades. Dos 124 coletivos mapeados até o momento, eles estão presentes em 8 Estados, incluindo o Distrito Federal, e divididos em 24 modalidades, sendo que alguns deles podem praticar até mais de uma. São elas:
64 coletivos de futebol, fut7 e futsal;
50 coletivos de vôlei;
13 coletivos de gaymada;
9 coletivos de handebol;
3 coletivos de basquete, corrida e vôlei de praia.

Para um coletivo fazer parte do mapeamento, é necessário ser além de uma reunião de pessoas para a prática de atividade física ou modalidade esportiva. O coletivo também precisa se autodeclarar como parte de algum segmento LGBTQIA+, ser formado predominantemente por pessoas desse grupo social, realizar publicidade de suas atividades via algum meio de comunicação (redes sociais, sites, grupos no WhatsApp e entre outras) e praticar atividades organizadas com periodicidade.

Eventos inclusivos

Simultaneamente com os coletivos, crescem os eventos esportivos voltados para a comunidade LGBTQIA+ no Brasil. Atualmente, destacam-se os eventos em torno das modalidades de gaymada, futebol, vôlei e handebol. Até 2022, foram realizados 37 eventos em 20 modalidades esportivas, e a projeção até 2024 (eventos anunciados) é de 44 eventos em 29 modalidades.

Para que o evento possa ser cadastrado no mapeamento, ele deve ser direcionado majoritariamente para a comunidade LGBTQIA+, e acontecer no formato lúdico e recreativo ou visar competitividade e performance, contemplando obrigatoriamente uma modalidade esportiva ou atividade física.

Os eventos esportivos tornaram-se uma tendência para o maior desenvolvimento do esporte junto à comunidade. Dito isso, com o crescimento de coletivos e eventos, práticas esportivas com foco mais voltado à diversão e socialização vêm ganhando evidência, como foi o caso da gaymada.

A Gaymada

Uma atividade recreativa que encontrou perfeita identificação com a comunidade LGTBQIA+ é a gaymada, conhecida também como queimada. Uma das principais indicações da adesão crescente a este esporte, é o fato de ser inclusivo aos diversos corpos e gêneros, além de remeter à uma memória afetiva na educação física escolar, porém sem ocorrer a separação por gênero e sem regras rígidas de um esporte tradicional.

Por ser realizada com facilidade em quadras, praças e outros espaços públicos, a gaymada é uma das práticas esportivas mais democráticas da comunidade. Além disso, a atividade permite o jogador explorar sua performance no jogo de diversas formas, possibilitando uma expressão performática dos participantes e se tornando uma expressão cultural única.

As torcidas de futebol

Outro movimento importante para a maior inclusão da comunidade no esporte acontece por meio da organização das torcidas de futebol. Este esporte faz parte do cotidiano de muitas pessoas e também ajuda a uni-las socialmente.

Apesar do ambiente do futebol masculino não ser inclusivo, a vontade de torcer pelo time favorito acaba ultrapassando os preconceitos, tornando-se uma manifestação cultural e um grito de resistência. Ainda que publicamente presente apenas nas redes sociais por conta do receio de violência física nos estádios, a existência das torcidas LGBTQIA+ colabora para que o futebol avance para se tornar, de fato, um esporte para todos.

Sob este contexto, surge o mapeamento específico das torcidas como forma de contribuir com a visibilidade e crescimento dessas iniciativas.

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