Canal de conteúdo exclusivo é o elo que falta entre clube e torcida

Ela muda o rumo da falta de conexão direta dos torcedores (leads quentíssimos) com o time (a empresa)

novembro 22, 2023
Tiago Maranhão

Tiago Maranhão é Country Manager da Stages, software para impulsionar a monetização de creators e infopreneurs. Jornalista graduado pela PUC-SP, com mais de 20 anos em comunicação esportiva, criação e gestão de conteúdo.

Qual seria a situação financeira dos grandes clubes de futebol do Brasil se cada torcedor gastasse um real por mês com o seu time do coração?

Uma coisa é certa, seria bem diferente.

Vamos usar o Corinthians de exemplo, com seus mais de 32 milhões de torcedores, segundo dados do IBGE, e seguir com a ideia de que cada um desses fiéis seria um potencial consumidor de produtos, experiências e eventos do clube.

Sem coincidências, o Corinthians, que tem a segunda maior torcida do País como patrimônio,  foi o clube que liderou o crescimento de receita em 2022, um aumento de 51%, chegando a R$ 779 milhões. Por outro lado, o presidente do Timão, Duílio Monteiro Alves, admitiu este ano que a equipe paulista possui uma dívida que beira a casa dos R$ 900 milhões. 

A conta não bate. Clubes tão grandes não deveriam ter problemas financeiros como esse quando são apoiados por milhões e milhões de pessoas engajadas nos seus objetivos e operações. 

Então, onde está a lacuna? Está justamente na falta de conexão direta dos torcedores (leads quentíssimos) com o time (a empresa). E é  aqui que um canal próprio com conteúdos exclusivos e direcionados aos fãs pode mudar os rumos dessa relação.

Como criar conteúdos que aproximem a torcida do clube?

A Creator Economy é a saída mais eficiente para que as equipes de futebol brasileiras construam uma comunidade com aqueles que apoiam suas cores. O motivo é simples: as possibilidades de criação de conteúdo em uma plataforma que pertence ao time são infinitas. E, junto ao conteúdo, surgem novas formas de monetização. 

Para imaginar como essa liberdade criativa poderia abrir novas ideias originais,  vamos passar para o Fluminense, que escreveu um dos capítulos mais importantes de sua história neste ano, que começou o título do Campeonato Carioca e se consagrou com a conquista da Libertadores da América. 

Foto: Sergio Moraes / Reuters

No tricolor carioca, existe uma imensidão de grandes personagens para estrelar vídeos  que poderiam ter o formato de aulas descontraídas. Por exemplo: Fernando Diniz, o técnico, também da Seleção Brasileira, explicando como ele orienta os jogadores na saída de bola (uma das suas marcas registradas). Ou, se colocarmos um dos próprios atletas como protagonistas, o atacante argentino Gérman Cano, um dos artilheiros do ano, mostrando as suas técnicas de finalização. 

Isso porque ainda nem entramos no mérito das transmissões. Desde lives de partidas até treinamentos, é possível gerar conteúdos que façam o torcedor se sentir como um integrante do time. Aliás, ainda há como potencializar essa experiência com funcionalidades imersivas e interativas. Um chat de perguntas ao vivo para os jogadores e a comissão técnica? Pacotes exclusivos com o acesso a mais telas? O céu é o limite.

E é importante ressaltar o quanto esse tipo de abrangência permite direcionar cada produção segundo o público-alvo, afinal, são assuntos e formatos que interessam a   um amplo leque de diferentes interesses de espectadores. Além da torcida, atletas amadores e aspirantes a técnicos também podem se beneficiar dessas soluções.

Como o mercado esportivo enxerga a criação de conteúdo?

Com as Sociedades Anônimas do Futebol (SAF) se unindo a mais clubes, é certo dizer que iniciativas empreendedoras vão ganhar cada vez mais tração no futebol brasileiro. Antes que seja tarde, aquelas que envolvem a Creator Economy e a entrada no ambiente digital tomarão um espaço maior.

Um dos grandes expoentes dessa nova era é o pentacampeão mundial Juliano Belletti. O ex-lateral do Barcelona e do São Paulo encerrou  a carreira há alguns anos, mas continuou no mundo futebolístico com diversas ações inovadoras. 

Com milhares de fãs e seguidores ao redor do mundo, Belletti promove todas as suas atividades de forma inteligente e personalizada. É o caso do seu braço administrativo, a Belletti Sports, que ajuda a estabelecer conexões entre organizações que queiram investir em equipes, atletas e ex-atletas.

Para um canal próprio, esses tópicos são essenciais não só no âmbito da legalidade, mas na de explorar boas oportunidades. Excelentes provas disso são as parcerias e patrocínios, possibilidades que otimizam a monetização, expandem o público e engajam os consumidores em tendências e novidades que estão sendo lançadas no mercado.

Inclusive, o futebol traz uma base de fãs/clientes extremamente fiel e que abre margem para os clubes desenvolverem suas marcas por meio dessas plataformas.  O mesmo raciocínio se aplica a qualquer modalidade. 

As Olimpíadas estão chegando, quem  sabe não iremos acompanhar os Jogos de Paris e as rotinas dos atletas de um modo como nunca vimos antes?

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