Coluna

A Glória Eterna: Magnus Futsal bicampeão da Libertadores e a luta pelo reconhecimento do esporte

Fantástica trajetória, mas uma triste realidade nesta reflexão: a falta de apoio dos nossos principais veículos de mídia

A Glória Eterna: Magnus Futsal bicampeão da Libertadores e a luta pelo reconhecimento do esporte

31 de maio de 2024

4 minutos de Leitura

Fellipe Drommond
Fellipe Drommond
Sócio Diretor do Grupo TFW, CEO do Magnus Futsal e CMO da More Skills

Na última semana vivemos um dos momentos mais especiais da nossa história. Um sonho que começou a ser escrito em janeiro de 2023, quando priorizamos a conquista da Copa do Brasil com o objetivo de vencer a SuperCopa em 2024 e garantir vaga na Copa Libertadores de América de Futsal deste mesmo ano.

Um longo caminho que aos poucos foi se materializando até nossa chegada em Buenos Aires no último dia 17 de maio, onde disputamos 06 partidas em 8 dias até alcançarmos a Glória Eterna. 27 de maio de 2024, Magnus Futsal (BRA) 4×2 Barracas Central (ARG), Magnus bicampeão da Conmebol Libertadores de Futsal com 100% de aproveitamento.

Fantástica trajetória, mas triste realidade. Talvez a maior virtude desta equipe seja sua capacidade de conseguir produzir conteúdo e potencializar ao máximo a comunicação das suas conquistas. E, mais uma vez, essa força permitiu que o Brasil através das mídias sociais, engajamento de influenciadores e a participação dos atletas pudessem valorizar a vitória de uma equipe brasileira em solo argentino. Mas a reflexão é sobre a triste falta de apoio dos nossos principais veículos de mídia.

Hoje, sou uma pessoa bem relacionada no mercado, jornalista de formação, com livre acesso aos principais veículos de mídia do Brasil e acreditem, escutei entre outras aberrações as seguintes justificativas:

  • Não temos grade para dar a notícia do título;
  • Já subimos uma nota no site, na TV não tem como subir nada;
  • Desculpe, mas realmente não temos braço para fazer uma matéria especial sobre a Libertadores;
  • Converse com a nossa afiliada local, com certeza eles irão fazer algo;
  • Talvez você consiga algo em nossos perfis das redes sociais.

Ora, vamos lá. Será que o problema está nas instituições ou nas pessoas que possuem o poder de mudar este cenário e dar oportunidade para outros esportes? Hoje eu não escrevo somente em nome do Futsal, mas este texto vale para o basquete, o vôlei, judô, ginástica e todas as outras modalidades que não futebol. Nossa programação esportiva passa horas debatendo o furo que o Neymar fez no pneu do carro do seu coleguinha, mas não tem coragem de perder 45 segundos para falar dos gols da Copa Libertadores de Futsal. Sequer mencionar a conquista em um dos seus programas diários, sendo que muitas vezes os amigos que estão capitaneando essas bancadas nos enviaram as congratulações no pessoal. Como é que vocês querem difundir o esporte no Brasil???

O Brasil é o país do futebol, sim! Mas também é o país do Hugo Calderano que venceu no último final de semana o WTT Contender , um dos torneios mais importantes do Tênis de Mesa no circuito mundial. É o país do futsal, esporte mais praticado nas escolas e que viu uma brava equipe de Sorocaba vencer um tradicional time argentino dentro dos seus domínios. E, seguiremos dizendo que não temos grade? Não temos espaço? Não temos gente para fazer? Literalmente, vocês não têm vontade de mudar este jogo. Porque poderiam tranquilamente alterar a rotina de um setorista de futebol, em um final de semana onde não teve futebol, para cobrir a Copa Libertadores de Futsal. E, vamos lá né, nós sabemos que dá audiência, ou melhor, pode dar receita nova para as empresas como um novo produto extremamente comercial.

Falando da organização, creio que tenha sido a competição mais organizada de toda a história que participamos como clube, com uma organização impecável da Conmebol, mantendo o mesmo padrão do futebol. Ou melhor, quase o mesmo padrão, porque apesar de toda a estrutura não houve um real de premiação. Sim, a mesma competição que distribui mais de R$ 1 bilhão em premiações ao futebol, não deu um real de prêmio para as equipes do futsal. Mesmo assim, vejo um saldo super positivo ao vivenciar que a principal entidade do nosso continente está dando importância e preocupando-se com a organização do futsal. Certamente esse é o início do caminho para alcançarmos voos maiores.

Poxa, mas vocês estão tristes? ….Jamais! Nós estamos muito felizes, realizados, contentes e valorizando demais a nossa conquista. Como um desbravador da bola pesada sinto-me obrigado a fazer essa reflexão para que quem saiba eu consiga mudar um pouco o mindset dos tomadores de decisão dos nossos principais veículos de comunicação. Acreditem, o mínimo que vocês puderem fazer, será um passo gigante para democratizar o esporte no Brasil.

#GOMAGNUS

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