Coluna

Netflix e rivais: a corrida pelo domínio do conteúdo esportivo

Como a Netflix e outras do setor estão usando o esporte para atrair mais assinantes

Netflix e rivais: a corrida pelo domínio do conteúdo esportivo

21 de maio de 2024

7 minutos de Leitura

Ivan Ballesteros
Ivan Ballesteros
CEO e fundador da Esporte Educa, primeira EduSportech brasileira com foco em reescrever a relação do esporte com a educação dentro do país

O mercado de streaming está em constante transformação, com serviços cada vez mais semelhantes às tradicionais TVs a cabo, especialmente devido ao investimento em transmissões esportivas ao vivo. Na semana passada, noticiamos a iniciativa da Netflix de transmitir jogos da NFL no Natal, o que me motivou a escrever esta coluna para destacar a importância desse movimento e a necessidade de estarmos atentos às suas implicações.

Sem considerar outros modelos de transmissão da nova economia que atingem milhões de fãs de esportes ou até mesmo levam esportes para novos públicos, como o YouTube, ou grandes veículos de mídia brasileiros como LiveMode (Cazé TV), recentemente investida pela General Atlantic e XP, Flow Sport Club, Podpah e Nsports, nesta coluna, nosso foco não será a transmissão e a mídia da Nova Economia. Pretendo dedicar um artigo exclusivo para esse tema no futuro. Hoje, vamos nos concentrar na expansão da Netflix e seus concorrentes globais.

Após minha carreira como atleta profissional e a transição para o mercado esportivo, antes de atuar com esporte e educação, trabalhei no IBOPE Repucom, líder global em pesquisa de marketing esportivo e retorno de exposição de marcas na mídia. A empresa fornece métricas de eficiência e avalia resultados de patrocinadores e anunciantes no esporte, entretenimento e cultura. Utilizando uma metodologia própria, analisa todas as mídias e oferece análises qualitativas e quantitativas para monitorar o retorno dessas marcas. Fui especialista na elaboração de relatórios para avaliação de patrocínios de marcas como CBF, Globo e McDonald’s. Embora esse movimento com novos players de streaming e da Nova Economia de Mídia façam o mercado crescer, não consigo imaginar a complexidade e as particularidades envolvidas para mensuração de resultados nessas novas plataformas, se comparadas às emissoras tradicionais com as quais trabalhávamos, como SporTV, ESPN, Fox e canais abertos.

Com isso, podemos entender que esse movimento dos streamings não apenas transforma o consumo dos fãs, mas também altera como as marcas decidem alocar seus investimentos e, consequentemente, como o mercado mensura o seu retorno e o quanto ele maximiza e ao mesmo tempo dispersa o destino do dinheiro  na economia do esporte.

A Netflix, gigante do streaming, está se destacando ao adotar uma abordagem inovadora voltada para o “entretenimento esportivo” e expandindo seu portfólio desde a luta entre Mike Tyson e Jake Paul aos jogos da NFL e as lutas da WWE em 2025, o interesse da Netflix em esportes ao vivo está aumentando ou até mesmo a expansão de documentários sobre esportes e ídolos. Nos próximos parágrafos vamos entender como a Netflix está liderando a revolução no mercado de streaming e quer transformar a forma como consumimos esporte e entretenimento

Documentários de Esportes e Ídolos

A Netflix já possui uma sólida coleção de documentários que celebram figuras icônicas do esporte e histórias inspiradoras:

“The Last Dance”: Uma série aclamada que narra a carreira de Michael Jordan e a última temporada do Chicago Bulls na NBA.

“Formula 1: Drive to Survive”: Um olhar profundo e envolvente sobre os bastidores da Fórmula 1, trazendo entrevistas exclusivas e momentos emocionantes que ajudaram a própria F1 a conquistar novos fãs.

“Pelé”: Um documentário que retrata a vida e a carreira do maior jogador de futebol brasileiro da história.

“The Playbook”: Série que explora as regras e filosofias dos técnicos mais renomados do esporte mundial.

“Neymar: O Caos Perfeito”: Documentário que apresenta uma visão íntima da vida e carreira de Neymar Jr.

“Beckham”: Um documentário que narra a vida e a carreira do astro do futebol David Beckham, desde seus primeiros dias no Manchester United até sua carreira pós-futebol e vida pessoal.

“The Figo Affair: The Transfer That Changed Football”: Um documentário que explora a controversa transferência de Luís Figo do Barcelona para o

Existem muitas outras séries de sucesso sobre esportes que não mencionei aqui. Além disso, a Netflix já anunciou uma série de novas produções que destacam outros grandes ídolos e esportes ainda não explorados.

Expansão para Esportes ao Vivo

A Netflix também está ampliando sua presença em transmissões esportivas ao vivo:

NFL no Natal: Como citamos e noticiamos anteriormente, um contrato de três anos para transmitir jogos de futebol americano na época de Natal.

WWE Raw: A partir de 2025, a Netflix transmitirá o WWE Raw, além de SmackDown e NXT, num acordo de US$5 bilhões por dez anos​.

Boxe: Em julho de 2024, a plataforma transmitirá uma luta de destaque entre Mike Tyson e o YouTuber Jake Paul​​ junto com a luta de boxe feminino entre Katie Taylor e Amanda Serrano, válido pelo cinturão mundial das superleves.

Concorrentes no Espaço de Streaming Esportivo

Enquanto a Netflix avança com suas estratégias, seus concorrentes também não estão parados e estão fazendo movimentos significativos para capturar a audiência esportiva:

Apple TV+: A Apple investiu na transmissão de jogos de baseball (MLB) e futebol (MLS). A empresa adquiriu os direitos exclusivos de algumas partidas, oferecendo uma experiência única aos seus assinantes.

Amazon Prime Video: Amazon assinou um acordo para transmitir jogos da Liga Nacional de Futebol Americano (NFL), incluindo o “Thursday Night Football”. Além disso, a plataforma também transmite eventos de tênis e outros esportes.

Max: O serviço de streaming da Warner Bros. Discovery, anteriormente conhecido como HBO Max, adquiriu os direitos de transmissão de uma variedade de esportes, incluindo NFL, NBA, NHL, tênis, Nascar e golfe. Esta ampla gama de esportes visa atrair um público diverso e amante de esportes.

Star+: Parte da Disney, Star+ já oferece transmissões ao vivo dos jogos da ESPN, incluindo futebol, críquete e tênis. A plataforma se beneficia da vasta biblioteca de conteúdo esportivo da ESPN, atraindo fãs de várias modalidades esportivas.

Assim como em um jogo de xadrez, quando uma peça se move, o oponente precisa reagir, seja atacando, defendendo ou ganhando tempo. Por conta desses movimentos da Netflix, certamente veremos reações de Apple TV+, Amazon Prime, Max e Star+. É muito provável que escreveremos outras colunas para falar sobre ou até mesmo que ocorram publicações com notícias de mercado e novos acordos.

Lionel Messi. Imagem: divulgação/Apple TV+

Benefícios e Impactos

A inclusão de esportes ao vivo nos serviços de streaming é uma tática para atrair novos usuários e anunciantes. Por exemplo, a Netflix, com seus planos com anúncios, conta com 40 milhões de usuários ativos mensais. Esta estratégia não só amplia a base de assinantes, mas também diversifica as fontes de receita da empresa.

Por outro lado, essa expansão apresenta desafios para os consumidores. Para assistir a todos os jogos da NFL, um fã precisará de várias assinaturas de diferentes serviços, resultando em um custo anual de aproximadamente US$ 1.610. Isso reflete a crescente fragmentação do mercado, onde os consumidores precisam se inscrever em múltiplas plataformas para acessar todo o conteúdo desejado.

Conclusão

A estratégia da Netflix de se aventurar no mundo dos esportes ao vivo demonstra sua capacidade de inovação e adaptação em um mercado competitivo. À medida que mais serviços de streaming entram nesse espaço, os consumidores terão mais opções, mas também enfrentarão maiores custos e complexidade na escolha de assinaturas. A Netflix está pavimentando um novo caminho no entretenimento esportivo, buscando redefinir o que um serviço de streaming pode oferecer.

Com essas movimentações, a Netflix não só diversifica seu conteúdo, mas também estabelece novos padrões para o mercado de streaming, refletindo uma transformação contínua e dinâmica no consumo de mídia esportiva. Fazendo valer a cultura que seu fundador, Reed Hastings, estabeleceu. Ele descreve essa filosofia um tanto quanto diferente no livro “A Regra é Não Ter Regras”, que particularmente eu recomendo a leitura. Se você chegou até aqui,  te desejo uma ótima semana e até a próxima coluna!

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