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Com a presença de Rayssa Leal, COB lança projeto Floresta Olímpica do Brasil

A iniciativa vai proporcionar o reflorestamento de cerca de 6,3 hectares de floresta em comunidades ribeirinhas, indígenas e quilombolas

Com a presença de Rayssa Leal, COB lança projeto Floresta Olímpica do Brasil
Foto: Marina Ziehe

03 de junho de 2024

5 minutos de Leitura

Em ação inédita em seus mais de 100 anos de história, o Comitê Olímpico do Brasil anunciou o Projeto Floresta Olímpica do Brasil. A iniciativa visa proporcionar o reflorestamento de cerca de 6,3 hectares de floresta em comunidades ribeirinhas, indígenas e quilombolas.

Durante a ação nas cidades de Tefé e Alvarães, no estado do Amazonas, a entidade contará com o reforço da medalhista olímpica do skate Rayssa Leal, embaixadora de sustentabilidade do comitê, que esteve presente na Amazônia para o lançamento do projeto, do qual é madrinha.  

A comitiva liderada pelo Presidente do COB, Paulo Wanderley, e pela atleta, esteve na Amazônia ao longo da última semana. Na última quarta-feira, ambos conduziram o lançamento do projeto nas comunidades Bom Jesus da Ponta da Castanha e aldeia São Jorge da Ponta da Castanha, principais impactadas pela iniciativa.

Diante da presença de autoridades locais, duas mudas de Jatobá, espécie nativa da região, foram plantadas pelo Presidente Paulo Wanderley e por Rayssa para simbolizar a inauguração do projeto, que vai durar ao menos até 2030. Além disso, os dois fincaram uma placa comemorativa no local.

“O tema da preservação e recuperação do meio ambiente é muito importante para toda a sociedade, e para o esporte não é diferente. É verdade que toda empresa gera impacto social e ambiental e o Movimento Olímpico como um todo tem que assumir essa responsabilidade. Agora, com a Floresta Olímpica do Brasil, uma iniciativa inédita no país, o COB vai mergulhar ainda mais na pauta da sustentabilidade, assunto mais do que urgente no planeta inteiro. Estou muito orgulhoso do legado que estamos construindo com ações e parcerias como esta”, ressaltou o presidente do COB.

“Estou muito feliz de participar disso tudo com o COB e outras atletas. A gente precisa pensar cada vez mais em sustentabilidade, no nosso dia a dia mesmo. Me sinto honrada por estar aqui e plantar a primeira árvore da minha vida!”, comemorou Rayssa.  

A iniciativa do COB está inserida no “Olympic Forest Network”, uma rede que prevê a restauração de florestas por Comitês Olímpicos Nacionais do mundo por meio de uma proposição do Comitê Olímpico Internacional (COI).  

Signatário da rede olímpica de florestas desde 2023, o COB escolheu impactar sobretudo as comunidades Bom Jesus da Ponta da Castanha e aldeia São Jorge da Ponta da Castanha, nas cidades de Tefé e Alvarães (Amazonas). Elas se localizam dentro dos limites da Floresta Nacional de Tefé (FLONA), no coração da Amazônia brasileira, área federal protegida e gerida pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).  

A restauração vai incluir o plantio de aproximadamente 4.500 árvores de espécies nativas, incluindo algumas que fazem parte das atividades tradicionais de extrativismo dos moradores locais, como a castanha da Amazônia (Bertholletia excelsa) e o açaí (Euterpe oleracea).  

O COB tem como parceiro no projeto o Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, organização social vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação. A iniciativa vai compensar a emissão de quatro mil toneladas de CO2 na atmosfera.  

Fases do projeto

O projeto de restauração é de cunho participativo e foi dividido em três componentes: capacitação, pesquisa, e, por fim, restauração e monitoramento. Na fase de capacitação, iniciada em 2023, os moradores locais foram treinados para a coleta, beneficiamento e armazenamento das sementes, bem como o processo de restauração. A fase de pesquisa também é participativa, na qual é avaliada a técnica mais apropriada dentre algumas para a execução da restauração.

Na fase de execução da restauração e do monitoramento, a área será propriamente restaurada e o processo monitorado para acompanhar a sucessão da floresta em regeneração, tornando-a o mais próxima possível da original. Muito mais do que um projeto de mitigação, a Floresta Olímpica do Brasil vai trazer benesses socioeconômicas para as comunidades envolvidas (de ribeirinhos, quilombolas e indígenas), uma vez que vai proporcionar a utilização do ambiente novamente sem degradá-lo. As pessoas se beneficiarão das atividades extrativistas e da comercialização da castanha e do açaí.  

Com essa ação na Amazônia, o COB expande as suas iniciativas sustentáveis. O primeiro compromisso assumido em prol da sustentabilidade foi a adesão ao movimento Esporte pela Ação Climática, no qual o Comitê se comprometeu a reduzir em 50% as emissões de GEE (gases de efeito estufa) até 2030. O COB foi o primeiro comitê olímpico nas Américas e o segundo no mundo a assinar esse compromisso, atrás apenas da Espanha. Para chegar à meta de compensação, o COB realiza um inventário anual de suas emissões desde o ano de 2022.  

“Com o projeto da Floresta Olímpica do Brasil, estabelecemos um marco fundamental para quem trabalha em prol do desenvolvimento saudável da sociedade, que é o objetivo final do Movimento Olímpico. Afinal, não existe esporte seguro sem a preocupação com o meio ambiente, assim como não existem eventos esportivos de qualidade sem a necessária compensação ao desgaste trazido à natureza”, acrescentou Rogério Sampaio, diretor-geral do COB e campeão olímpico de judô em Barcelona 1992.

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