Coluna

Ronaldinho Gaúcho, Seleção Brasileira e Rexona: Até onde vale o marketing?

Polêmicas declarações do ex-jogador foram motivadas por uma ação publicitária

Ronaldinho Gaúcho, Seleção Brasileira e Rexona: Até onde vale o marketing?

16 de junho de 2024

3 minutos de Leitura

Thales Paoliello
Thales Paoliello
Sócio da Monday Marketing Esportivo, agência de marketing esportivo fundada em 2009, especializada em patrocínios e ativação.

Aqui na MONDAY temos reuniões diárias para pensar em ideias e saídas para nossos clientes. Mas sempre procuramos pensar em todos os envolvidos do ecossistema dessa ativação. Sempre fazemos a pergunta: está legal pra marca? Vai ficar bacana pro clube? Então vamos nessa!

No sábado (15), o grande ídolo Ronaldinho, o Gaúcho, o Bruxo, aquele de risada fácil e que é difícil alguém não gostar, deu a (talvez) mais polêmica declaração da sua vida: falou muito mal da Seleção Brasileira, ofendeu jogadores (sem citar nomes) e a instituição como um todo.

“É isso aí galera, pra mim já deu. Esse é um momento triste pra quem gosta do futebol brasileiro. Fica difícil encontrar ânimo pra ver os jogos. Esse é talvez um dos piores times dos últimos anos, não tem líderes de respeito, só jogadores medianos em sua maioria. Acompanho futebol desde criancinha, muito antes de pensar em me tornar jogador, e eu nunca vi uma situação tão ruim como essa. Falta amor à camisa, falta garra e o mais importante de tudo: futebol”, disse Ronaldinho.

Naturalmente, viralizou no mesmo momento. E viralizou globamente. Até o Rei da transfer list Fabrizio Romano postou a declaração do Bruxo.

Foi notícia e foi comentado mundo afora.

E era tudo uma ação de marketing de uma marca de desodorante. A ação foi revelada boas horas depois em uma postagem de Fred, do Desimpedidos, junto com o craque.

O “mote” da campanha está em sinergia com a assinatura do produto: “Rexona não te abandona”. E Ronaldinho, no post revelação, disse que obviamente nunca vai abandonar a amarelinha.

Mas valeu a pena? Muitos dirão que a marca foi falada aos 4 cantos do planeta. E é verdade. Aqui já citamos a marca 3x. Mas isso é suficiente?

Aproveitar que a Seleção passa uma das fases de maior desconfiança da torcida, há 22 anos sem conquistar um Mundial, sem um grande ídolo no time, com um time que muitos não sabem o nome de mais da metade dos titulares, usando um pentacampeão e um dos maiores ídolos da história, pra falar mal e incentivar comentários ruins?

Eu sempre falo que a primeira notícia tem MUITO mais impacto que a resposta. Mesmo que a continuidade seja verdade e a notícia original não. Não tem comparação no alcance da primeira entrevista x o alcance da segunda.

O que vai ficar na cabeça do torcedor brasileiro fora da bolha publicitária é que o Ronaldinho não apoia a Seleção. E que ele, torcedor, também se sente no direito de não apoiar.

Se essa ação tivesse sido feita com a Seleção Argentina de Messi e cia, atual campeã do mundo, com o atual melhor jogador no elenco e declarada por um ídolo com o viés mais voltado ao humor, seria genial.

Mas com o Bruxo e a nossa Seleção não, Rexona. Não foi legal.

Assim a torcida abandona mesmo. E agora que a gente mais precisa dessa torcida.

Até onde vale o marketing?

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