Licenciamento

EA FC avança no futebol sul-americano e falta de coletividade prejudica mercado brasileiro

Enquanto escudos, nomes e uniformes de alguns clubes do país são oficiais, elencos seguem genéricos no jogo da Electronic Arts

29 de julho de 2024

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Na última semana, a Liga Profesional de Fútbol da Argentina e a EA (Electronic Arts) renovaram o acordo de licenciamento para manter todos os clubes do país dentro do EA FC 2025 e na nova temporada do EA FC Mobile. Com a ampliação da parceria, equipes, jogadores e alguns estádios estarão 100% licenciados.

“Este acordo aumentará a presença e o alcance massivo do nosso futebol argentino em todo o mundo através de um dos jogos e plataformas virtuais mais conhecidos do planeta,” disse Claudio Tapia, Presidente da AFA.

“Esta parceria exemplifica o nosso compromisso em permitir que a nossa comunidade se conecte com seus clubes e jogadores favoritos de maneiras novas e emocionantes”, acrescentou James Taylor, Diretor de Associações de Futebol da EA Sports FC.

O acordo com os nossos “vizinhos” bastou para reascender o debate sobre a falta do futebol brasileiro dentro do jogo de futebol de maior sucesso do mundo. Nas redes sociais, os fãs reclamaram a ausência e como isso prejudica o país no que tange visibilidade e a recorrente escolha dos jovens pelos times europeus.

“Essa dificuldade limita a capacidade dos clubes brasileiros de alcançar novos públicos e de aproveitar todas as oportunidades oferecidas pelas plataformas digitais e de jogos. Imagine que os clubes brasileiros não conseguem se conectar com uma nova geração de torcedores e gamers, o que acaba prejudicando o engajamento e o marketing atual e dos próximos 15 anos”, disse Jukaah Vargas, Diretor da EZGG, consultoria especializada em eSports, em entrevista ao MKTEsportivo.

A fragmentação, inclusive, pode ser vista nos acordos fechados por alguns clubes do país. Das duas principais divisões do futebol brasileiro, apenas Atlético-MG, Corinthians, Flamengo, Inter, Santos e São Paulo possuem acordo de licenciamento direto com a Konami para o PES, concorrente do EA FC e que tem perdido cada vez mais mercado para o seu rival. Desta maneira, encontram-se 100% licenciados.

Já no EA FC 25, por conta do acordo da empresa com a CONMEBOL, os times presentes na Libertadores e Sul-Americana encontram-se no game, mas com nomes genéricos envolvendo os atletas. São eles: Fluminense, Palmeiras, São Paulo, Grêmio, Atlético-MG, Flamengo, Botafogo, Red Bull Bragantino (Libertadores); e Athletico-PR, Internacional, Fortaleza, Cuiabá, Corinthians e Cruzeiro (Sul-americana).

“Isso ocorre porque os clubes brasileiros enfrentam dificuldades na coordenação entre diferentes partes interessadas e na negociação de direitos individuais. Essa falta de coordenação resulta em uma fragmentação que prejudica a visibilidade e o potencial de receita dos clubes”, acrescentou Jukaah.

Para uma possível mudança e acordos oficiais, há um entrave: o histórico de diversos processos judiciais sofridos pela EA que a fez colocar um pé no freio em negociar parcerias com jogadores e clubes do país.

“Há alguns fatores que impedem a EA de retornar com as licenças do seu jogo de futebol para o Brasil, e aqui levo em consideração apenas dois impeditivos. Primeiro, é importante lembrar a “ferida aberta” de um passado recente, onde uma negociação infeliz da publisher no Brasil sobre o direito de imagem dos jogadores brasileiros resultou em uma avalanche de processos e um impacto financeiro substancial para a EA”, salientou Marcelo Fadul, head de Esportes e Comunidade do KaBuM!.

O executivo lembra também da questão envolvendo a criação de uma nova liga no país, que além de estar dividida em blocos, não há um horizonte de unificação dos direitos dos campeonatos, imagem de clubes e de jogadores.

“O segundo ponto, altamente relevante, é que, devido a essa situação, para se posicionar novamente no Brasil, a EA certamente buscaria uma segurança jurídica elevada e eficaz, diferente do primeiro momento. Sabemos que, hoje, o Brasil, no quesito negociação coletiva, ainda que tenha melhorado nos últimos anos, esbarra na tríplice relação entre a CBF e as ligas dos clubes (Libra e Liga Forte União), onde não há uma unicidade entre os direitos das propriedades do campeonato, somada aos direitos de imagem dos clubes e principalmente dos jogadores”, completou Fadul.

Desde 2016 os atletas figuram com nomes genéricos nos games desenvolvidos pela EA, tanto na antiga parceria com a FIFA, como em suas atuais versões. A empresa sabe da força do futebol no mercado brasileiro e como os fãs aguardam ansiosamente um acordo coletivo para que estádios, clubes e jogadores apareçam de maneira oficial.

“Acredito piamente que a EA está observando essas movimentações das ligas brasileiras, e negociar de forma coletiva e unificada, como já fazem com a LaLiga, Ligue 1, MLS, Premier League e tantas outras, será o primeiro passo para o retorno ao mercado brasileiro. O fã brasileiro é extremamente ávido para que isso aconteça, principalmente entre os entusiastas do jogo, e é evidente o quão benéfico isso seria também para os próprios atletas em termos de exposição de imagem e alcance, desde que estes estejam na cadeia como beneficiários do acordo comercial dessa exposição no jogo EA FC”, finalizou Marcelo Fadul.

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