Indústria

Fifa notifica a CBF e cobra explicações sobre o papel de empresário em contratação de Ancelotti

Diego Fernandes não tem registro como agente pela entidade, mas esteve à frente das tratativas com o técnico

Foto: Rafael Ribeiro/CBF

30 de maio de 2025

3 minutos de Leitura

O envolvimento de Diego Fernandes na contratação de Carlo Ancelotti para a Seleção Brasileira despertou a atenção da Fifa, que enviou um comunicado à CBF solicitando esclarecimentos sobre o papel desempenhado pelo empresário no processo. Fernandes, que atua no mercado financeiro e afirma atender diversos atletas como consultor, não possui registro oficial como agente licenciado pela entidade, o que o impede de intermediar formalmente negociações envolvendo técnicos ou jogadores.

Segundo a confederação brasileira, os acordos firmados para trazer Ancelotti e sua comissão técnica foram construídos ainda na gestão anterior e seguem cláusulas contratuais confidenciais. A atual diretoria informou que está analisando os documentos de forma interna, processo esse conduzido por sua área responsável pela governança e compliance da entidade.

Em resposta por meio de sua assessoria, Fernandes defendeu que toda a negociação seguiu os trâmites corretos e dentro das normas vigentes, ressaltando ainda que nenhum pagamento foi feito até o momento e que qualquer repasse só ocorrerá após o reconhecimento formal como agente pela própria entidade brasileira.

O pedido feito pela Fifa à confederação inclui não apenas o envio de dados cadastrais e contato direto do empresário, como também solicita detalhes sobre sua participação nos bastidores do contrato com o treinador italiano. A entidade internacional quer acesso a qualquer tipo de comunicação trocada entre as partes, seja por e-mail ou mensagens em aplicativos, além de eventuais comprovantes de pagamento e cópias de acordos eventualmente firmados entre Fernandes e a CBF.

Nos bastidores, o empresário foi peça-chave nas conversas que buscavam a chegada de Ancelotti à seleção. Durante esse período, ele atuou como principal elo entre o treinador e a antiga presidência da CBF, liderada por Ednaldo Rodrigues, que chegou a anunciar o técnico pouco antes de ser destituído do cargo, visto que como parte da negociação, ficou acordado que o empresário receberá uma comissão de € 1,2 milhão (R$ 7,7 milhões, na cotação atual), valor vinculado diretamente à sua atuação como intermediador.

Com a mudança no comando da entidade, houve uma tentativa da nova gestão de revisar o contrato de intermediação firmado com Fernandes. No entanto, após avaliação do setor jurídico, concluiu-se que as chances de reversão na Justiça seriam limitadas, já que o acordo foi assinado de maneira legítima por Ednaldo Rodrigues enquanto ele ainda exercia a presidência de forma oficial.

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